ASSINE

Após ofensas, vice-governadora do ES entra com ação na Justiça

Jacqueline Moraes registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil e queixa-crime na Justiça por publicação com conteúdo ofensivo

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 19/05/2022 às 20h51
Vice-governadora Jacqueline Moraes fala sobre os desafios da liderança feminina
A vice-governadora Jacqueline Moraes é alvo de ataques desde a época da campanha. Crédito: Secom-ES/Divulgação

Ainda durante a campanha para o governo do Estado, a vice-governadora Jacqueline Moraes (PSB) já ouvia questionamentos sobre sua capacidade para ocupar a posição que passaria a exercer em 2019. Desde então, precisou lidar com comentários pouco elogiosos e dúvidas sobre ter ou não competência para o cargo.

Nesta semana, mais uma vez a socialista se tornou alvo em uma publicação que tentava desqualificar sua atuação e foi chamada, entre outros termos pejorativos, de "vira-lata". Em resposta, Jacqueline entrou com ação na Justiça por violência política de gênero. 

"Desde a escolha do meu nome para vice, sofri ataques. Diziam: 'essa mulher não tem competência', ou 'o governador não vai poder pegar uma gripe'. Ouvi muito isso na campanha. E agora, faltando pouco mais de 200 dias para terminar o mandato,  ainda sofro ataques e de uma maneira muito baixa, que não afetou só a Jacqueline, mas também outras mulheres", ressalta. 

As ofensas direcionadas à Jacqueline foram à esteira de uma publicação que ela fez em defesa do governo do qual faz parte, após acusações do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), sobre suposta fraude em licitação na gestão estadual. Pazolini fez a declaração em um evento público no último sábado (14), disse ter provas, mas que até o momento não foram divulgadas. O próprio Executivo provocou o Ministério Público para cobrar do prefeito a comprovação das alegações. 

O conteúdo contra a vice-governadora a compara a um cachorro que abana o rabo para o dono, numa referência ao governador Renato Casagrande (PSB), e late para os adversários. 

Jacqueline Moraes

Vice-governadora do ES

"Foi um ataque muito baixo. Não afetou só a Jacqueline, mas outras mulheres também. O nível em que ele colocou, é como se uma mulher não pudesse se expressar, sua competência é julgada somente por ter se expressado"

A ação na Justiça, assim como o boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Cibernéticos, se baseia na Lei 14.192/21, que criou normas  para prevenir a violência política de gênero. Assim, tornou-se crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidatas, ou mulheres em exercício de mandato eletivo. A vice-governadora disse que também deverão ser considerados crimes contra a honra, como injúria e difamação. 

"Essa violência é uma tentativa de silenciar uma mulher no exercício do mandato. As falas são tão pejorativas que, de certo modo, pode, afastar outras mulheres da política. É uma violência porque ataca a minha honra, a minha história de ser, até agora, a única mulher eleita na história do Espírito Santo para o governo. Ao me atacar, atacam todas as mulheres de modo a afastá-las desse espaço", ressalta. 

Mesmo se sentindo violentada com os ataques, Jacqueline assegura que não vai se intimidar, nem se calar. A vice-governadora conta que, na contramão do discurso de ódio, recebeu muito apoio. Dentro e fora do governo. Várias manifestações por telefone, pessoalmente e em publicações nas redes sociais. Nesta quinta-feira (19), chamada a participar de uma reunião na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), recebeu homenagem e carinho dos servidores. 

"Ele ataca a mim, fere as pessoas que estão perto de mim, mas, de certa forma, indigna uma sociedade inteira. Ninguém como eu, que correu do 'rapa', armou barraca por 15 anos, que acordava às 5 horas e só chegava em casa tarde da noite, vai se calar. Minha vida é terra pisada, meu coração é chão batido, o que me emociona são as manifestações de sororidade que tenho recebido. As mulheres vão seguir avançando na política", declara Jacqueline. 

A vice-governadora também faz uma distinção do autor dos ataques, que tem um site na internet, do que é o jornalismo profissional. "Acredito que ele envergonhe a classe jornalística. O jornalismo sério, que eu valorizo muito, não ofende a honra das pessoas", conclui. 

Logo após os ataques, Jacqueline também divulgou uma nota. Confira:

Este vídeo pode te interessar

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.