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Assinaram requerimento

Senadores do ES apoiam CPI para apurar atos golpistas, mas por motivos diferentes

Iniciativa da senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) conta com 47 assinaturas. Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos) endossaram o requerimento

Públicado em 

19 jan 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Fabiano Contarato e Marcos do Val no Senado, em abril de 2022
Fabiano Contarato e Marcos do Val no Senado, em abril de 2022 Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
Após a invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro, a senadora Soraya Thronicke (União Brasil-MS) propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apontar os responsáveis pelos atos.
Apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) marcharam no Distrito Federal naquela data e incitaram as Forças Armadas a perpetrarem um golpe.
Entre eles, alguns vandalizaram obras de arte e outros objetos dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. Até armas de fogo foram furtadas.
Os bolsonaristas estão inconformados com o resultado das eleições de outubro de 2022, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou a melhor e tornou-se o novo chefe do Executivo federal.
A investigação sobre os atos antidemocráticos ocorreria no Senado, como se deu na CPI da Covid. Isso não impediria o andamento de outras investigações, como as já iniciadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
Dos três senadores do Espírito Santo, dois assinaram o requerimento: Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Podemos).
Ao todo, 47 senadores endossaram a iniciativa de Soraya Thronicke. Até mesmo alguns que estão de saída da Casa.
Mas somente as assinaturas dos que vão compor a próxima legislatura terão validade. Ainda assim, a CPI tem apoios suficientes para ser protocolada. Eram necessários ao menos 27 apoios.
O requerimento somente pode ser formalizado a partir do dia 1º de fevereiro, quando 27 senadores eleitos em outubro tomam posse.
"Requeremos, nos termos do art. 58, § 3º, da Constituição Federal e dos arts. 74, III, e 145 do Regimento Interno do Senado Federal, a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito composta de 11 (onze) membros titulares e 7 (sete) membros suplentes, para, no prazo de 130 (cento e trinta) dias, com limite de despesas de R$ 90.000,00 (noventa mil reais), apurar a responsabilidade pelos atos antidemocráticos e terroristas praticados no dia 08 de janeiro de 2023, por grupo de pessoas que invadiu e depredou os prédios do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto", diz o texto redigido por Soraya.
"Assinei pedido de CPI para investigar e responsabilizar duramente autores e financiadores dos crimes de terrorismo, associação criminosa, atentado contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, incitação a crime e outros cometidos pela extrema-direita bolsonarista", publicou Contarato, no Twitter, no último dia 12.
O nome dele consta na relação de assinaturas enviada à coluna pela assessoria da senadora proponente. Assim como o de Do Val.
Rose de Freitas (MDB), cujo mandato se encerra em 31 de janeiro, afirmou à coluna nesta quinta-feira (19) que também assinou o requerimento, embora o nome da emedebista não apareça na relação.
O senador do Podemos, entretanto, que apoiou Bolsonaro na campanha eleitoral, tem feito outras movimentações.
Embora tenha considerado a invasão aos Três Poderes "um tiro no pé da direita", Do Val voltou-se não contra os invasores e tampouco contra os eventuais financiadores ou incentivadores dos ataques e sim contra o governo Lula, que os golpistas pretendiam derrubar.
Ele tem antagonizado, principalmente, o ministro da Justiça, Flávio Dino, e o próprio Lula. Para Do Val, o presidente "sabia de tudo 24 horas antes e deixou acontecer os ataques".
Ele ainda não provou sua tese. O senador do Espírito Santo ainda disse que alertar Dino sobre o risco de invasão e foi ignorado.
O ministro, por sua vez, mostrou os prints das mensagens enviadas por Do Val. O senador disse, em mensagem via WhatsApp, a Dino querer uma "audiência com urgência" de, no máximo, "15 minutos" e que "a pauta é sobre o decreto do Lula sobre as armas".
Do Val também menciona "outros assuntos", mas não fala, textualmente, nada sobre os ataques que viriam a acontecer.
Dino não respondeu as mensagens nem retornou a uma ligação do senador do Espírito Santo.
Em entrevista ao UOL, o ministro afirmou que "terroristas e seus aliados querem desviar o foco do real debate para proteger criminosos".
E questionou que, se Do Val sabia da iminência dos ataques, por que não avisou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD)?
