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Eleição empatada

Nem Rose nem Lelo: dividido, MDB no ES vive compasso de espera

Eleição da Executiva estadual do partido é uma incógnita após pleito para o diretório terminar em empate. O estatuto da sigla não diz o que deve ser feito após um placar desse tipo

Publicado em 22 de Setembro de 2023 às 06:47

Públicado em 

22 set 2023 às 06:47
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Lelo Coimbra e Rose de Freitas na convenção estadual do MDB
Lelo Coimbra e Rose de Freitas na convenção estadual do MDB Crédito: Ednalva Andrade
A eleição do diretório estadual do MDB, nesta quinta-feira (21), mostrou, numérica e inequivocamente, que o partido está dividido no Espírito Santo. Entre 54 votos, 27 foram para a chapa encabeçada pela ex-senadora Rose de Freitas e outros 27 para a liderada pelo ex-deputado federal Lelo Coimbra.
Em até cinco dias, prazo estabelecido pelo estatuto do partido, deve haver alguma definição para a eleição da Executiva, órgão que, efetivamente, é a instância decisória da sigla. 
Desde março de 2021, esse poder foi conferido a um órgão provisório, presidido por Rose. A indicação foi feita pela Executiva nacional, capitaneada por Baleia Rossi (MDB), que vai ser consultado novamente.
O estatuto do partido não diz o que deve ser feito em caso de empate. Ou seja, o imbróglio sobre quem vai presidir a sigla no Espírito Santo continua.
A eleição desta quinta foi um retrato do MDB estadual nos últimos anos. Meio confusa, com discordâncias a respeito das regras a serem adotadas após o placar surpreendente, mas com uma tentativa de conciliação.
Em dado momento, Rose e Lelo deram as mãos. 
Rose afirmou no evento, ao microfone, que, por ser mais velha que Lelo — ela tem 74 anos de idade e ele, 69 —, a regra eleitoral daria a vitória à chapa dela. Mas que preferiu não usar tal prerrogativa e sim buscar "um entendimento" com o ex-deputado.
Lelo, em seguida, agradeceu a ex-senadora "por abrir mão da prerrogativa". No que Rose pegou o microfone de volta para corrigi-lo: "Não abri mão de nada".
Por fim, como a coluna conferiu, o estatuto do MDB não prevê esse critério de desempate. Apenas diz, no artigo 31, que "as reuniões dos Diretórios para a eleição das Comissões Executivas serão presididas por seu membro titular mais idoso".
Isso quer dizer que o membro mais velho das duas chapas deve presidir a reunião que vai eleger a Executiva estadual. Esse integrante é José Maria Pimenta, de 76 anos.
Já quem deve ficar com a presidência do MDB no Espírito Santo é uma resposta que o estatuto não contempla. É uma decisão política que parece difícil. 
Lelo poderia ser o presidente e Rose, a vice? Ou vice-versa? "Tudo é possível", afirmou Lelo. Rose foi mais refratária à ideia de não encabeçar o partido, mas depois decidiu parafrasear o ex-deputado: "Tudo é possível".
Ela tenta contemporizar e apaziguar os ânimos. Pelo resultado do pleito para o diretório, está claro que quem tentar se impor vai enfrentar uma resistência significativa, afinal, metade dos delegados (os que têm direito a voto) preferem o outro, ou outra.
O DESAFIO
O MDB é o partido com mais filiados no Espírito Santo e tem relevância pelas fatias dos fundos partidário e eleitoral às quais tem direito. Além do tempo de propaganda de TV e rádio.
Mas, desde 2018, com a saída do então governador Paulo Hartung, a sigla vive disputas internas no estado e perdeu representatividade. 
Não tem deputado estadual nem federal. Com a derrota de Rose em 2022, não tem ninguém no Senado. E, o que é chocante, nem vereador nas principais cidades da Grande Vitória tem.
Em um ano pré-eleitoral, seja lá quem for o responsável por passar a comandar o partido vai ter o desafio de reerguer a legenda em um momento crucial.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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