Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 11:09
Mesmo com um aeroporto bem equipado e uma localização estratégica entre os principais eixos econômicos do país, o Espírito Santo vê boa parte das mercadorias destinadas ao Estado desembarcar em outros complexos, e especialistas acreditam que, sem investimentos consistentes em infraestrutura, a economia local continuará vendo suas oportunidades aterrissarem em outras pistas. >
Celso Guerra, subsecretário de Estado de Desenvolvimento, reconhece que o Aeroporto de Vitória enfrenta limitações físicas, mas argumenta que há espaço para crescer em nichos de alto valor agregado. Para isso, “o Estado precisa continuar investindo em melhorias e integração modal. Não adianta ter um ótimo aeroporto se o transporte terrestre não for eficiente.”>
Ricardo Gesse, CEO da Zurich Airport Brasil, destaca a demanda reprimida por transporte de cargas domésticas e internacionais e explica que o novo terminal da Azul Cargo já começou a atender a parte dessa necessidade. Ainda assim, a maioria das mercadorias com destino ao Espírito Santo passa por São Paulo antes de chegarem a Vitória. “Elas poderiam ser transportadas diretamente para cá em voos cargueiros, o que reduziria o lead time (tempo de entrega)”, pontua.>
O executivo salienta que o local já dispõe de estrutura alfandegada completa e áreas específicas para cargas perecíveis, radioativas e inflamáveis. Mesmo assim, a movimentação continua restrita: as importações se concentram em eletrônicos, e as exportações, em frutas, pescado e gengibre. Na sua visão, o modal aéreo permanece subutilizado justamente nos segmentos que mais poderiam se beneficiar dele.>
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O transporte aéreo é decisivo para agregar valor às exportações capixabas, mas a limitação de voos cargueiros regulares e a baixa integração logística travam o crescimento econômico, na avaliação de Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES. “As cooperativas, especialmente as do agro, enfrentam dificuldades para atender a demandas que exigem rapidez e previsibilidade, por falta de infraestrutura adequada para cargas refrigeradas ou de maior valor agregado”, observa.>
Dados do Anuário do Cooperativismo Capixaba 2024 mostram que cerca de 489 mil sacas de café foram exportadas diretamente do Espírito Santo. Schiavo pondera que o transporte aéreo poderia abrir novos mercados, sobretudo na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, onde tempo e a qualidade são determinantes para o preço final do produto.>
Os reflexos da baixa conectividade também atingem o turismo de negócios. Alfonso Silva, presidente do Sindicato de Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos em Geral do Espírito Santo (Sindiprom-ES), afirma que a pouca frequência de voos e a obrigatoriedade de conexões elevam custos, reduzindo o interesse de expositores e visitantes pelo Estado. “Organizadores priorizam destinos com melhor conectividade aérea e infraestrutura hoteleira”, complementa.>
Ele enxerga que a dependência do transporte rodoviário na montagem e movimentação de cargas também aumenta prazos e custos. “Eventos estratégicos, que poderiam gerar emprego, renda e visibilidade para o Estado, são realizados em outras capitais com estrutura mais consolidada.”>
A integração eficiente entre o Aeroporto de Vitória e o modal portuário desponta como um dos principais caminhos para destravar a logística capixaba. Essa conexão poderia reduzir custos e aumentar a competitividade capixaba no comércio exterior. “O aeroporto tem potencial de atuar de forma complementar, focando o transporte de cargas de alto valor e urgência, enquanto os portos lidam com volumes maiores e menos sensíveis ao tempo. Essa sinergia fortaleceria toda a cadeia logística do Estado”, aponta Gesse.>
O consenso entre os especialistas é que o Espírito Santo reúne condições para se consolidar como um polo estratégico de carga aérea, mas ainda falta coordenação entre os setores público e privado para que o Estado aproveite plenamente seu potencial logístico. >
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