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É vice-governador do Estado do Espírito Santo

Mais que uma missão na China, um projeto de futuro para o Espírito Santo

Há alguns anos, o Governo do Espírito Santo vem adotando uma postura ativa e consistente no relacionamento com a China e com empresas chinesas, combinando diplomacia econômica, promoção institucional e atração de investimentos

  • Ricardo Ferraço É vice-governador do Estado do Espírito Santo
Publicado em 24/01/2026 às 05h00

Nossa recente viagem à China, a convite da montadora Great Wall Motors (GWM), teve resultados promissores. Além das diversas atividades realizadas, a assinatura do Memorando de Intenções entre a empresa e o Governo do Estado representou uma vitória do Espírito Santo na disputa com outros estados do país pela atração de um investimento estratégico. Na última atividade da missão, fomos recebidos por Jack Wey, fundador e chairman da montadora.

Atualmente, a GWM possui uma fábrica no Brasil, em Iracemápolis, no estado de São Paulo, com capacidade de produção de até 50 mil veículos por ano. A empresa manifesta interesse em produzir entre 250 mil e 300 mil unidades no país, o que indica a necessidade de uma nova instalação industrial. Nesse cenário, o Espírito Santo desponta como destino do megaempreendimento.

O fundador da GWM, Jack Wey, o vice-governador Ricardo Ferraço e ao fundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume
O fundador da GWM, Jack Wey, o vice-governador Ricardo Ferraço e ao fundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume. Crédito: Divulgação

No entanto, essa viagem deve ser compreendida para além das atividades realizadas e dos resultados imediatos obtidos. Ela se insere em um movimento mais amplo, liderado pelo Governo do Estado, voltado para um novo salto na economia capixaba, com foco na atração de empresas de alta qualidade, na diversificação do parque produtivo, na ampliação do comércio exterior e na consolidação do Espírito Santo como um importante hub logístico na relação comercial com outros estados e com o mercado internacional.

Há alguns anos, o Governo do Espírito Santo vem adotando uma postura ativa e consistente no relacionamento com a China e com empresas chinesas, combinando diplomacia econômica, promoção institucional e atração de investimentos. Esse esforço se expressa tanto em missões oficiais ao país asiático quanto na recepção recorrente de delegações empresariais e diplomáticas chinesas no estado, com agendas estruturadas em setores estratégicos como logística, agronegócio, indústria, energia e mobilidade.

Em 2024, estivemos na China com uma delegação conjunta com o setor empresarial capixaba, com o objetivo de apresentar as vantagens competitivas do Espírito Santo, em especial a oferta de mão de obra qualificada para o setor automotivo elétrico.

A China tornou-se, em poucos anos, o principal polo mundial de veículos eletrificados. Atualmente, responde por mais de 60 por cento da produção global de carros elétricos e domina etapas estratégicas da cadeia, como baterias e sistemas de propulsão. Esse protagonismo reorganizou fluxos de comércio e investimentos e criou oportunidades para regiões capazes de oferecer logística eficiente, estabilidade institucional e ambiente favorável aos negócios.

Há um esforço direcionado para atração de empresas e investimentos de alta qualidade. O trabalho de adensamento das cadeias produtivas e de verticalização da indústria é um modelo que estamos consolidando em diversos setores estratégicos e tradicionais. A aproximação de etapas do processo industrial contribui para a otimização produtiva e para o aumento da competitividade. Esse movimento já é perceptível nos setores de celulose e papel, rochas naturais, café e siderurgia.

Um exemplo emblemático recente é o anúncio de investimentos da ordem de R$ 4 bilhões pela ArcelorMittal em Tubarão. O projeto inclui a implantação de uma unidade de Laminador de Tiras a Frio (LTF) e abre caminho para a verticalização da cadeia produtiva do aço no Espírito Santo.

Ainda sem a nova unidade, o aço produzido pela empresa é enviado para ser beneficiado em Santa Catarina para atender indústrias da linha branca, setor automotivo e construção civil. A partir da implantação do LTF, esse aço mais nobre, essencial para produção de eletrodomésticos e veículos, passará a ser produzido aqui na Serra, abrindo oportunidade para atração de mais indústrias dos respectivos setores para nosso estado.

Outro exemplo de adensamento da cadeia constatamos recentemente com a inauguração da fábrica de papel tissue na Suzano, em Aracruz, onde imposto acumulado virou investimento. Parceria estratégica do poder público e iniciativa privada para destinar R$ 650 milhões numa indústria com capacidade para produzir 60 mil toneladas por ano, completando a cadeia de produção da empresa, dos plantios florestais ao produto final, como os papéis higiênicos. O montante faz parte de um pacote de R$ 1,17 bilhão concluído em 2025, incluindo outros R$ 520 milhões para uma moderna caldeira de biomassa.

Somam-se a esse cenário iniciativas estruturantes como o Parklog/ES e a Zona de Processamento de Exportações (ZPE) de Aracruz. Localizados em uma região com acesso portuário multimodal, rodoviário, aéreo e ferroviário, esses ativos oferecem condições diferenciadas para a instalação de grandes empreendimentos industriais em dez municípios, com regimes aduaneiros e fiscais voltados à competitividade internacional.

A atração de empresas de qualidade significa a geração de empregos de maior valor agregado e a ampliação das oportunidades de aumento da renda média dos capixabas. Esses efeitos se manifestam tanto nos empregos diretos quanto ao longo das cadeias de fornecimento e na prestação de serviços, beneficiando empreendedores e a população de forma mais ampla.

Essa atuação do Governo do Espírito Santo também se insere em uma estratégia de enfrentamento dos desafios futuros da reforma tributária. Para isso, é fundamental priorizar investimentos em indústrias de maior valor agregado, como os setores automotivo, metalmecânico, papel e alimentos industrializados, fortalecer ativos estruturantes como parques industriais, ZPEs e áreas logísticas integradas, além de atrair projetos âncoras capazes de gerar encadeamentos produtivos locais.

A viagem à China não foi apenas mais uma missão. Ela integra um projeto de futuro para o nosso Espírito Santo.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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