Enquanto isso, Contarato, que durante os primeiros quatro anos de mandato no Senado fez críticas ácidas a Bolsonaro, quer que os holofotes sejam jogados sobre o ex-presidente da República:
"Bolsonaro tem de ser responsabilizado pelos atos terroristas promovidos por seus apoiadores criminosos em Brasília. E há caminhos jurídicos para isso".
O ex-presidente atacou verbalmente o Supremo Tribunal Federal, por diversas vezes nos últimos anos. Enquanto promoviam as invasões, apoiadores dele repetiam frases de Bolsonaro, como mostrou o Estadão.
"A Soraya tomou a iniciativa da CPI e disse que não queria presidir nem ser relatora. Era só para movimentar e descobrir o que está acontecendo. No momento, estava todo mundo pautando em cima do Bolsonaro. Então o PT, os aliados do PT, todo mundo estava assinando a CPI", contou Do Val à coluna.
"Quando eu comecei a denunciar a prevaricação do ministro, e tenho aqui os documentos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para mostrar que o governo usou politicamente a situação, o Lula pediu para todos os senadores retirarem as assinaturas, para não participarem (da CPI). Está preocupado porque eu descobri. Agora vou provar", complementou.
A lista atualizada com os nomes dos que assinaram a CPI enviada pela assessoria de Soraya Thronicke à coluna nesta quarta mostra que Contarato continua apoiando a criação da comissão.
Nesta quinta-feira, ele foi anunciado como líder do PT no Senado.
E O PT, HEIN? E O LULA?
É razoável supor que houve falha por parte da segurança do Palácio do Planalto, que fica sob responsabilidade do Exército, e também do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Havia pouquíssimos homens e mulheres para proteger o prédio. A responsabilidade por isso tem que ser apurada.
Daí a cravar que a falha ocorreu propositalmente para o governo Lula capitalizar politicamente são outros quinhentos.
Para começo de conversa, seria uma manobra muito arriscada. E se os invasores ficassem nas sedes dos Três Poderes por dias, meses, como fizeram em frente aos quartéis?
Era essa a intenção dos golpistas, como mostram os grupos no Telegram em que os atos democráticos foram planejados.
Militares do Exército, como se pode ver em vídeos gravados em 8 de janeiro, chegaram a tentar impedir a Polícia Militar do Distrito Federal de dispersar os invasores.
E a PM, por sua vez, com um pequeno efetivo, demorou a agir. Além de ter escoltado calmamente os bolsonaristas radicais pelas ruas até que chegassem à Praça dos Três Poderes. Outra questão a ser investigada.
Politicamente, Lula saiu fortalecido, num primeiro momento, é verdade.
Conseguiu unir governadores de espectros políticos diferentes e os chefes dos Poderes Executivo e Judiciário em prol da democracia.
Na prática, entretanto, não há tanta vantagem assim em sofrer uma tentativa de golpe.
O governo tem que despender energia para impedir que novos atos antidemocráticos aconteçam e para identificar os responsáveis pela invasão de janeiro.
Além disso, a relação com as Forças Armadas, que já não era boa, piorou.
Enquanto deveria estar concentrado em se organizar e começar a tocar algumas das propostas feitas na campanha eleitoral, Lula tem que dividir o foco.
Bolsonaristas invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto
Bolsonaristas invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O fato de uma CPI ser instalada também pode não ser boa coisa para o governo.
O Senado acaba voltando as atenções e esforços para a comissão e projetos do Executivo podem ficar em segundo plano.
E não necessariamente vai haver resultados práticos. A CPI da Covid, por exemplo, durou seis meses, apontou diversas suspeitas e sugeriu o indiciamento de 78 pessoas e 2 empresas.
O relatório foi enviado ao Ministério Público Federal, à Procuradoria Geral da República, a Ministérios Públicos Estaduais e ao Ministério Público do Trabalho.
Foram abertos dezenas de inquéritos e apurações preliminares.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, por sua vez, quis arquivar quase tudo e conseguiu, no que diz respeito a Bolsonaro e a ministros do governo passado.
Foi graças à CPI da Covid, entretanto, que os brasileiros ficaram sabendo dos inúmeros e-mails enviados pela Pfizer oferecendo vacinas contra a Covid-19 ao Brasil e sendo solenemente ignorada.
E da tentativa de fraude na compra de outra vacina, da Covaxin.
Só para citar alguns exemplos.
Se a CPI dos atos antidemocráticos prosperar, talvez tenhamos que pegar novamente o balde de pipoca.

Atualização

19/01/2023 - 4:23
A coluna foi atualizada para incluir a informação de que a senadora Rose de Freitas afirmou ter assinado o requerimento de criação da CPI dos atos antidemocráticos, embora o nome dela não conste na relação enviada pela assessoria da senadora proponente, Soraya Thronicke.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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