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É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

Quarentena e o preço que estamos pagando por não vivermos um novo normal

Se por um lado estamos lidando com um governo negacionista, por outro precisamos assumir nossa incapacidade de suportar o distanciamento e de seguir protocolos

Publicado em 18/03/2021 às 02h00
Atualizado em 18/03/2021 às 02h01
Pessoa usando máscara na pandemia
erá que daremos conta de ficar 14 dias em casa? Sem festinhas? Sem encontrar pessoas?. Crédito: Freepik

Hoje (18) amanhecemos em quarentena de novo. Me lembro que no ano passado, nessa mesma época, estávamos sonhando que a pandemia nos levaria a sermos diferentes, mais humanos, mais sensíveis, que seríamos, de alguma forma, levados a um novo normal (inclusive, acredito que esse termo tenha sido um dos mais ditos no decorrer de 2020).

Pois bem, passou-se um ano, a pandemia perdurou, e cá estamos nós pagando o preço de não ter conseguido sobreviver a um novo estilo de vida. Se por um lado estamos lidando com um governo negacionista, por outro precisamos assumir nossa incapacidade de suportar o distanciamento, de deixar de se encontrar e de seguir protocolos. Pois, entre negacionistas e relaxados, impera a quarentena.

A partir de hoje, as portas dos comércios serão fechadas na narrativa de conter circulação. Igrejas terão cultos suspensos para evitar circulação, e assim vai. Precisou de uma lei para nos frear. E será que ela dará conta? Será que daremos conta de ficar 14 dias em casa? Sem festinhas? Sem encontrar pessoas? Será? Essas são as perguntas que nos tocam! Urge a necessidade de medidas restritivas e precisamos de empatia para com elas. Mas, será que vamos dar conta?

Hoje, há muitos grupos que protestam contra o governo, outros contra grupos x e y, quando, se fôssemos olhar, seriamos nós mesmos que deveríamos protestar contra nós e nossas atitudes. A pandemia vem escancarando que duas coisas são capazes de nos salvar: o nosso comportamento e a vacina. Enquanto a vacina não chega, precisamos nos imunizar de conscientização e não de negacionismo; precisamos nos imunizar de respeito, e não de desdém; precisamos nos imunizar de sensibilidade, e não de indiferença.

Hoje, ter o melhor plano de saúde não salva vidas; ter a maior fortuna do mundo, não compra uma vaga de UTI. A pandemia escancarou que as nossas atitudes são o maior valor que o mundo possui. Assim, quando somos pobres de atitudes, padecemos e fazemos outros padecerem.

O preço que vamos pagar nesses 14 dias tende a ser um preço alto, e as consequências são das nossas próprias insanidades. Não seria preciso que Casagrande editasse um decreto com tantas medidas se nós mesmos, dentro de nossas casas e em nossas famílias, já tivéssemos os nossos próprios protocolos; se não tivéssemos lotado praias e nem ido curtir carnaval; se tivéssemos tido mais consciência com as eleições e com candidatos intransigentes.

A conta chegou! Relaxamos e agora estamos sendo levados ao cantinho do pensamento. Ver UTIs lotadas, uma população de mortos e outros tantos infectados, ver gente sendo asfixiada por um vírus... Tudo por que não demos conta de um novo normal. Eu ouvi esses dias, num podcast, a frase: “se tem uma coisa que nós não somos capazes é de aprender com a História”. Hoje, eu adapto: “se tem uma coisa em que estamos nos mostrando deficitários é aprender com a pandemia”. Mas ela é uma professora rígida e vai cobrar aprendizado até o último momento. Feliz de quem sair dela menos analfabeto!

*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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