É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

GWM: o ES no radar da nova indústria automotiva

O impacto esperado vai além do chão de fábrica. A planta automobilística que se projeta para o ES estará voltada à produção de veículos elétricos e híbridos, com exigências tecnológicas que vão desde engenharia de automação até ciência da computação

Publicado em 21/01/2026 às 03h30

A consolidação do Espírito Santo como território atrativo para investimentos de grande porte ganhou um impulso singular com o anúncio de um dos mais expressivos projetos industriais das últimas décadas. A assinatura do termo de compromisso que deve trazer a montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) ao Estado representa mais do que a instalação de uma fábrica de automóveis, simboliza a entrada capixaba numa economia de tecnologia sustentável, cadeias produtivas sofisticadas e empregos qualificados.

O anúncio oficial, conduzido pelo vice-governador Ricardo Ferraço em missão na China e pelo governador Renato Casagrande, insere o Espírito Santo num outro patamar de atração industrial. Embora os números finais de empregos ainda dependam da definição de etapas de implementação e obras, experiências comparáveis demonstram que empreendimentos dessa envergadura geram milhares de vagas diretas e indiretas, tanto na construção quanto na operação, um resultado que se multiplica e se espalha por diversos níveis de qualificação profissional.

O impacto esperado transcende a mera ocupação de vagas no chão de fábrica. A planta automobilística que se projeta para o Estado estará voltada à produção de veículos elétricos e híbridos, com exigências tecnológicas que vão desde engenharia de automação até ciência da computação.

Serão demandadas formações de diversos níveis, com destaque para o técnico e graduação. Isso significa salários mais elevados, formação profissional especializada e conexão com demandas globais por mobilidade sustentável. A presença de tecnologia como automação e inteligência artificial, além de sistemas de informação integrados, antecipa uma transformação na estrutura produtiva local, capaz de atrair fornecedores e fomentar clusteres de inovação.

Esse movimento se soma a um panorama já em construção no Espírito Santo, pois o Estado hoje abriga duas montadoras tradicionais em São Mateus, a Agrale e a Marcopolo, que, com investimentos recentes, aumentaram capacidade e diversificaram a produção, sinalizando a ampliação de um território industrial cada vez mais competitivo.

Imagem interna de uma das fábricas da GWM
Imagem interna de uma das fábricas da GWM. Crédito: Divulgação | GWM

A análise estratégica não pode ignorar a dimensão logística e de ambiente de negócios que favoreceu essa conquista. A infraestrutura portuária capixaba, a logística integrada e um ambiente de negócios atrativo e pujante posicionaram o Espírito Santo como opção viável frente à concorrência de outras unidades da Federação.

Para qualificar a mão de obra de forma adequada é preciso assegurar políticas públicas consistentes e integrar as instituições de ensino, públicas e privadas, para que a oferta de profissionais acompanhe a demanda por trabalho. Esse é o ponto em que se joga o futuro não apenas de uma indústria, mas de uma base produtiva que pode remodelar e expandir, no médio e longo prazo, o perfil econômico e social do Espírito Santo.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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