Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 10:01
Estratégicos por encurtar distâncias com rapidez, os aeroportos regionais têm potencial de impulsionar a economia local, onde estão instalados, e fortalecer setores, como o agronegócio e o turismo, de negócios e de lazer. >
Além do Aeroporto de Vitória, situado na Capital do Espírito Santo, a infraestrutura aeroportuária capixaba conta com outros seis terminais públicos, localizados em Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Guarapari, Colatina, São Mateus e Baixo Guandu. >
A maioria opera somente voos de aviação executiva, particular, táxi aéreo e aeromédico. O único aeroporto regional com voos comerciais regulares é o de Linhares, que foi modernizado para receber aeronaves maiores e, desde 2023, passou a disponibilizar a rota para Confins (MG). >
O vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Franco Fiorot, destaca que o aeroporto é estratégico para o Norte do Espírito Santo, em especial para os setores do agronegócio e da indústria. “Estamos em negociações para ampliar os voos, já que a estrutura comporta aeronaves maiores. O objetivo é fortalecer a logística regional e atrair novos investimentos e negócios”, adianta.>
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Enquanto isso, outras cidades do interior capixaba se preparam para alcançar esse patamar. O aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, por exemplo, está em obras de reforma e ampliação. O prefeito Theodorico Ferraço detalha que o investimento de cerca de R$ 77 milhões no Aeroporto Raimundo de Andrade é destinado a melhorias na pista, no terminal de passageiros, no pátio de aeronaves e na infraestrutura de apoio. De acordo com ele, isso vai permitir uma ampliação dos voos comerciais regulares e de transporte executivo, de cargas e de caráter emergencial. >
“Esse projeto promete diversificar a economia do Sul capixaba, aumentando a competitividade da indústria local — em especial a de rochas ornamentais — e atraindo investimentos para tornar o município uma referência regional em conectividade”, analisa.>
Além disso, o projeto do Aeroporto das Montanhas Capixabas está sendo desenhado para atender à Região Serrana, caracterizada pelo forte potencial turístico e produtivo, reforçando os esforços de integração regional no Espírito Santo.>
Na avaliação de Fábio Damasceno, secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, a aviação regional é fundamental para impulsionar novas dinâmicas econômicas. “Ao modernizar os aeroportos e planejar novas estruturas, criam-se condições para que empresas aéreas se instalem, novas rotas se consolidem, e o Espírito Santo se torne um polo logístico regional, com integração entre os modais rodoviário, portuário e aéreo”, observa.>
A aviação regional também é estratégica para a atividade turística. É o que defende José Antônio Bof Buffon, secretário-executivo da Câmara Empresarial de Turismo, órgão ligado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES). “Com a viabilização de voos comerciais regulares, eleva-se a capilaridade da região no contexto dos destinos nacionais, descentraliza-se o fluxo turístico e amplia-se a permanência média dos visitantes, gerando efeitos diretos sobre os setores de hospedagem, gastronomia, agroindústria, comércio e serviços”, analisa.>
Segundo ele, Guarapari, Linhares, Venda Nova, Pedra Azul, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim são exemplos de cidades com vocações turísticas e industriais que podem ser fortalecidas por meio de maior conectividade aérea. “Dessa forma, elas passariam a atrair investimentos e empreendimentos que demandam mobilidade executiva e logística eficiente. Na região das montanhas capixabas, o impacto positivo sobre o turismo e o mercado imobiliário tende a ser ainda mais expressivo”, pontua Buffon.>
O subsecretário de Estado de Gestão e Marketing Turístico da Secretaria de Turismo (Setur), Luciano Manoel Machado, enfatiza que o fortalecimento da malha aérea regional reforça a conectividade entre os municípios, estimula o turismo interno e movimenta cadeias produtivas como hotelaria, gastronomia, agroturismo, cultura e artesanato. >
Outro ponto destacado por ele é que o aumento da oferta de voos regionais facilita o deslocamento de turistas e empresários, gerando novas oportunidades de negócios, trabalho e renda para os capixabas. “A prioridade agora é consolidar as rotas nacionais e regionais, garantindo sustentabilidade econômica e operacional para atrair novas frequências”, afirma.>
Para tornar o Espírito Santo ainda mais competitivo como destino turístico, Luciano acrescenta, ainda, que o governo do Estado oferece incentivos à aviação comercial e promove ações de qualificação profissional — em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e a Escola de Serviço Público do Espírito Santo (Esesp) — voltadas ao atendimento e à hospitalidade.>
Os aeroportos regionais abrem oportunidades também para as cooperativas, especialmente as do agronegócio. O diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, destaca que a maior conectividade aérea agiliza o transporte de produtos perecíveis, amplia o acesso a mercados nacionais e internacionais e facilita a participação em eventos de negócios.>
“A aviação regional é uma solução logística eficiente para produtos de alto valor agregado, como cafés especiais, laticínios, frutas e pescados. Essa alternativa contribui para reduzir perdas, otimizar prazos e abrir novas possibilidades de comercialização, especialmente em nichos de mercado que valorizam a agilidade e a rastreabilidade”, explica.>
Carlos André ainda lembra que a maioria das cooperativas capixabas do agro está no interior. “A interiorização aeroportuária também favorece um contato mais ágil com a Região Metropolitana, estimulando investimentos e facilitando o escoamento da produção, promovendo, assim, uma maior integração entre os polos produtivos do Estado”, comenta.>
O terminal de Baixo Guandu encontra-se interditado. Já os terminais de Guarapari, Colatina e São Mateus estão destinados a aviação executiva apenas. >
Na visão dos entrevistados, os principais desafios para acelerar a interiorização da malha aérea envolvem a escala de demanda, o custo operacional das companhias aéreas e a adequação da infraestrutura aeroportuária para a integração modal. >
O governo do Estado informou que realiza análises em conjunto com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e empresas do setor para avaliar a viabilidade operacional e econômica dos aeroportos regionais. Esses levantamentos indicam uma demanda potencial crescente para voos corporativos, turísticos e logísticos, especialmente nas regiões Norte e Sul. “A estruturação de novas rotas depende da viabilidade comercial das operações, mas estamos comprometidos em criar as condições necessárias para sua implantação”, garante Fábio Damasceno. >
As companhias aéreas que atuam no Estado também contam com redução da carga tributária sobre o querosene de aviação. Por meio de um projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa em 2024, o ICMS sobre as operações do combustível de aviação, cuja alíquota modal era de 17%, passou a ser de 12%, 9% ou 7%, conforme o desempenho das empresas no aumento da oferta de assentos e de voos regulares com origem no Estado.>
O cenário atual mostra que o Espírito Santo vive um novo momento na aviação regional. A sinergia entre poder público, setor empresarial e sociedade civil é essencial para executar o planejamento estratégico da malha aérea do interior, que inclui também uma integração modal, com investimentos em rodovias, portos, ferrovias e mobilidade urbana.>
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