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Jornalista de A Gazeta há 10 anos, está à frente da editoria de Esportes desde 2016. Como colunista, traz os bastidores e as análises dos principais acontecimentos esportivos no Espírito Santo e no Brasil

Técnicos no Brasil vão ter que conviver com o fantasma de Jorge Jesus

Vanderlei Luxemburgo e Renato Gaúcho não podem ter uma oportunidade de falar futebol que alfinetam o Mister. Por que tanto incômodo?

Publicado em 11/08/2020 às 06h00
Atualizado em 11/08/2020 às 06h00
Luxemburgo e Renato Gaúcho não perdem uma chance de alfinetar Jorge Jesus
Luxemburgo e Renato Gaúcho não perdem uma chance de alfinetar Jorge Jesus. Crédito: Cersar Greco/Palmeiras e Lucas Uebel/Grêmio

Jorge Jesus nem está mais no Brasil, mas parece que seu fantasma ficou no país porque seu nome não sai da boca dos treinadores brasileiros.  Há mais de uma semana, o técnico português acertou sua ida para o Benfica, onde inclusive já comanda os treinos, porém ainda é assunto por aqui quando o assunto é futebol

Entre os que mais gostam de citá-lo estão Vanderlei Luxemburgo, técnico do Palmeiras, e Renato Gaúcho, comandante do Grêmio. Após a conquista do título paulista no último sábado (08) sobre o Corinthians, Luxa fez questão de lembrar do Mister. 

"A única coisa que eu questiono é que tenhamos de mudar nossas características porque o futebol na Europa é mais rápido. Vamos com calma. Somos pentacampeões do mundo jogando em cima da nossa cultura. Claro que temos de aprender, fazer cursos. Mas não é mudar nossa essência pentacampeã do mundo, 11 vezes campeã do mundial interclubes e que tem toda uma história sem treinador estrangeiro. Temos de mudar agora por que o Jesus veio aqui e ganhou uma Libertadores? Aí temos de mudar porque o futebol é mais rápido?", declarou. 

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O fato de um técnico estrangeiro ter vindo ao Brasil e ter conquistado títulos importantes incomoda. Mais do que ganhar, seu time encantou, o que o Palmeiras campeão paulista esteve muito longe de fazer. Mesmo com elenco qualificado, joga um futebol limitado. Quem pode fazer a diferença nesse contexto é o técnico, mas Luxa não tem feito. Por isso a conquista da taça vira o desabafo de quem precisa se afirmar.  Luxa tem uma carreira recheada de títulos. Não precisa desse "show", mas hoje não consegue tirar algo novo de um time que tem muito a oferecer. Não é opinião, é um fato.

Mesmo campeão, Jorge Jesus tem futuro indefinido no Flamengo
Jorge Jesus foi campeão carioca com o Flamengo e decidiu mudar de ares. Crédito: Alexandre Vidal/Flamengo

Renato Gaúcho, outro que sempre trocou farpas com Jorge Jesus, recentemente reclamou até de uma suposta ligação do agora treinador do Benfica para Everton Cebolinha, recém-contratado pelo clube português. Renato afirma que o Mister tentou fazer a cabeça do jogador para que ele não entrasse em campo na decisão do segundo turno do Campeonato Gaúcho. Jorge Jesus respondeu o brasileiro. 

"É claro que ele não morre de amores por mim. Jogamos quatro jogos, não perdeu todos, mas perdeu três. Mas faz parte da vida dos treinadores", limitou-se o ex-treinador do Flamengo. Se Jorge Jesus ligou para Everton, não saberemos o teor da conversa. Não tem nada demais conversar com seu futuro jogador, como também não é ético pedir para que ele não entre em campo em seu último jogo pelo antigo clube. Mas pelo histórico, o que fica para quem vê a situação de fora é a eterna birra de treinadores brasileiros com técnico estrangeiro de sucesso.  

É preciso entender que as comparações serão inevitáveis. Não tem jeito. Luxa, Renato Gaúcho e todos os outros estarão sujeitos às avaliações. Fardo que ficará pesado também para Domènec Torrent, substituto do Mister no Flamengo, que já perdeu em sua estreia. Os técnicos que mostrem trabalho e respondam com eficiência dentro de campo. Caso contrário, o fantasma de Jorge Jesus vai assombrá-los por muito mais tempo.

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