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Queda de juros

BC mantém ritmo, corta juros de novo e leva Selic para 14,5% ao ano

Copom faz redução gradual de juros e fala em cautela diante de conflito no Oriente Médio

Publicado em 29 de Abril de 2026 às 19:14

NATHALIA GARCIA

Publicado em 

29 abr 2026 às 19:14

BRASÍLIA - O Copom (Comitê de Política Monetária) manteve o ritmo gradual de redução de juros e repetiu o corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica (Selic), de 14,75% para 14,5% ao ano.


A decisão do colegiado do Banco Central foi tomada por unanimidade pelo presidente, Gabriel Galípolo, e mais cinco diretores, com três desfalques na reunião desta quarta-feira (29).


No encontro anterior, em março, quando iniciou a flexibilização dos juros, o comitê deixou seus passos futuros em aberto diante do aumento da incerteza provocada pela guerra no Irã. A ideia era ter mais clareza da profundidade e da extensão do conflito geopolítico.


Sem paz à vista, a expectativa do mercado financeiro era de um movimento conservador. O consenso das projeções de analistas apontava para um corte de 0,25 ponto na Selic, a 14,5% ao ano, segundo a agência Bloomberg. Apenas uma casa de análise, entre as 31 consultadas, apostava na manutenção do patamar de 14,75% ao ano.

Banco Central em Brasília
Banco Central: corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Diante da incerteza no ambiente global, o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano pela terceira reunião consecutiva, na despedida de Jerome Powell como presidente do órgão. Agora, a diferença entre os juros dos Estados Unidos e do Brasil está em 10,75 pontos percentuais.


No Brasil, o ciclo de queda da Selic teve início em março, com um movimento de 0,25 ponto percentual, no primeiro corte em quase dois anos e o primeiro da gestão de Galípolo no BC.


Nas últimas semanas, seguiu a indefinição nas negociações para o término da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, e o preço do petróleo manteve-se acima de US$ 100. O barril Brent, referência mundial, chegou a US$ 111 nesta quarta, maior valor desde 7 de abril.


Além disso, houve piora nas expectativas de inflação. O boletim Focus divulgado na última segunda-feira (27) registrou elevação da expectativa para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2026, a 4,86% – acima do teto da meta (4,5%).


Para 2027 – prazo na mira do Copom devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia –, a estimativa de inflação atingiu 4%.


No acumulado de 12 meses até março, o IPCA chegou a 4,14%. Nesta terça (28), o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que sinaliza uma tendência para a inflação oficial do país, já mostra pressão sobre preços de combustíveis e alimentos.


O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).


O câmbio, por outro lado, apresentou melhora desde o último encontro, com o dólar sendo cotado abaixo de R$ 5. Em março, a cotação da moeda americana usada pelo comitê em seus cálculos para projeção de inflação foi de R$ 5,20.


Continuam vagas as diretorias de Política Econômica e de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, enquanto o governo Lula (PT) não indica os substitutos de Diogo Guillen e Renato Gomes, cujos mandatos terminaram em 2025. O diretor Rodrigo Teixeira (Administração) não participou do encontro devido ao falecimento de um familiar.

O colegiado voltará a se reunir nos dias 16 e 17 de junho, no quarto dos oito encontros previstos para o ano.

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