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Defesa

Após ataques de Bolsonaro, deputados se solidarizam com Maia

Após demitir ministro da Saúde, Bolsonaro disse que a atuação de Maia é 'péssima' e insinuou que o parlamentar trama contra o seu governo

Publicado em 17 de Abril de 2020 às 08:28

Redação de A Gazeta

Publicado em 

17 abr 2020 às 08:28
Rodrigo Maia
Rodrigo Maia Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Deputados de partidos de centro, direita e esquerda saíram em defesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Parlamento após declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, na noite desta quinta-feira (16).
Após demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro disse, em entrevista à CNN Brasil, que a atuação de Maia é "péssima" e insinuou que o parlamentar trama contra o seu governo. Em resposta, o presidente da Câmara afirmou que não vai atacar Bolsonaro.
"Nós lamentamos profundamente mais um pronunciamento equivocado do Presidente da República. Nós não aceitamos as palavras que ele dirigiu ao senhor (Maia). Nós somos testemunhas do esforço que tem feito para construir acordos na Casa e fazer com que o Poder Legislativo possa desempenhar o seu papel de contribuir para o País neste momento de grande dificuldade", afirmou o líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ).
"Quero discordar veemente das palavras do presidente Jair Bolsonaro, ao falar contra o Maia. Ele não falou contra o presidente da Câmara, ele falou contra o Congresso", disse o deputado Paulo Guedes (PT-MG). "Nós não podemos aqui ceder a essas provocações do Presidente da República, embora ele merecesse ouvir algumas verdades mais duras de Maia", afirmou Wolney Queiroz (PDT-PE).
O deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da reforma da Previdência, também saiu em defesa do Parlamento. "Nós não queremos carinho, nós não queremos elogios, nós queremos fazer o certo. Nós entendemos que estamos fazendo o certo e precisamos que ele (Bolsonaro) compreenda isso, porque o único adversário que temos neste momento se chama coronavírus", disse.
O líder do Novo, Paulo Ganime (RJ), também fez críticas à postura do presidente e pediu o fim da polarização. "Cabe à população avaliar e julgar o nosso trabalho. Não cabe ao presidente da República trazer uma polarização ainda maior, principalmente, em um momento como esse de crise quando Brasil precisa se unir", disse Ganime.
"O parlamento tem de ser grande, altivo e atender a população brasileira. Não a governos", disse o líder do Podemos, Léo Moraes (RO).
Na entrevista, o presidente Bolsonaro disse que há um sentimento de que Maia não quer amenizar os problemas. "Ele quer atacar o governo federal, enfiar a faca. Parece que a intenção é me tirar do governo. Quero crer que esteja equivocado", disse Bolsonaro.
Maia reagiu às críticas, também em entrevista à CNN Brasil: "O presidente ataca com um velho truque da política, com a demissão ele quer mudar o tema", afirmou Maia, que disse não ter intenção de prejudicar o governo. "O presidente não vai ter ataques (de minha parte). Ele joga pedras e o Parlamento vai jogar flores", completou.

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