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Quando escolher entre bike elétrica compartilhada, Transcol e carro por aplicativo

Quando escolher entre bike elétrica compartilhada, Transcol e carro por aplicativo

Segundo especialistas, a escolha ideal vai além de fatores econômicos e também deve passar por critérios de gestão do tempo e até mesmo de saúde física e mental

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 26 de dezembro de 2024 às 17:53

Na correria do dia a dia, em meio às atividades cotidianas de trabalho e estudo, por exemplo, escolher o meio de transporte ideal é crucial para ganhar tempo e também poupar dinheiro. O dilema para quem não tem veículo próprio passa pela escolha entre transporte coletivo público, bicicletas compartilhadas e carros por aplicativo ou até mesmo o deslocamento a pé, a depender da distância dos destinos e das necessidades individuais.

Mas, afinal, qual a escolha mais prática e mais barata na Grande Vitória? Na região, as opções coletivas incluem os sistemas Transcol e Aquaviário, os moradores também contam com bicicletas compartilhadas – incluindo as elétricas, novidade em Vila Velha – e carros por aplicativo

Variados meios de transporte podem facilitar a mobilidade nas grandes cidades
Bike elétrica, transporte coletivo e carro de aplicativo são opções de transporte na Grande Vitória Crédito: Divulgação (PMVV e GVBus) e Freepik

Segundo especialistas, a escolha ideal vai além de fatores econômicos, já que também deve passar por critérios de gestão do tempo e até mesmo de saúde física e mental.

“Nós temos ofertas de serviços que dão variadas possibilidades para o cidadão, aos diversos extratos de renda na sociedade, das pessoas de baixa renda até os de renda mais. Com isso, a escolha deve se enquadrar no que se encaixa melhor no orçamento”, diz o economista Ricardo Paixão.

De acordo com o especialista, o meio de transporte deve ser considerado como fator determinante para os gastos mensais da população, que deve colocar na balança a praticidade e o custo das opções, sem deixar de lado o que é mais confortável para o corpo e para o bolso.

“É importante salientar que a pessoa não precisa engessar essa decisão. Não precisa usar apenas o Transcol ou apenas carro de aplicativo, por exemplo. Devemos analisar as rotinas, planejar os dias e ver o que é mais prático para o bolso e para o tempo que temos disponível”, complementa Ricardo, frisando a importância da organização financeira para uma melhor gestão dos recursos.

Valor dos meios de transporte na Grande Vitória

Transcol e Aquaviário: R$ 4,70 em dias úteis / R$ 4,10 aos domingos
↳ sistema integrado permite o início da viagem no ônibus e nova viagem no barco apenas com o pagamento da primeira tarifa;

Bikes e patinetes elétricos em Vila Velha:
R$ 2 por ativação e R$ 0,25 por minuto utilizado

Bike Vitória: R$ 7,20 para o passe de 24h / R$ 16,20 para o plano mensal e R$ 108 para o plano anual
↳ no Bike Vitória, as viagens têm um limite de 75 minutos e o sistema conta com um intervalo de 10 minutos para novas retiradas nas estações; se excedido o limite, o modal cobra R$ 5 a cada 30 minutos extrapolados

Segundo Ricardo Paixão, quando são considerados os fatores de distância, custo do meio de transporte e tempo a ser percorrido, a conta é simples. Basta calcular o espaço entre o ponto de saída e o de chegada e, se possível, o tempo a ser gasto e o custo para utilizar o meio de transporte. Veja os exemplos abaixo:

  • Da Praia da Costa para a Praia de Itaparica, em Vila Velha, com uma bicicleta elétrica compartilhada, que chega aos 25 km/h, o tempo gasto é calculado em 19 minutos para cruzar cerca de 6 quilômetros. Então, nesse caso, o custo aproximado da viagem seria de R$ 6,75, sendo: R$ 0,25 por minuto utilizado (R$ 0,25 x 19 minutos = R$ 4,75) somados aos R$ 2 para ativação do modal.

  • Já utilizando um carro de aplicativo para o mesmo trecho, a viagem seria feita em aproximadamente 14 minutos e teria um custo estimado em mais de R$ 3 por quilômetro percorrido, considerando que, nos principais aplicativos de transporte, a viagem varia de R$ 16,90 a R$ 19,40.

