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Obras ampliam e modernizam aeroportos regionais do ES

Obras ampliam e modernizam aeroportos regionais do ES

Investimentos realizados em aeroportos de Norte a Sul do ES podem beneficiar, principalmente, o agronegócio e o turismo

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 10:01

No total, o Estado investiu cerca de R$ 45 milhões, equivalente a 70% do valor do empreendimento
Aeroporto de Linhares tem infraestrutura para receber voos regulares  Crédito: Geraldo Campos Jr.

Estratégicos por encurtar distâncias com rapidez, os aeroportos regionais têm potencial de impulsionar a economia local, onde estão instalados, e fortalecer setores, como o agronegócio e o turismo, de negócios e de lazer.

Além do Aeroporto de Vitória, situado na Capital do Espírito Santo, a infraestrutura aeroportuária capixaba conta com outros seis terminais públicos, localizados em Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Guarapari, Colatina, São Mateus e Baixo Guandu.

A maioria opera somente voos de aviação executiva, particular, táxi aéreo e aeromédico. O único aeroporto regional com voos comerciais regulares é o de Linhares, que foi modernizado para receber aeronaves maiores e, desde 2023, passou a disponibilizar a rota para Confins (MG).

O vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Franco Fiorot, destaca que o aeroporto é estratégico para o Norte do Espírito Santo, em especial para os setores do agronegócio e da indústria. “Estamos em negociações para ampliar os voos, já que a estrutura comporta aeronaves maiores. O objetivo é fortalecer a logística regional e atrair novos investimentos e negócios”, adianta.

Enquanto isso, outras cidades do interior capixaba se preparam para alcançar esse patamar. O aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, por exemplo, está em obras de reforma e ampliação. O prefeito Theodorico Ferraço detalha que o investimento de cerca de R$ 77 milhões no Aeroporto Raimundo de Andrade é destinado a melhorias na pista, no terminal de passageiros, no pátio de aeronaves e na infraestrutura de apoio. De acordo com ele, isso vai permitir uma ampliação dos voos comerciais regulares e de transporte executivo, de cargas e de caráter emergencial.

“Esse projeto promete diversificar a economia do Sul capixaba, aumentando a competitividade da indústria local — em especial a de rochas ornamentais — e atraindo investimentos para tornar o município uma referência regional em conectividade”, analisa.

Além disso, o projeto do Aeroporto das Montanhas Capixabas está sendo desenhado para atender à Região Serrana, caracterizada pelo forte potencial turístico e produtivo, reforçando os esforços de integração regional no Espírito Santo.

Na avaliação de Fábio Damasceno, secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, a aviação regional é fundamental para impulsionar novas dinâmicas econômicas. “Ao modernizar os aeroportos e planejar novas estruturas, criam-se condições para que empresas aéreas se instalem, novas rotas se consolidem, e o Espírito Santo se torne um polo logístico regional, com integração entre os modais rodoviário, portuário e aéreo”, observa.

Conexão entre regiões

A aviação regional também é estratégica para a atividade turística. É o que defende José Antônio Bof Buffon, secretário-executivo da Câmara Empresarial de Turismo, órgão ligado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES). “Com a viabilização de voos comerciais regulares, eleva-se a capilaridade da região no contexto dos destinos nacionais, descentraliza-se o fluxo turístico e amplia-se a permanência média dos visitantes, gerando efeitos diretos sobre os setores de hospedagem, gastronomia, agroindústria, comércio e serviços”, analisa.

Segundo ele, Guarapari, Linhares, Venda Nova, Pedra Azul, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim são exemplos de cidades com vocações turísticas e industriais que podem ser fortalecidas por meio de maior conectividade aérea. “Dessa forma, elas passariam a atrair investimentos e empreendimentos que demandam mobilidade executiva e logística eficiente. Na região das montanhas capixabas, o impacto positivo sobre o turismo e o mercado imobiliário tende a ser ainda mais expressivo”, pontua Buffon.

O subsecretário de Estado de Gestão e Marketing Turístico da Secretaria de Turismo (Setur), Luciano Manoel Machado, enfatiza que o fortalecimento da malha aérea regional reforça a conectividade entre os municípios, estimula o turismo interno e movimenta cadeias produtivas como hotelaria, gastronomia, agroturismo, cultura e artesanato.

Outro ponto destacado por ele é que o aumento da oferta de voos regionais facilita o deslocamento de turistas e empresários, gerando novas oportunidades de negócios, trabalho e renda para os capixabas. “A prioridade agora é consolidar as rotas nacionais e regionais, garantindo sustentabilidade econômica e operacional para atrair novas frequências”, afirma.

Para tornar o Espírito Santo ainda mais competitivo como destino turístico, Luciano acrescenta, ainda, que o governo do Estado oferece incentivos à aviação comercial e promove ações de qualificação profissional — em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e a Escola de Serviço Público do Espírito Santo (Esesp) — voltadas ao atendimento e à hospitalidade.

