Nem Rose nem Lelo: dividido, MDB no ES vive compasso de espera
Eleição empatada
Nem Rose nem Lelo: dividido, MDB no ES vive compasso de espera
Eleição da Executiva estadual do partido é uma incógnita após pleito para o diretório terminar em empate. O estatuto da sigla não diz o que deve ser feito após um placar desse tipo
Em até cinco dias, prazo estabelecido pelo estatuto do partido, deve haver alguma definição para a eleição da Executiva, órgão que, efetivamente, é a instância decisória da sigla.
Desde março de 2021, esse poder foi conferido a um órgão provisório, presidido por Rose. A indicação foi feita pela Executiva nacional, capitaneada por Baleia Rossi (MDB), que vai ser consultado novamente.
O estatuto do partido não diz o que deve ser feito em caso de empate. Ou seja, o imbróglio sobre quem vai presidir a sigla no Espírito Santo continua.
A eleição desta quinta foi um retrato do MDB estadual nos últimos anos. Meio confusa, com discordâncias a respeito das regras a serem adotadas após o placar surpreendente, mas com uma tentativa de conciliação.
Em dado momento, Rose e Lelo deram as mãos.
Rose afirmou no evento, ao microfone, que, por ser mais velha que Lelo — ela tem 74 anos de idade e ele, 69 —, a regra eleitoral daria a vitória à chapa dela. Mas que preferiu não usar tal prerrogativa e sim buscar "um entendimento" com o ex-deputado.
Lelo, em seguida, agradeceu a ex-senadora "por abrir mão da prerrogativa". No que Rose pegou o microfone de volta para corrigi-lo: "Não abri mão de nada".
Por fim, como a coluna conferiu, o estatuto do MDB não prevê esse critério de desempate. Apenas diz, no artigo 31, que "as reuniões dos Diretórios para a eleição das Comissões Executivas serão presididas por seu membro titular mais idoso".
Isso quer dizer que o membro mais velho das duas chapas deve presidir a reunião que vai eleger a Executiva estadual. Esse integrante é José Maria Pimenta, de 76 anos.
Já quem deve ficar com a presidência do MDB no Espírito Santo é uma resposta que o estatuto não contempla. É uma decisão política que parece difícil.
Lelo poderia ser o presidente e Rose, a vice? Ou vice-versa? "Tudo é possível", afirmou Lelo. Rose foi mais refratária à ideia de não encabeçar o partido, mas depois decidiu parafrasear o ex-deputado: "Tudo é possível".
Ela tenta contemporizar e apaziguar os ânimos. Pelo resultado do pleito para o diretório, está claro que quem tentar se impor vai enfrentar uma resistência significativa, afinal, metade dos delegados (os que têm direito a voto) preferem o outro, ou outra.
O DESAFIO
O MDB é o partido com mais filiados no Espírito Santo e tem relevância pelas fatias dos fundos partidário e eleitoral às quais tem direito. Além do tempo de propaganda de TV e rádio.
Mas, desde 2018, com a saída do então governador Paulo Hartung, a sigla vive disputas internas no estado e perdeu representatividade.
Não tem deputado estadual nem federal. Com a derrota de Rose em 2022, não tem ninguém no Senado. E, o que é chocante, nem vereador nas principais cidades da Grande Vitória tem.
Em um ano pré-eleitoral, seja lá quem for o responsável por passar a comandar o partido vai ter o desafio de reerguer a legenda em um momento crucial.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.