Os deputados estaduais Capitão Assumção e Camila ValadãoCrédito: Ana Salles e Lucas S. Costa/Ales
Entre as 17 comissões permanentes da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, falta definir a presidência de apenas uma: a de Direitos Humanos. A deputada estadual de primeiro mandato Camila Valadão (PSOL), ex-vereadora de Vitória, já havia externado no dia da posse, em 1º de fevereiro, a vontade de comandar o colegiado.
A comissão é composta por cinco membros, indicados por blocos parlamentares. Dois blocos foram formados.
Um, integrado por aliados do governador Renato Casagrande (PSB), é majoritário. O outro contém oposicionistas e independentes.
Dos cinco titulares da Comissão de Direitos Humanos, três chegaram lá por indicação do líder do governo, Dary Pagung (PSB), que é também o líder do blocão.
Assumção e Lucas Polese (PL) foram escolhidos pelo bloco minoritário.
Originalmente, além de Camila, Assumção e Polese, Iriny Lopes (PT) e Allan Ferreira (Podemos) faziam parte do colegiado. Allan, no entanto, pediu para sair.
Camila e Iriny são votos certos em Camila para presidir o grupo. Assumção e Polese, por outro lado, são os votos de Assumção. Caberia a Allan decidir a parada.
Como é do bloco governista, respeitaria o acordo firmado nos bastidores e votaria em Camila. Allan, entretanto, ficaria numa situação, digamos, chata.
Ele não tem identificação com a pauta de direitos humanos. Não é de esquerda como Camila nem de extrema direita como Assumção. Tem perfil de centro-direita e poderia desagradar aos próprios eleitores se garantisse a vitória da parlamentar do PSOL.
A MANOBRA
Então ele comunicou ao blocão que sairia do colegiado e assim o fez. Os governistas concordaram e escalaram João Coser (PT), que era suplente na Comissão de Direitos Humanos, para assumir a vaga do deputado do Podemos.
Coser, um homem de esquerda e simpático ao tema da comissão, é mais um voto certo em Camila que, assim, está virtualmente eleita, por três votos a dois.
Assumção, apesar da derrota certa, pode não retirar a candidatura, para marcar posição.
É uma queda de braço ideológica entre o PSOL e o PL bolsonarista, o que garante visibilidade aos dois grupos.
Dary Pagung já protocolou a entrada de Coser como titular no lugar de Allan. E Tyago Hoffman (PSB), vice-líder do governo Casagrande, entrou como suplente no colegiado.
Para participar da Comissão de Direitos Humanos, o petista saiu da de Segurança Pública.
A eleição que vai definir, oficialmente, quem vai ser presidente e vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos vai ser convocada por Iriny Lopes, que é a integrante mais antiga do grupo. A votação tem que ocorrer, no máximo, até terça-feira (28).
Mas a previsão é que seja realizada na segunda (27).
TORNOZELEIRA E AFINS
Assumção é, talvez, o deputado estadual do Espírito Santo menos afeito aos direitos humanos. Chegou a encomendar, durante discurso na Assembleia no mandato passado, a morte de uma pessoa.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.