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Mudança de partido

Antes de PSDB barrar filiação, Marcos do Val tentou entrar no PL

Senador do ES foi eleito pelo Cidadania, em 2018, e migrou para o Podemos. Depois, teve embate com Magno Malta, que preside o PL no estado

Públicado em 

22 set 2023 às 10:16
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Senador Marcos do Val
Senador Marcos do Val Crédito: Pedro França/Agência Senado
A filiação do senador Marcos do Val ao PSDB, apesar de ter sido anunciada pelo próprio parlamentar e comemorada pelo líder dos tucanos no Senado, Izalci Lucas (DF), não vai ocorrer. Foi o que a direção nacional do PSDB garantiu, em nota oficial.
A reviravolta constrangedora não foi a primeira no quesito tentativa de troca de legenda protagonizada por Do Val. 
Eleito em 2018 pelo Cidadania, ele migrou, em 2019, para o Podemos. 
Em setembro de 2022, Do Val contou à coluna que, em 2021, foi convidado por Jorginho Mello, então líder do PL no Senado, para se filiar à legenda. Mas, de acordo com o parlamentar do Espírito Santo, ele preferiu não se tornar um correligionário de Magno Malta, presidente estadual da sigla.
"Eu disse que teria problema no estado (se entrasse no PL) porque Magno é do partido e não me sentiria confortável de estar num partido em que ele está".
Depois, Do Val e o PL se reaproximaram. Magno, já eleito senador, contudo, enviou nota à coluna, em fevereiro de 2023, em que afirmou desconhecer convite do PL feito ao senador do Podemos.
Convite esse que Do Val havia reportado à Globo News, na entrevista em que tentou explicar outra confusão, a do suposto plano de golpe de Estado para o qual deu várias versões.
De acordo com o senador do Podemos, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o chamou para ingressar no PL. Do Val afirmou, ainda, que Magno sabia disso e até "fez um barraco num evento do PL" contra a entrada dele no partido. 
Por fim, Costa Neto disse foi que Do Val que procurou a sigla e pediu para se filiar.
O presidente nacional da legenda havia concordado, apesar dos protestos de Magno Malta, uma vez que "o PL estava perdendo senadores".
A previsão é que Do Val assinasse a ficha de filiação no dia 2 de fevereiro.
Na madrugada daquele dia, contudo, o senador do Espírito Santo apareceu em uma live (transmissão ao vivo) em que acusou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de tentar coagi-lo a participar de um golpe de Estado para impedir a posse de Lula (PT), vencedor das eleições de 2022 para o Palácio do Planalto.
Foi a primeira das várias versões para a história. Depois disso, Valdemar Costa Neto fechou as portas do PL para Do Val: "Nem com reza brava".
ELE FICA NO PODEMOS
Nesta quinta (21), Do Val divulgou, em nota oficial, que estava saindo do Podemos em comum acordo com o partido e com a anuência da presidente nacional da legenda, Renata Abreu. E que havia se filiado ao PSDB.
Horas depois, contudo, a direção nacional do PSDB informou que iria barrar a entrada dele no partido. 
Já na noite desta quinta, Do Val afirmou que vai permanecer no Podemos. E ainda chamou o PSDB de partido "que era do Alexandre de Moraes", ministro do Supremo Tribunal Federal criticado diversas vezes pelo senador.
"O PSDB que era o mesmo do ministro Alexandre de Moraes e do Alckimin. Mostraram o medo que estão. Permaneço no Podemos", disse.
Moraes, antes de ser ministro, realmente, foi filiado ao PSDB, assim como o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, hoje no PSB.
Isso, entretanto, não impediu Do Val de querer integrar o ninho tucano, antes de ser barrado. 
É que ele recebeu convite do líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (DF). Este, por sua vez, precisa filiar ao menos um senador para que o partido tenha três parlamentares na Casa e, assim, não perca o direito a ter liderança no Senado.
Izalci, aparentemente, contudo, não combinou a entrada de Do Val com os integrantes do diretório nacional do PSDB, o que provocou toda a confusão.
Agora, o Podemos mantém em seus quadros — o partido não contradisse Do Val — alguém que já tentou sair ao menos duas vezes da legenda.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no Gazeta Online/ CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, onde exerce a função de editora-adjunta desde 2020.

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