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Senador do ES

Contarato: culpar governo Lula por atos de 8 de janeiro "não faz sentido"

Senador do ES, líder do PT, contrapõe o colega Marcos do Val (Podemos) que, além de ter acusado Bolsonaro de tentar dar um golpe e depois ter mudado a versão, diz que a culpa pela invasão às sedes dos Três Poderes por bolsonaristas é do atual governo

Públicado em 

22 fev 2023 às 08:46
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Senador Fabiano Contarato
Senador Fabiano Contarato Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado
O capixaba Fabiano Contarato é o líder do PT no Senado. Ele assinou, ainda antes do início da atual legislatura, o requerimento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as responsabilidades pela invasão às sedes dos Três Poderes. No dia 8 de janeiro, apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) incitaram as Forças Armadas a darem um golpe de Estado.
Eles invadiram os prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto. Esses locais, símbolos da República, foram depredados.
Contarato já afirmou à coluna que, quando endossou o pedido de CPI feito pela senadora Soraya Thronicke (União Brasil), o fez para cobrar uma resposta do poder público diante da intentona antidemocrática.
O presidente Lula (PT) defendeu, publicamente, que o Congresso não instaurasse a comissão sobre o tema, o que, segundo ele, atrapalharia os trabalhos legislativos apenas para repetir uma investigações que já são realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
O líder do PT no Senado, então, passou também a se postar contra a CPI. Contarato diz que a postura não tem relação com o pedido de Lula e sim ao fato de que a PF, o MP e outros órgãos estatais realmente estão agindo.
"Há centenas de presos preventivos", lembrou, ao se referir aos invasores mantidos em cadeias do Distrito Federal por ordem do STF.
A Procuradoria-Geral da República já denunciou vários deles. E a Advocacia-Geral da União pediu à Justiça Federal, e obteve, o bloqueio dos bens dos suspeitos de financiar os atos de 8 de janeiro.
Desde o início de janeiro até agora, contudo, muito mais coisa aconteceu.
Outro senador capixaba, Marcos do Val (Podemos), que, inicialmente, afirmou que os invasores haviam dado um tiro no pé, logo depois foi visitar os detidos no ginásio da Polícia Federal. Lá, os afagou.
E mais. Passou a afirmar que a responsabilidade pelos atos golpistas perpetrados por bolsonaristas é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Justiça, Flávio Dino, por omissão.
Do Val também assinou a CPI proposta por Soraya Thronicke.
"Como vai falar que o governo do Lula teria concorrido para ataques a instituições? Não faz sentido", rebateu Contarato, em entrevista à coluna. 
"O que houve foi o desdobramento de um comportamento bolsonarista alimentado pelo ex-presidente (Jair Bolsonaro). Atribuir o fato do dia 8 ao Lula e ao ministério recém-empossado não é nada razoável", afirmou o petista.
"Quem participou de atos para atacar o Congresso e o Supremo? Não foi o PT. Quem foi que negou a ditadura e ovacionou torturador? Não foi o presidente Lula. Colocar isso no governo Lula é totalmente infundado e sem sustentação", complementou.
Do Val diz ter provas. Entre elas, um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Ele até postou uma foto do tal relatório nas redes sociais.
Na verdade, a imagem era de um calendário da Abin. Um desses calendários de mesa, que mostram os dias e os meses do ano. 
Ainda assim, há um movimento de bolsonaristas no Congresso para tentar jogar no colo do atual governo a culpa pela invasão bolsonarista. 
Não é impossível que tenha havido falhas na segurança ou que o risco tenha sido minimizado. Daí a isso ter ocorrido propositalmente são outro quinhentos. 
Conforme revelou o jornal "O Globo", o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) havia alertado órgãos do governo sobre a intentona golpista. E um relatório da Abin falava em  "manifestantes com acesso a armas e com a intenção manifesta de invadir o Congresso Nacional".
Essas informações, entretanto, foram distribuídas de forma dispersa. Até mesmo em um grupo de WhatsApp com contatos desatualizados.
A CPI dos atos antidemocráticos não foi instalada. No dia 16 de fevereiro, Soraya Thronicke acionou o Supremo, acusando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de omissão.
O ministro Gilmar Mendes é o relator da ação. Pacheco também demorou a fazer a CPI da Covid andar. Agiu apenas devido a uma ordem do STF. A comissão apontou, em 2021, erros e omissões do governo Bolsonaro na pandemia de Covid-19.
Contarato, que teve atuação destacada nessa CPI, avalia que o contexto é outro.
Na época, órgãos de investigação e persecução, notadamente a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, nada fizeram para investigar, o que, de acordo com o petista, justificou a entrada do Senado em cena: "Na CPI da Covid houve omissão estatal. Agora, não".
A assinatura de Contarato e de outros apoiadores do governo Lula segue no requerimento de CPI dos atos antidemocráticos. À coluna, o líder do PT explicou que, para que haja a retirada ou novos endossos, Pacheco precisa estabelecer o prazo para o procedimento. 
"Eu levei essa reflexão duas vezes ao Pacheco. Perguntei se ele iria arquivar para ela (Soraya) coletar novas assinaturas ou abrir prazo para quem assinou retificar. Acredito que ele vai abrir prazo para quem assinou e deseja retirar e para outros aderirem. Ele tem que fazer esse procedimento em plenário", contou Contarato.
"Minha orientação, como líder do PT no Senado, é para que todos retirem as assinaturas"
Fabiano Contarato (PT) - Senador
O petista preferiu não comentar outras declarações de Marcos do Val.
Foi algo surpreendente, já que Do Val, apesar de não gostar de ser chamado de bolsonarista, sempre apoiou pautas bolsonaristas. Na CPI da Covid, aliás, foi um defensor de tratamentos ineficazes contra a doença, repetindo o discurso de Bolsoanaro.
Horas após denunciar a tentativa de golpe, porém, o senador voltou atrás, mudou a versão diversas vezes, chamou o clã Bolsonaro de "parceiraço", admitiu ter mentido ao conceder entrevistas à imprensa e disse ter agido de forma "estratégica".
"Eu me relaciono bem com Do Val e espero que ela tenha postura de responsabilidade com o que faz e com o que fala. Não quero entrar nesse mérito do comportamento dele em si. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", afirmou Contarato, parafraseando Caetano Veloso, ao ser questionado pela coluna.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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