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Vitória Summit

“Caminhamos para uma eleição com economia fragilizada”, diz Armínio Fraga

Ex-presidente do Banco Central destacou “combinação perversa” de inflação em dois dígitos com recessão e preocupação com cenário fiscal, durante participação em painel do Vitória Summit. Ele pondera, entretanto, que país "ainda tem jeito"

Publicado em 24 de Novembro de 2021 às 16:42

Caroline Freitas

Publicado em 

24 nov 2021 às 16:42
Evento Vitória Summit, realizado pela Rede Gazeta
Armínio Fraga em painel do Vitória Summit, organizado pela Rede Gazeta Crédito: Vitor Jubini
O país caminha para um ano de eleições com economia fragilizada e um cenário de muita incerteza para investidores e para a população geral. Foi esta a avaliação feita pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, durante participação em painel do Vitória Summit - Encontro de Lideranças 2021, evento organizado pela Rede Gazeta, nesta quarta-feira (24). Ele pondera, entretanto, que o país ainda não alcançou um ponto em que não há retorno e que pode crescer, caso decida fazer diferente.
Fraga fez um breve retrospecto da conjuntura econômica brasileira nas últimas décadas, destacando que o desempenho do país, apesar dos avanços desde a criação do Plano Real, foi, no máximo modesto, sendo que, desde 2014, a situação vem se agravando criticamente, contribuindo para queda na confiança dos investidores, aumento do desemprego e redução na renda média da população.
“Apesar de momentos vitoriosos e grandes avanços em nossa economia nos últimos 30 anos, sobretudo a partir do Plano Real, quando olhamos o resultado final, eu diria que foi modesto. Muita coisa boa aconteceu, mas o fato é que o país cresceu pouco e infelizmente, durante esse período, seguiu com uma 'rotina' de crises econômico-financeiras que prejudicam o bom funcionamento da economia.”
"A confiança começou a colapsar. E isso é uma fonte de muito sofrimento, de desemprego, de subemprego, de queda de renda e inflação. Essa é uma outra situação que, em muitos países, não aparece com tanta clareza, mas que nós no Brasil conhecemos bem: inflação e recessão. Claro que a pandemia teve um impacto tremendo também. Mas o Brasil, infelizmente, no que diz respeito à pandemia, sobretudo a atuação do governo federal, deixou muito a desejar"
Armínio Fraga - Ex-presidente do Banco Central
Hoje, Fraga observa, o país enfrenta uma “combinação extremamente perversa” de inflação alta, já alcançando dois dígitos, com uma situação de recessão. Aliado a isto, existe ainda receio em relação ao que acontece na área fiscal.
Ele pondera que a pandemia exigiu que o governo gastasse mais, sobretudo com saúde e programas sociais, como foi o caso do auxílio emergencial, que beneficiou cerca de 67 milhões de brasileiros, sendo 1 milhão apenas no Espírito Santo.
Ainda assim, houve um crescimento bastante relevante na dívida pública, afetada ainda pelos malabarismos realizamos com o orçamento para atender uma e outra demanda. Esse aumento das despesas contribuiu fortemente para o aumento da inflação desde o ano passado.
“É um período de extrema incerteza. Estamos entrando em um período de eleição com uma economia extremamente fragilizada, o arcabouço fiscal vem ruindo, tem havido uma transferência da LRF, que caducou, para o teto, que foi um instrumento importante, mas exigia algumas reformas. O Banco Central inverteu a mão, está aumentando os juros, e vem ao mesmo tempo sofrendo as consequências de ter que trabalhar com uma situação fiscal frágil. Sem uma âncora fiscal sólida, o BC é como alguém que está pescando com uma linha fina. Aumentou os juros e a dívida vai crescer mais. Começa-se a ver um ciclo vicioso.”
Neste cenário, o ex-presidente do Banco Central pontua que não é de surpreender tanto que o investimento no Brasil ande tímido, tendo praticamente parado na esfera pública.
"As perspectivas para o ano que vem não são boas. Antecipo muita volatilidade. Sou daqueles que acreditam que o Brasil tem jeito e que, em boas mãos, a economia brasileira pode crescer 4% ao ano. É 1,5% do jeito que o país está, mas tem muito espaço para as coisas melhorarem. O Brasil não passou ainda do ponto em que não há retorno"
Armínio Fraga - Ex-presidente do Banco Central
“Mas a economia funciona com cenários, se predominar uma visão de um cenário onde o Brasil vai eleger alguém que não tem uma visão clara, corajosa, competente do que é necessário fazer, vamos ter problemas muito sérios.”

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