Na tarde da última quarta-feira (13), o mercado deu uma aula que nenhuma faculdade ensina com tanta eficiência: em questão de horas, o dólar voltou a superar R$ 5, e o Ibovespa fechou em queda. O motivo? Uma reportagem sobre o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro.
Não vou entrar no mérito político. O que me interessa, e o que deveria te interessar como investidor, é o que esse episódio revela sobre o Brasil: aqui, qualquer manchete pode mudar o valor do seu patrimônio da noite para o dia.
E 2026 ainda está no começo.
O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, a maior valorização cambial do planeta no ano e a bolsa nas máximas históricas. E ainda assim, um único noticiário político foi suficiente para devolver parte de tudo isso em poucas horas
Isso se chama risco-país. E ele não some quando o mercado fecha.
Em 2026, o real chegou a se valorizar mais de 10% frente ao dólar, o melhor desempenho entre todas as moedas do mundo. Ótimo para quem foi viajar. Péssimo para quem confundiu esse cenário com estabilidade estrutural. Isso porque os motores dessa valorização, juros altíssimos e petróleo caro por causa da guerra no Oriente Médio, são temporários. O que não é temporário é o calendário eleitoral.
As eleições presidenciais estão marcadas para outubro. As pesquisas mostram um empate técnico entre os principais candidatos. Isso significa que, pelo menos até novembro, o mercado vai operar com incerteza máxima. Qualquer vazamento, qualquer escândalo, qualquer declaração mal interpretada pode provocar exatamente o que vimos ontem: dólar para cima, bolsa para baixo, e o patrimônio de quem estava 100% em reais encolhendo sem avisar.
EM NÚMEROS:
+10,7%
Valorização do real em 2026
14,5%
Selic atual ao
R$ 5
Dólar após manchete política
A solução não é entrar em pânico. É se posicionar antes que o pânico comece.
Investir parte do seu patrimônio no exterior, em moeda forte, é uma das estratégias mais antigas e eficientes de proteção que existe. Não porque o exterior seja perfeito. Mas porque quando o Brasil treme, o mundo inteiro não treme junto. E ter uma parcela dos seus recursos em dólar, euro ou em ativos internacionais é a diferença entre ver o seu patrimônio encolher e ver ele se manter firme enquanto todo mundo corre para o banco.
Não estou falando de especulação. Estou falando de diversificação inteligente. Da mesma forma que você não coloca tudo em uma única ação ou em um único imóvel, não faz sentido ter 100% do seu patrimônio exposto a um único país com eleição em seis meses.
Nos últimos 12 meses, por exemplo, minha carteira valorizou 21,7%. Em dólar. Significa dizer que além de bater a nossa própria Selic, o patrimônio ainda esteve protegido das oscilações causadas pela instabilidade do nosso país.
O Brasil pode muito bem passar por 2026 sem nenhuma crise grave. Tomara que sim. Mas o investidor que se protege não é pessimista. É profissional.
E o mercado ontem, mais uma vez, lembrou a todos que o pessimismo não precisa de convite para chegar.
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