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Investigação

Lula é contra CPI para apurar atos golpistas endossada por Contarato

Capixaba vai ser o líder do PT no Senado. Marcos do Val (Podemos), aliado de Bolsonaro, também assinou requerimento da CPI, mas por outros motivos

Públicado em 

19 jan 2023 às 16:08
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Senador Fabiano Contarato e ex-presidente Lula
Senador Fabiano Contarato e ex-presidente Lula Crédito: Twitter/@ContaratoSenado
Como a coluna mostrou, nesta quinta-feira (19), os senadores do Espírito Santo Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos) estão entre os 47 nomes que assinaram o requerimento de criação de uma CPI para apurar a invasão às sedes dos Três Poderes.
No dia 8 de janeiro, apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) entraram no Palácio do Planalto, no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal. Eles incitaram que as Forças Armadas dessem um golpe de Estado. Alguns dos invasores vandalizaram obras de arte e outros objetos. E ainda furtaram coisas, como armas de fogo.
A iniciativa da Comissão Parlamentar de Inquérito é de Soraya Thronicke (União Brasil-MS). 
Em entrevista à jornalista Natuza Nery, da GloboNews, exibida na quarta-feira (18), entretanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal alvo dos golpistas, deixou claro que não quer uma CPI instalada. 
"Nós temos instrumentos para fiscalizar o que aconteceu nesse país. Uma comissão de inquérito pode não ajudar e ela pode criar uma confusão tremenda, sabe? Nós não precisamos disso agora "
Lula (PT) - Presidente da República, em entrevista à GloboNews
Marcos do Val, em contato com a coluna, contou que, inicialmente, todos que assinaram o requerimento de Soraya Thronicke tinham como alvo o ex-presidente Bolsonaro e seus aliados.
O próprio Do Val, entretanto, mira, ironicamente, Lula e ministros do governo petista, quer responsabilizá-los pela invasão dos bolsonaristas aos poderes da República.
O senador do Podemos apoiou Bolsonaro nas eleições de 2022 e, no Senado, esteve ao lado de diversas propostas do governo da época, principalmente no apoio à ampliação do número de armas nas mãos da população civil.
Contarato, por sua vez, sempre foi crítico a Bolsonaro.
"Assinei pedido de CPI para investigar e responsabilizar duramente autores e financiadores dos crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, incitação a crime e outros cometidos pela extrema-direita bolsonarista", publicou Contarato, no Twitter, no último dia 12.
Lula, ainda na entrevista exibida pela GloboNews nesta quarta, lembrou que a decisão não cabe ao presidente da República: "É uma decisão do Congresso Nacional, não é minha. Portanto, os partidos políticos, na Câmara e no Senado é que vão decidir".
"Se, por acaso, eles me pedissem um conselho – que é difícil pedir conselho – eu diria: não façam CPI, porque não vai ajudar "
Lula (PT) - Presidente da República, em entrevista à GloboNews
A coluna tentou contato com Contarato na manhã desta quinta-feira para saber se poderia recuar do endosso à CPI diante do conselho de Lula. Mas ainda não obteve retorno.
Na lista de assinaturas atualizada enviada pela assessoria de Soraya Thronicke na quarta-feira, o nome de Contarato persistia.
O requerimento para a criação da CPI somente pode ser protocolado no dia 1º de fevereiro, quando começa a nova legislatura. 
"Quando eu comecei a denunciar a prevaricação do ministro (Flávio Dino, da Justiça), e tenho aqui os documentos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para mostrar que o governo usou politicamente a situação, o Lula pediu para todos os senadores retirarem as assinaturas, para não participarem (da CPI). Está preocupado porque eu descobri. Agora vou provar", afirmou Do Val à coluna.
A tese é improvável. Embora possa ter havido falhas na segurança do Palácio do Planalto, não há tantas vantagens assim em sofrer uma tentativa de golpe de estado.
Logo, imputar que havia, de propósito, poucos homens e mulheres de prontidão é algo, no mínimo, controverso.
Quanto à CPI, a comissão, se instalada, pode dividir as atenções do Senado, deixando os projetos do governo em segundo plano.
Além disso, ainda que não se comprove a "culpa" de Lula e ministros do governo petista no episódio, a oposição pode usar o espaço para fustigar o Executivo.
Lula em entrevista à jornalista Natuza Nery, da GloboNews
Lula em entrevista à jornalista Natuza Nery, da GloboNews Crédito: Rerpodução/Globonews
A CPI da Covid, por exemplo, foi dominada por opositores de Jair Bolsonaro e fez o governo da época "sangrar" politicamente.
A partir de fevereiro, entretanto, a maior bancada do Senado vai ser do PL, partido do ex-presidente da República. Isso sem contar os aliados dele filiados a outras legendas, como Do Val.
"O QUE ACONTECEU FOI MUITO GRAVE"
A senadora Rose de Freitas (MDB), cujo mandato se encerra no dia 31 de janeiro, afirmou à coluna, nesta quinta-feira (19), que também assinou o requerimento da CPI proposta por Soraya Thronicke.
A assessoria da senadora do União Brasil, entretanto, diz que o nome da emedebista não consta na relação de apoios mais recente enviada pela Secretaria-geral da Mesa Diretora do Senado.
"Sou a favor (da CPI), apesar de o Lula ser contra. Ele sabe que uma CPI atrapalha muito o funcionamento da Casa. Mas por vezes é necessário. O que aconteceu foi muito grave", afirmou Rose. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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