  • De Transcol, o custo do quilômetro seria próximo aos R$ 0,78, considerando a viagem em um dia útil: R$ 4,70 (passagem) ÷ 6 quilômetros (distância). Entretanto, por ser um transporte coletivo, a viagem pode ter variações no tempo, por depender de paradas em pontos de embarque e desembarque que não têm tempo fixo para serem realizadas.

  • Já em outro exemplo, se o caminho fosse do Centro de Vitória para o Centro de Vila Velha (cerca de 10 quilômetros), de Transcol, o cálculo se basearia no preço da tarifa durante um dia útil (R$ 4,70), dividido pela quilometragem percorrida, chegando ao custo de R$ 0,47 por quilômetro.

  • Escolhendo um carro por aplicativo no mesmo trecho, saindo da Capital e indo para Vila Velha, segundo levantamento feito pela reportagem durante a manhã de quarta-feira (4), nos dois dos principais aplicativos de transporte, o valor por quilômetro seria de, aproximadamente, R$ 3,30, já que a viagem supera R$ 33.

    Vale salientar que o valor nos aplicativos é variável de acordo com o horário e as condições do trânsito no momento da solicitação. Por isso, o preço citado acima para os modais não é fixo, diferentemente dos ônibus coletivos e dos veículos compartilhados (bicicletas em Vitória e Vila Velha).

Ou seja, de acordo com o especialista e com as opções de mobilidade na Grande Vitória, a escolha das bikes elétricas e das comuns compartilhadas pode ser ideal para distâncias curtas (de 3 a 10km) em áreas urbanas, já que, nesses percursos, a viagem fica mais barata que a passagem do Transcol, permite a fuga do trânsito em horários de pico e ainda promove a prática de atividades físicas.

Na Capital, usando o Bike Vitória, o usuário pode, por exemplo, ativar o serviço em uma estação perto de casa para ir ao trabalho e reativar o modal na volta, mantendo o custo de R$ 7,20 por dia, abaixo dos R$ 9,40 pagos em duas passagens do Transcol. Essa opção, porém, depende da proximidade das estações dos pontos de saída e chegada do usuário.

Já a escolha do ônibus coletivo pode ser ideal em distâncias maiores, em que o custo da viagem com as bikes ou os carros de aplicativo pode acabar superando o que é pago a cada quilômetro em um trecho superior a 10 km, por exemplo. Por sua vez, o veículo de aplicativo pode ser uma opção para viagens mais confortáveis e que não podem depender de horários fixos dos coletivos, que, muitas vezes, limitam-se à saída de terminais e são mais lentos no trânsito das cidades.

"O cidadão precisa se programar para escolher um meio de transporte que seja confortável e econômico e atenda as suas demandas, sem deixar de pensar nas barreiras que pode enfrentar em um dia de chuva, por exemplo. Por isso, é importante se planejar já considerando um transporte alternativo"

Ricardo Paixão

Economista

Especialista em mobilidade urbana, Tarcísio Bahia faz conexão com as ideias de Ricardo Paixão e explica que quem tem uma renda maior pode optar pelos carros de aplicativo, ainda que enfrente engarrafamentos, ao mesmo tempo em que pessoas de renda menor buscam por opções mais econômicas.

“As opções têm crescido e isso é muito positivo. Entretanto, ainda há desafios para regulamentação e estrutura adequada para todos os modais de transporte. As cidades precisam se adaptar para uma mobilidade mais ativa e segura”, pondera Tarcísio.

O especialista salienta que, no âmbito das gestões municipais e estaduais, a prioridade deve ser voltada para os transportes de massa, como os ônibus coletivos, garantindo sistemas integrados e infraestrutura que seja mais atrativa do que cada vez mais carros travando as ruas.

No geral, como pontuam os especialistas, a escolha ideal depende do equilíbrio dos fatores de tempo e custo. Resumidamente, para um trajeto curto e sem pressa, a bike elétrica (ou a comum) pode ser a melhor opção. Para distâncias maiores em que o conforto é indispensável, o carro de aplicativo pode ser a alternativa. Por fim, se a ideia é economizar, havendo mais tempo disponível para realizar a viagem, o transporte coletivo pode ser o selecionado.

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