O cenário já não era bom, mas o mês de janeiro acendeu, com ainda mais força, um enorme sinal de alerta em cima de uma agroindústria que é para lá de relevante para a economia capixaba: a do café solúvel. Na comparação com o mesmo mês de 2025, as vendas totais de café (arábica, conilon e solúvel) para fora encolheram 25%. A queda do solúvel, sozinha, foi de 52% quando levado em consideração o volume. Quando olhamos para a receita (a valorização do real em cima do dólar conta bastante), a queda é de 61% Os dados foram compilados pelo Centro do Comércio de Café de Vitória.
O tarifaço norte-americano em cima dos produtos brasileiros - o café solúvel não foi isentado e segue pagando 40%, muito acima dos concorrentes - é a parte mais relevante do problema, afinal, os Estados Unidos eram os maiores compradores da produção nacional, mas não explica tudo. O solúvel brasileiro paga mais para entrar em outros mercados, como o europeu, do que concorrentes de peso como o Vietnã, tornando mais difícil a busca por diversificação de mercados. Além disso, olhando mais para a questão atual, os preços do conilon estiveram altos se comparados ao mercado internacional e o conilon é a matéria-prima base do café solúvel, o que também impactou bastante o negócio.
O fato é que o Espírito Santo abriga algumas das maiores plantas de solúvel do país - Ofi (Linhares), Cacique (Linhares) e Realcafé (Viana) - e o cenário, principalmente o da falta de novidades em relação ao tarifaço dos Estados Unidos, é cada vez mais incômodo. Uma nova rodada de negociações, envolvendo os governos e empresários de Brasil e Estados Unidos, se dará em março. A torcida (e cobrança) é por boas novidades.
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