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Futebol

Passagem de Jorge Jesus pelo Flamengo deixa lição para técnicos brasileiros

O estilo de jogo arrojado que sempre priorizou o ataque, não só foi campeão, como também encantou. Uma escola para treinadores, que mesmo com bons elencos, optam por ficar na zona de conforto

Publicado em 19 de Julho de 2020 às 07:00

Públicado em 

19 jul 2020 às 07:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Jorge Jesus, técnico do Flamengo
No Flamengo, Jorge Jesus sempre cobrou posse de bola e agressividade dos jogadores Crédito: Alexandre Vidal/Flamengo
Títulos do Brasileirão e da Libertadores, 43 vitórias, dez empates, quatro derrotas e 129 gols marcados. Esses são alguns dos feitos que marcaram a trajetória de pouco mais de um ano do técnico Jorge Jesus no Flamengo. História que ganhou um ponto final na última sexta-feira (17), e que mais do que a saudade no coração dos torcedores rubro-negros, deixa também uma lição para muitos técnicos brasileiros.
O estilo de jogo arrojado que sempre priorizou o ataque, não só foi campeão, como também encantou. Missão muito difícil no futebol atual. Não há torcedor rival capaz de falar que o Flamengo de Jorge Jesus não será lembrado por muito tempo. Um time que passou por cima dos adversários. Uma combinação perfeita de aplicação tática, talento individual e sede de vencer.
Nos últimos anos, nos habituamos a ver no futebol brasileiro equipes que abriam o placar e depois se fechavam para garantir a vitória. Uma postura covarde muitas vezes eficiente, mas incapaz de explorar o melhor que o esporte oferece. Eficaz para alcançar os três pontos, porém pobre em recursos. Entretanto, como bons torcedores que somos, muitas vezes o resultado positivo é o que interessa, e pouco importa a forma como ele é conquistado.
O Mister está longe de ter reinventado a roda no futebol, mas certamente implementou um trabalho como há tempos não presenciávamos por aqui. Não teve medo de definir uma proposta de jogo ofensivo e acreditar nela. Não somente ele, como também seus jogadores, que corriam em busca do gol enquanto a bola estivesse rolando.
É claro que o Flamengo ofereceu um elenco qualificado ao treinador, mas seu sucesso não pode ser minimizado à apenas isso. Quantas vezes já vimos times brasileiros montarem um plantel de dar inveja aos rivais e o resultado ser decepcionante? O próprio Abel Braga, que teve quase esse mesmo Flamengo (sem Rafinha e Felipe Luís), mas deixava Arrascaeta no banco, Bruno Henrique atuando centralizado e não conseguia extrair o melhor dos jogadores. A mudança de mentalidade imposta pelo Mister foi fundamental para o sucesso rubro-negro.
Fica o exemplo. É sempre bom ter ideias novas girando ao redor, tanto para os novos quanto para os medalhões. É lógico que há potencial por aqui, mas existe também um ar de superioridade de que técnicos brasileiros não precisam de ajuda do exterior para entender o que é futebol. Que haja sempre humildade em aprender.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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