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Publicado em 30 de novembro de 2021 às 16:08
O desemprego no Espírito Santo recuou pela quarta vez seguida e foi para 10% no terceiro trimestre de 2021, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta terça-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa é a menor desde o último trimestre de 2015, quando foi de 9,2%.>
Segundo especialistas, esse é um dos indícios de que o mercado de trabalho do Estado começa a sair da grave crise provocada pela pandemia do coronavírus. Com o avanço da vacinação e o controle parcial da doença, muitas atividades econômicas voltaram a funcionar, o que se refletiu no emprego. Contudo, o contexto do mercado de trabalho atual ainda preocupa. >
A taxa de desemprego é calculada sobre o número de pessoas na força de trabalho, isso significa que só são consideradas as pessoas empregadas ou que estão, de fato, procurando emprego. A economista Danielle Nascimento chama a atenção para o fato de que muitas pessoas ainda não voltaram a procurar emprego, o que pode estar contribuindo para a performance atual do indicador.>
"O que temos nesse período é que a taxa caiu de forma considerável e também tivemos movimento de pessoas que ainda não voltaram para o mercado de trabalho, desistiram de procurar, não estão atrás de trabalho. Nesse cálculo de desemprego só entra quem efetivamente está procurando", aponta.>
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Entre julho, agosto e setembro deste ano, haviam 214 mil pessoas desocupadas, 30 mil a menos do que o trimestre anterior e 81 mil a menos que no mesmo período do ano passado.>
Os dados do IBGE mostram crescimento de pessoas empregadas no setor privado, com ou sem carteira assinada. Porém, mostra também aumento nos trabalhadores informais e aqueles que trabalham por conta própria.>
"A população ocupada melhorou no que a gente quer, que é no emprego com carteira, mas melhorou em outras que a gente não quer muito, que é o trabalho informal e por conta própria. Essas pessoas não contribuem para previdência, não tem apoio da seguridade social e isso gera uma fragilidade no mercado de trabalho", aponta Danielle.>
Apesar da recuperação no emprego, o ganho médio teve queda de R$ 94 frente ao terceiro trimestre de 2020. Na comparação com o final de 2015, quando a taxa de desemprego estava parecida com a atual, a redução é ainda maior.>
Naquele período, o rendimento médio dos trabalhadores era de R$ 2.443, e atualmente é de R$ 2.375. Porém, considerando as perdas inflacionárias, a diferença é de 27%, o que significa que os trabalhadores atuais perderam quase um terço de poder de compra dos seus salários desde 2015. >
Apesar da redução no rendimento em comparação com o ano passado, a renda do trabalhador subiu no terceiro período deste ano em relação ao trimestre imediatamente anterior, passando de R$ 2.343 para R$ 2.375.>
"A queda da taxa de desemprego é importante, mas as pessoas não sentem tanto por conta da realidade da inflação. E a inflação alta, por mais que a pessoa tenha emprego, ela segue com sensação de perda do poder e compra", aponta o economista Eduardo Araújo.>
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