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Black Lives Matter

Novos casos de racismo no futebol provam que luta deve ser diária e constante

Marinho, atacante do Santos, e Gelson, volante do Remo, foram alvos de discriminação racial. Black Lives Matter não pode ser uma onda passageira. Combate ao preconceito é necessário

Publicado em 04 de Agosto de 2020 às 06:00

Públicado em 

04 ago 2020 às 06:00
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Marinho, atacante do Santos, e Gelson, volante do Remo, sofreram com o racismo nos últimos dias
Marinho, atacante do Santos, e Gelson, volante do Remo, sofreram com o racismo nos últimos dias Crédito: Reprodução/Instagram e Samara Miranda/Ascom Clube do Remo
Embalado pelo movimento Black Lives Matter, que provoca impacto significativo no combate ao racismo nos Estados Unidos, o Brasil viu crescer nas redes sociais manifestações contra o preconceito. Mas por aqui ainda temos muito discurso e pouca prática. Nos últimos dias, mais dois episódios lamentáveis aconteceram no futebol brasileiro e mostraram que a luta precisa se perpetuar para que as pessoas aprendam a respeitar os negros.
Neste domingo (02), o volante Gelson, do Remo, foi alvo de um comentário racista de um “torcedor”. Ao criticar a atuação do jogador, o rapaz comentou: “Tirar esse preto macaco do Gelson”. O profissional de futebol está sujeito às críticas do torcedor, o que é do jogo. Mas é inaceitável que isso ocorra com o uso de adjetivos pejorativos de cunho racial. Um ato vergonhoso, que infelizmente grande parte da população brasileira se sente à vontade para vociferar por onde passa sem se importar com o outro. O Remo se manifestou nas redes sociais e afirma que não medirá esforços para identificar o torcedor.
E isso não aconteceu recentemente apenas com Gelson. Na última quinta-feira (30), o atacante Marinho, do Santos, sofreu com o racismo em uma análise do comentarista Fabio Benedetti, da rádio Energia 97. Durante os comentários no intervalo após o primeiro tempo, o comentarista foi questionado sobre o que diria ao atacante do Santos em um suposto grupo de Whatsapp que eles fizessem parte. "Eu vou falar assim: 'Você é burro, você está na senzala, você vai sair do grupo uma semana para pensar sobre o que você fez.'”
Na partida em questão, contra a Ponte Preta, Marinho estava sendo criticado por ter sido expulso e ter complicado a vida do Santos no jogo decisivo. O atacante deixou o braço para trás e acertou o rival. O juiz aplicou o segundo amarelo e consequentemente o cartão vermelho. Marinho poderia sim ser criticado pela sua imprudência no jogo, mas jamais pela cor da sua pele.
O racismo está tão entranhado na sociedade que ao criticar um jogador negro, o comentarista - que sim, pensou em ofendê-lo - disparou uma relação com senzala, que remete à escravidão, a ver o outro em uma posição de inferioridade. Uma postura abominável, que, por enquanto, resultou no afastamento do profissional de suas atividades. Um episódio lamentável.
O racismo no futebol é mais um retrato de um país onde a discriminação se faz presente em todas as esferas. O comentário racista pode vir da arquibancada, do microfone de um profissional que deveria fazer o seu trabalho ou de qualquer outro canto. Os dois casos citados nesta coluna são dois em meio a milhares que a população negra sofre todos os dias no Brasil.
São por acontecimentos como esse que o movimento Black Lives Matter precisa ser constante. Não pode ser só mais uma onda passageira no mundo virtual, precisa chegar ao mundo real. O combate ao racismo tem que ser diário. A luta é necessária e precisa continuar.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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