O
prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), parece ter se inspirado em trechos dos livros do Novo Testamento. Nos Evangelhos, as escrituras dizem que o apóstolo Pedro iria negar por três vezes Jesus Cristo antes de haver a Paixão de Cristo. Dito e feito.
Mais de 2 mil anos depois, o chefe do Executivo da Capital se ausenta (nega?) por três vezes seguidas a participar de encontros com o
governo do Estado e os prefeitos capixabas, cujo objetivo era discutir as ações dos municípios ao longo da quarentena, que começa nesta quinta-feira e vai até o dia 31.
A primeira negativa/omissão,
de acordo com o colunista Vitor Vogas, aconteceu no último sábado (13), quando o republicano foi o único a não estar presente na reunião on-line com os prefeitos da Grande Vitória, para começar a discutir a adoção de medidas mais rigorosas, em termos de mobilidade social, para o combate à pandemia de Covid-19
Na segunda-feira (15), houve mais uma ausência e sem qualquer tipo de justificativa e/ou presença de representante da Prefeitura de Vitória. Nesta quarta-feira (17), a história se repetiu, provocando um grande mal-estar, já que o colega de partido de Pazolini,
o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, participou, na última terça-feira (16), da coletiva que marcou a divulgação das medidas que serão implementadas na quarentena. E de uma forma bem entusiástica, dando total apoio às medidas de restrição.
Para completar o ruído com o Palácio Anchieta, fonte da alta cúpula confidenciou à coluna que, nesta quarta, o próprio governador ligou pessoalmente para Pazolini, mas não houve resposta e nenhuma justificativa de falta, como nas ocasiões anteriores. Aliás, outra fonte palaciana revela que o governador tem enfrentado dificuldades para conseguir contato com o prefeito da Capital.
As reações, ainda que indiretas, foram duras. No encontro desta quarta-feira (17),
o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), Rodrigo Chamoun, vociferou que “no Estado do Espírito Santo não haverá espaço para prefeito negacionista, para prefeito sabotador”. Casagrande manteve a elegância e citou que gostaria de dar a palavra ao ausente, mas que o republicano não estava lá.
Em suas redes sociais, Pazolini não fez qualquer menção ao encontro dos gestores da Grande Vitória, mas citou a queda do número de mortes na Capital por Covid. Um silêncio em formato de oposição. A coluna perguntou por duas vezes o motivo da ausência. A pergunta foi lida no WhatsApp e ignorada.
Secretário muito próximo ao governador Casagrande interpreta desta forma a ausência de Pazolini em reuniões tão importantes e decisivas para o Estado: “É atitude política. Quer passar [pelo período da quarentena] sem desgaste”.