Já estamos na metade de fevereiro e, por ora, a solução de alguns dos maiores entraves da infraestrutura capixaba - renovação do contrato da Ferrovia Centro Atlântica (que faz a ligação dos portos do Estado com o Brasil Central), viabilização da ferrovia até o Rio de Janeiro e as obras de ampliação e modernização da BR 262 - segue em compasso de espera. Claro que os status das negociações e dos encaminhamentos dentro da burocracia variam, mas ainda não há capítulo final em nenhuma das novelas. A expectativa é de uma clareada no cenário, em todas as frentes, ainda nos primeiros seis meses de 2026.
A previsão original para a 262 era de que a primeira parte do projeto executivo, que compreende a Região Serrana do Espírito Santo, fosse concluída em janeiro. Reportagem de A Gazeta, assinada pelo repórter Vinicius Zagoto, mostrou, em 27 de janeiro, um projeto avançado, mas ainda não acabado. Sobre a licitação que definirá a empresa ou consórcio que tocará as obras, ninguém crava uma data. Outra interrogação reside nos recursos para financiar o projeto, que deve ficar na casa dos R$ 8 bilhões. O governo do Estado separou R$ 2,3 bi dos recursos recebidos como reparação pela tragédia de Mariana para a 262, os outros R$ 6 bi terão de vir do orçamento geral da União e de emendas parlamentares (principal aposta).
Sobre a FCA (Ferrovia Centro Atlântica), o processo de renovação com a atual concessionária, a VLI Logística, depois de muita negociação e estudos (está andando desde 2018), passou, no começo do ano, pelo Ministério dos Transportes, está na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e deve chegar ao Tribunal de Contas da União (TCU) até março. Como o contrato atual termina em julho, um aditivo será feito. Não há data exata para a conclusão dos trâmites burocráticos. Técnicos do Ministério dos Transportes disseram que os mais de R$ 30 bi que serão investidos ao longo dos próximos 30 anos irão mais para infraestrutura permanente (atendendo a uma reclamação feita também pelo governo do Espírito Santo lá atrás) do que para material rodante. A FCA faz a conexão de importantes regiões industriais e do agro do Brasil Central com o litoral. A estrutura chega aos portos capixabas por meio da Estrada de Ferro Vitória-Minas, em uma conexão feita na Grande Belo Horizonte. O grande pleito do Estado é a construção do contorno ferroviário de BH, o que, no argumento capixaba, daria mais velocidade e produtividade ao Corredor Leste da FCA, que deságua nos portos do Espírito Santo. Um estudo de viabilidade técnica e econômica está em curso para que a decisão de investimento seja tomada.
Por fim, a Estrada de Ferro 118, que ligará o Espírito Santo (Santa Leopoldina) ao Rio de Janeiro (Nova Iguaçu). A estrutura de 575 quilômetros, pelo litoral e conectando vários portos, está entre os projetos anunciados pelo governo federal que irão a leilão (para uma concessão à iniciativa privada) em 2026. A previsão é que o processo se dê até junho, mas não tem nada marcado. Trata-se de um investimento de mais de R$ 4 bilhões, que só sairá do papel com a entrada de recursos públicos e privados.. O projeto chama a atenção de investidores estrangeiros.
O ano é curto (de Copa do Mundo e eleições) e as demandas do Estado são grandes (e não podem esperar mais...). A ver onde tudo isso vai dar.
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