Agro em voo alto

Os aeroportos regionais abrem oportunidades também para as cooperativas, especialmente as do agronegócio. O diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, destaca que a maior conectividade aérea agiliza o transporte de produtos perecíveis, amplia o acesso a mercados nacionais e internacionais e facilita a participação em eventos de negócios.

“A aviação regional é uma solução logística eficiente para produtos de alto valor agregado, como cafés especiais, laticínios, frutas e pescados. Essa alternativa contribui para reduzir perdas, otimizar prazos e abrir novas possibilidades de comercialização, especialmente em nichos de mercado que valorizam a agilidade e a rastreabilidade”, explica.

Carlos André ainda lembra que a maioria das cooperativas capixabas do agro está no interior. “A interiorização aeroportuária também favorece um contato mais ágil com a Região Metropolitana, estimulando investimentos e facilitando o escoamento da produção, promovendo, assim, uma maior integração entre os polos produtivos do Estado”, comenta.

O que falta para decolar

O terminal de Baixo Guandu encontra-se interditado. Já os terminais de Guarapari, Colatina e São Mateus estão destinados a aviação executiva apenas.

Na visão dos entrevistados, os principais desafios para acelerar a interiorização da malha aérea envolvem a escala de demanda, o custo operacional das companhias aéreas e a adequação da infraestrutura aeroportuária para a integração modal.

O governo do Estado informou que realiza análises em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e empresas do setor para avaliar a viabilidade operacional e econômica dos aeroportos regionais. Esses levantamentos indicam uma demanda potencial crescente para voos corporativos, turísticos e logísticos, especialmente nas regiões Norte e Sul. “A estruturação de novas rotas depende da viabilidade comercial das operações, mas estamos comprometidos em criar as condições necessárias para sua implantação”, garante Fábio Damasceno.

As companhias aéreas que atuam no Estado também contam com redução da carga tributária sobre o querosene de aviação. Por meio de um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa em 2024, o ICMS sobre as operações do combustível de aviação, cuja alíquota modal era de 17%, passou a ser de 12%, 9% ou 7%, conforme o desempenho das empresas no aumento da oferta de assentos e de voos regulares com origem no Estado.

O cenário atual mostra que o Espírito Santo vive um novo momento na aviação regional. A sinergia entre poder público, setor empresarial e sociedade civil é essencial para executar o planejamento estratégico da malha aérea do interior, que inclui também uma integração modal, com investimentos em rodovias, portos, ferrovias e mobilidade urbana.

SITUAÇÃO DOS AEROPORTOS REGIONAIS

  • Além do Aeroporto de Vitória, situado na Capital do Espírito Santo, a infraestrutura aeroportuária capixaba regional conta com outros seis terminais públicos, localizados em Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Guarapari, Colatina, São Mateus e Baixo Guandu. Também está sendo projetada a construção de uma estrutura em Venda Nova do Imigrante, o Aeroporto das Montanhas. Confira as características de cada empreendimento, desafios e potenciais, segundo análise do Conselho Temático de Infraestrutura e Energia (Coinfra) da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

  • Para o Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, o governo do Espírito Santo contratou a reforma e a expansão, num investimento de R$ 76,52 milhões. As obras incluem ampliação do pátio de aeronaves e do terminal de passageiros destinado à aviação executiva e construção de novo terminal para a aviação comercial. O projeto deve ser concluído no primeiro semestre de 2026. O Espírito Santo é um grande importador de aeronaves e essa melhoria pode criar uma base de nacionalização de aviões e helicópteros, além de atender ao turismo, empresários e público em geral da região.

  • O Aeroporto de Linhares iniciou operações com voos regulares para Belo Horizonte (MG) em dezembro de 2023, após reforma patrocinada em conjunto pelos governos federal, estadual e municipal. Sua denominação é Aeroporto Municipal de Linhares. Sua pista de 1.860m x 45m com cobertura asfáltica tem capacidade para receber jatos comerciais do tipo Boeing 757-200. Tem condições de atender à crescente demanda de cargas da economia da região.

  • O Aeroporto de Guarapari tem uma pista asfaltada com 1.190m de comprimento por 30m de largura e tem operação diurna e noturna por aproximação visual. Já teve operação de voos comerciais. Deverá ter o terminal de passageiros reformado e receber novos aparelhos para atender à demanda turística da região.

  • Aeroporto de Baixo Guandu tem pista asfaltada com 1.200m de comprimento por 30m de largura e operação diurna por aproximação visual. Atualmente, está interditado. O terminal de passageiros deverá ser reformado e ampliado, eliminando condições insatisfatórias de manutenção e segurança de voo. Proposta é atender à região que tem forte ligação com o leste de Minas.

  • Os aeroportos de São Mateus e Colatina não têm, atualmente, previsões de reforma ou melhoria.

  • O Aeroporto das Montanhas deve ser erguido às margens da rodovia ES 447 e próximo à BR 262, em Venda Nova do Imigrante, região de Alto Caxixe. A proposta é que receba voos com até 50 passageiros. O principal objetivo do novo terminal é impulsionar o turismo e facilitar a logística de produtos.

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