Sem nenhuma dúvida quase todo trabalhador brasileiro já viveu a seguinte situação: chegada de chefe novo na firma. Profissional bem recomendado, com credenciais interessantes e cheio de vontade de mostrar serviço. Empolgado, promove várias mudanças para dar seu toque ao setor, mudar a maneira como alguns procedimentos são realizados e quer provar a todos que vai dar conta do recado. Já vivenciou essa circunstância? Pois é exatamente
o momento de Domènec Torrent no Flamengo.
Ao decidir poupar Rafinha e Arrascaeta, que ao que tudo indica não tinham condições de jogar 100% do tempo, Dome “inventou moda”. Improvisou Rodrigo Caio na lateral direita e destruiu o setor defensivo. A improvisação foi o primeiro erro. O segundo foi escalar dois zagueiros completamente desentrosados: Léo Pereira e Gustavo Henrique. Essa construção acabou se tornando vital no primeiro gol do Atlético-GO. Ferrareis solto pelo lado esquerdo do ataque, cruza rasteiro para Hyuri, entre os dois zagueiros só empurrar para as redes.
Para o lugar de Arrascaeta, Domènec apostou em Vitinho, um atacante com características diferentes do uruguaio.A escolha ruim somada a fraca atuação de Éverton Ribeiro deixou o Flamengo ficou sem criação ofensiva. Tanto é que o Rubro-Negro finalizou pela primeira vez só aos 32 minutos do primeiro tempo, quando o jogo já estava 2 a 0 para o Dragão, o que estava barato àquela altura da partida.
Na segunda etapa, o treinador catalão tentou corrigir os erros. O time melhorou. Porém, não contava com a precisão cirúrgica do Atlético-GO para matar o placar com um lindo gol de Ferrareis. Uma derrota vergonhosa, e que certamente deixa o clima pesado. Mas ainda não é cenário de terra arrasada. Há potencial de sobra para apresentar uma melhora considerável, mas Dome pode ser menos afobado. O Flamengo já vem de um trabalho encaminhado, não precisa radicalizar para obter resultados. Basta começar com o simples e depois fazer os ajustes.
Tenho que deixar claro aqui que Domènec, apesar de responsável, não é o único culpado. Vários jogadores tiveram atuações abaixo da média. Entre eles Gabigol, que perdeu as poucas chances preciosas criadas pela equipe.
No mais, o Dragão, que não disputava a
Série A do Campeonato Brasileiro há três temporadas e não tinha nada a ver com as lambanças adversárias, fez muito bem o seu papel. Aproveitou as falhas do Flamengo e foi letal para liquidar a fatura. Méritos do técnico Vagner Mancini, que soube identificar o mapa da mina.