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Leonel Ximenes

“Paixão de Cristo” provoca crise e reação de igreja em cidade do ES

Pelo segundo ano consecutivo, peça bíblica não será encenada na Semana Santa

Publicado em 04 de Março de 2026 às 03:11

Públicado em 

04 mar 2026 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Encenação da Paixão de Cristo em Viana
Encenação da Paixão de Cristo em Viana Crédito: Grupo Teatral Vianense (GTV)
Ele veio pregar a paz no mundo, mas em Viana Jesus Cristo está sendo motivo de conflito (a culpa não é d’Ele, que fique bem entendido). É que, pelo segundo ano consecutivo, o grupo teatral da cidade anunciou o cancelamento do “Auto da Paixão de Cristo” na Semana Santa, provocando uma troca de acusações nos bastidores.
A crise cresceu tanto, principalmente nas redes sociais, que a Paróquia Nossa Senhora da Conceição resolveu vir a público se manifestar e anunciar que não vai apoiar neste ano o Grupo Teatral Vianense (GTV), responsável pela encenação da peça bíblica.
Segundo a nota de esclarecimento da paróquia, assinada pelos padres Zaelton Costa (pároco e administrador paroquial) e Marwin Amaral (vigário paroquial), a igreja não vai mais “emprestar” seu CNPJ para o GTV encenar a “Paixão de Cristo”, em virtude de “comentários inverídicos” envolvendo a paróquia, responsabilizada por algumas pessoas de ser a responsável pela não encenação da peça.
A nota de esclarecimento da Paróquia Nossa Senhora da Conceição
A nota de esclarecimento da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Crédito: Instagram
“Considerando que o CNPJ do Grupo Teatral Vianense encontrava-se bloqueado (por motivos que fogem ao nosso conhecimento) no ano de 2022, o presidente do GTV procurou o padre e explicou a situação, sendo que naquele ano a paróquia aceitou emprestar eu CNPJ para a obtenção do patrocínio via Prefeitura Municipal de Viana, sob o compromisso de que a diretoria do referido grupo teatral promovesse a regularização de sua situação burocrática”, diz trecho da nota da igreja.
Segundo a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, a situação persistiu de 2023 a 2024, período em que a igreja alega que resolveu manter a parceria considerando a importância da encenação da peça cristã para a comunidade vianense.
Os padres reclamam, a seguir, que a paróquia foi difamada nas redes sociais, “injustamente”, e por isso resolveu não emprestar mais seu CNPJ ao grupo teatral.
“Nossa paróquia não é contra a encenação da Paixão de Cristo. Pelo contrário, continua cedendo a colina da Igreja Matriz para a realização do espetáculo. Nosso posicionamento se deu por questões meramente burocráticas”, alegou a paróquia católica.

A NOTA DO GRUPO TEATRAL

Embora não tenha apontado “culpados” pelo cancelamento da Paixão de Cristo, pelo segundo ano consecutivo, o Grupo Teatral Vianense, em nota, diz que não conseguiu superar as dificuldades que surgiram para viabilizar a peça teatral.
A nota do GTV anunciando que não encenará a Paixão de Cristo
A nota do GTV anunciando que não encenará a Paixão de Cristo Crédito: Instagram
“Sabemos da importância cultural e espiritual desse momento para todos nós. A decisão foi tomada com responsabilidade, diante de desafios logísticos e financeiros que fogem ao nosso controle. Seguimos firmes no propósito de evangelizar com arte, certos de que essa pausa será estratégica para voltarmos ainda mais fortes nos próximos anos”, diz o GTV, fundado há quase 40 anos.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Procurada pela coluna, a Prefeitura de Viana manifestou-se em nota: "A Prefeitura de Viana reconhece a importância da manifestação do patrimônio cultural imaterial que é o Auto da Paixão, que tem uma história de décadas na cidade. Entretanto, devido à falta de documentação regularizada, o Grupo Teatral não pode obter e também prestar contas sobre a obtenção de recursos públicos".

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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