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Ibovespa tem 2° pior desempenho no mundo em 2021

Principal índice de ações da B3 registra queda de 14,4% no acumulado no ano até novembro, só não perdendo para a baixa registrada pela bolsa da Venezuela, de acordo com levantamento; entenda

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 03/12/2021 às 13h28

Principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, o Ibovespa registra baixa de 14,4% em 2021. É o segundo pior resultado no mundo, atrás apenas da bolsa do IBC da Venezuela (-99,5%), cujo país se encontra há anos num quadro de hiperinflação.

Os dados são de um levantamento feito pela agência classificação de risco Austin Rating, divulgado pelo g1. O estudo compara a variação de 79 índices internacionais em bolsas de 78 países no acumulado no ano, até o fim de novembro. Veja o ranking:

O mapeamento aponta que a bolsa brasileira tem caminhado na direção contrária da tendência global dos mercados acionários, onde apenas nove índices acumulam perdas no período. A mediana das variações das bolsas do mundo nos 11 primeiros meses do ano foi de uma alta de 13,6%.

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Movimentação da Bolsa de Valores: Ibovespa tem segundo pior desempenho no mundo em 2021. Crédito: Bruno Rocha/Agência O Globo/ Arquivo AG

O resultado do Ibovespa é reflexo de um cenário de grandes incertezas, que fez com que o otimismo difundido à medida em que a vacinação contra a Covid-19 avançava desse lugar à cautela.

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Desde o início do semestre, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2022 foram reduzidas à metade, e com a queda de 0,1% da economia brasileira no terceiro trimestre de 2021, o segundo recuo seguido no indicador frente ao trimestre imediatamente anterior, o Brasil entrou em uma recessão técnica.

Trata-se de uma tecnicalidade, considerando apenas o indicador, e que não leva em conta outras questões, como nível de emprego, produção industrial, entre outros. Ainda assim, as perspectivas estão longe de serem positivas, e analistas consideram que a economia brasileira foi forçada à sua “exaustão” e tende a estagnar.

Isso é refletido nas variações do Ibovespa, que, em seis meses, saiu de seu recorde nominal, na casa dos 130 mil pontos, para algo em torno de 100 mil.

Hoje, o país lida com inflação galopante, crescimento baixo e patamares elevados de desemprego, ainda que os indicadores do mercado de trabalho venham apresentando melhora gradual. Ao mesmo tempo, os estímulos à economia foram reduzidos, e as taxas de juros elevadas, dificultando tomar crédito e financiar novos projetos.

Na visão do especialista em renda variável da Valor Investimentos, Paulo Luives, trata-se de uma tempestade perfeita, em que um cenário já ruim é agravado por variáveis incomuns, transformando-se em uma situação caótica.

“Até meados de junho, a Bolsa brasileira estava batendo recordes históricos, de 130 mil pontos, mas as projeções macroeconômicas do país se deterioraram bastante. Tínhamos previsão de inflação em torno de 6%, 6,5%, e juros mais contidos também. Então tudo mudou. Essa questão dos precatórios acendeu um alerta, mas tivemos outros fatores, como a crise hídrica, o choque de ofertas no mundo inteiro, que puxou também a inflação.”

Ele observa que esses fatores prejudicaram bastante o cenário macroeconômico, e que com as consequentes revisões para cima da inflação, o Banco Central foi forçado a subir juros numa tentativa de conter a alta generalizada de preços.

Nesse cenário, o próprio mercado começa a reprecificar a bolsa, pois as empresas começam a lidar com aumento de custos, que ou implicará em repasse aos consumidores, ou em perda de margem de lucro. Também passam a ter maior dificuldade crédito. Não obstante, as dívidas, que antes eram corrigidas por taxas de juros mais baixas, crescem exponencialmente.

Paulo Luives

Especialista em renda variável da Valor Investimentos

"Diante dessa deterioração da economia, as projeções das companhias e os próprios preços das empresas [na Bolsa] foram sendo ajustados. Se a gente olha os últimos meses, muitas empresas tiveram bons resultados, mas a Bolsa olha para as perspectivas daqui a 12 meses, por exemplo, e as expectativas não são boas. O que houve foi uma revisão de expectativas muito atrelada ao nosso cenário macro"

O sócio-fundador da Pedra Azul Investimentos, Lélio Monteiro, reforça que, no momento, a Bolsa pode ser considerada barata em relação ao lucro das companhias, e que a conjuntura tem tornado os investidores mais cautelosos, tendo em vista as dúvidas em relação ao cenário político e econômico do país.

“Estamos em ano pré-eleitoral, não se sabe ainda o que vai acontecer. Historicamente, o ano de eleições presidenciais é um ano difícil para os mercados financeiros. As posições políticas atuais do governo também não tem agradado ao mercado, que precifica isso. E outro campo é a incerteza fiscal. O mercado precifica tudo isso. O Ibovespa está barato porque o mercado não está confiante para o futuro.”

Lélio Monteiro

Sócio-fundador da Pedra Azul Investimentos

"A economia começou a dar sinais de exaustão. A despeito das declarações de [Paulo] Guedes, entramos numa recessão técnica, parece que a economia está perdida, estagnada, a inflação alta, os juros elevados. Esse desarranjo da inflação com o dólar está deixando as pessoas mais retraídas. A parte de consumo interno tem caído muito, e o avanço das commodities não é suficiente para balancear"

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