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Juros

Sua poupança vai passar a render menos, mas isso pode ser bom

Na última quarta (29), o Banco Central cortou os juros. Antes de comemorar ou se preocupar, entenda o que isso muda de verdade no seu bolso

Publicado em 03 de Maio de 2026 às 06:00

Públicado em 

03 mai 2026 às 06:00
Daniel Carraretto

Colunista

Daniel Carraretto

Na última quarta-feira (29), o Banco Central do Brasil anunciou mais um corte na taxa básica de juros, a Selic. Ela caiu de 14,75% para 14,5% ao ano. Pode parecer pouca coisa. Mas para quem tem dinheiro guardado na poupança, para quem sonha com a casa própria ou pensa em fazer um financiamento, esse número importa mais do que parece.


A queda de juros, quando acontece de forma sólida e consistente, é sinal de que a economia está sendo ajustada. Crédito fica mais acessível. Financiamento de imóvel fica mais barato. Empresas conseguem investir mais. E o investidor que entende esse movimento, em vez de só reclamar do rendimento da poupança, consegue se posicionar para ganhar com ele.


Poupança rende menos, crédito fica mais barato e o momento pede decisão
Poupança rende menos, crédito fica mais barato e o momento pede decisão Imagem gerada pelo ChatGPT

E vou trazer uma verdade que alguns já sabem e outros se recusam a aceitar: a poupança é, hoje, um dos piores lugares para guardar dinheiro no Brasil. Com a Selic caindo, ela rende menos ainda. E com a inflação rodando perto de 4,4% ao ano, quem deixa o dinheiro na caderneta está, na prática, perdendo poder de compra mês a mês. O dinheiro está lá. O saldo cresce aos poucos. Mas o que você consegue comprar com ele diminui.


Quem deixa o dinheiro na poupança não está guardando. Está perdendo dinheiro em câmera lenta


tabela 1 - coluna Daniel Carraretto

Mas, então, por que o título deste artigo diz que isso pode ser bom?

Porque quando os juros caem, quem financia um imóvel paga menos. E isso muda a vida de muita gente.


Pense bem: a maioria dos brasileiros não vai comprar um apartamento à vista. A casa própria, para a grande maioria das famílias, passa pelo financiamento. E o custo desse financiamento está diretamente ligado à Selic. Quando ela cai, o banco cobra menos juros no contrato. Isso significa parcela menor, ou o mesmo valor comprando um imóvel mais caro.


tabela 2 coluna Carraretto

Quem está pensando em comprar imóvel precisa entender que cada ponto percentual de queda na Selic representa uma janela. Não é hora de esperar o juro chegar a zero. É hora de acompanhar o movimento e se preparar.


O mesmo vale para o crédito no geral. Empréstimo pessoal, financiamento de veículo, capital de giro para quem tem um pequeno negócio. Tudo isso fica mais barato quando a Selic cai. Não de um dia para o outro, porque os bancos demoram a repassar a queda. Mas o caminho é esse.


Não espere o momento perfeito para investir melhor. Ele não vai chegar com um aviso no jornal


Mas há uma ressalva importante: o Banco Central deixou claro que os próximos passos dependem da inflação e do cenário lá fora. A guerra no Oriente Médio está pressionando o preço do petróleo, que empurra o preço dos combustíveis e, em cadeia, o preço de tudo que chega ao supermercado. Isso limita a velocidade com que os juros podem cair. O corte de agora não é o início de uma queda livre da Selic. É um passo cuidadoso num caminho incerto.


tabela 3 Daniel Carraretto

E é aqui que entra o maior erro que vejo as pessoas cometerem: esperar. Esperar a Selic cair mais. Esperar a inflação estabilizar. Esperar o cenário melhorar. O problema é que quando o cenário melhora de vez, os melhores retornos já foram capturados por quem entrou antes.


Não estou dizendo para sair correndo comprar ações ou fundos de alto risco amanhã cedo.


Estou dizendo que qualquer pessoa, mesmo quem tem pouco dinheiro guardado, pode hoje mesmo tirar esse dinheiro da poupança e colocar no Tesouro Selic, que rende mais do dobro do que a poupança paga, tem a mesma segurança do governo federal e pode ser resgatado a qualquer momento.


O corte de juros da última quarta não é motivo de pânico, nem de euforia. É um lembrete de que o dinheiro parado ou mal investido sempre tem um custo. Quem entende isso sai na frente, não porque é rico, mas porque tomou uma decisão simples que a maioria adiou.

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Daniel Carraretto

Daniel Carraretto é consultor de Investimentos CFP® e sócio do Multi Family Office Zanella Wealth. Com mais de 18 anos de experiência, gerencia o patrimônio financeiro de famílias de alta renda. Foi reconhecido pela Anbima com uma das principais vozes sobre investimentos no Brasil, com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram.

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