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Inquérito apura ameaças de incendiar plenário do STF e de matar ministros

Supremo Tribunal Federal já enviou à primeira instância 72 investigações, que se tornaram inquéritos policiais

Publicado em 29/05/2020 às 08h38
Ministro do STF Alexandre de Moraes
Ministro do STF Alexandre de Moraes é o relator do chamado inquérito das fake news. Crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF

A operação deflagrada na última quarta-feira (27) é apenas mais uma de diferentes investigações realizadas em 14 meses dentro do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF). Chamado de "inquérito das fake news", ele também apura ameaças e denunciação caluniosa.

Já foram enviados à primeira instância 72 inquéritos policiais que investigam, entre outros crimes, a ameaça de incendiar o plenário do Supremo e de matar ministros com tiros à queima-roupa. As informações são do Jornal Nacional, da TV Globo.

Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, empresários e influenciadores digitais bolsonaristas foram alvos da Polícia Federal, em cumprimento a mandados de busca e apreensão. Ninguém foi preso. Uma das apoiadoras do presidente da República, Sara Winter, chegou a postar um vídeo, após a operação, ameaçando Moraes. Ela lidera um acampamento de bolsonaristas em que há armas de fogo.

A apuração identificou ofensas e agressões que caracterizam crimes contra a honra, a integridade física e a vida dos ministros, além de crimes contra a Lei de Segurança Nacional praticados contra o Poder Judiciário.

Entre os fatos mais graves em apuração e que não têm relação com a operação de quarta estão:

- a ameaça de morte feita pela internet a ministro do STF, com identificação do autor, que afirmou a intenção de dar um tiro nas costas do ministro, na própria sede do Supremo. Essa ameaça foi estendida a um dos irmãos do ministro;

- uma postagem feita em rede social que continha uma ameaça de atirar em um ministro do STF e, em seguida, nas costas e à queima-roupa, em todos os ministros da Corte. O mesmo suspeito em outra postagem no Facebook sugere jogar combustível e tocar fogo no plenário do STF, quando os ministros ali estivessem reunidos;

- o arremesso de um artefato explosivo, que explodiu na calçada, por um suspeito em um veículo ainda não identificado, em frente à casa de um dos ministros. Este atentado foi gravado pela câmera de segurança;

- uma tentativa de agressão física a um ministro do STF na saída de uma palestra numa faculdade de São Paulo por um agressor que foi posteriormente preso por descumprir medidas restritivas impostas pela Justiça;

- mensagens encontradas na Deep Web, uma área da internet obscura e formada por sites e fóruns utilizados para fugir de mecanismos de busca e assim atuar no anonimato, contendo ameaças feitas por uma célula terrorista denominada UR-MV, que afirmou ter contatos e membros em cidades e estados nos quais os ministros costumam transitar, para realizar atentados contra a vida e segurança deles. Este grupo mostrou ter dados e informações concretas sobre os ministros;

- mensagens encontradas na Deep Web sobre o planejamento para a realização de atentado contra a vida de um ministro do STF em um aeroporto. Nas mensagens, constavam dados detalhados sobre o ministro e seus familiares, além de seus roteiros e horários de voos para a realização do atentado;

- ameaças contra um ministro do STF e seus familiares por indivíduos que invadiram a conta de e-mail pessoal de um de seus familiares, se apropriando de dados pessoais e outras informações privadas;

- e um ataque cibernético no e-mail institucional de um dos ministros do STF, com ameaças graves, inclusive com o envio de dados pessoais e localização de seus familiares.

A operação de quarta é mais uma investigação deste inquérito que visa a apurar mensagens com ameaças e ofensas aos ministros, a pregação do fechamento do Supremo Tribunal Federal e pedidos para intervenção militar, além do financiamento para que essas mensagens fossem difundidas em larga escala.

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