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Rico Melquiades: entenda os perigos do vício em remédios

Rico Melquiades: entenda os perigos do vício em remédios

Muitas vezes o uso de medicamentos, inicialmente prescritos para alívio de sintomas como ansiedade, insônia ou dor, pode evoluir para um hábito incontrolável

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 17:08

Rico-Melquiades
Rico Melquiades  relatou ter vício em remédios Crédito: Reprodução @ricoof

O influenciador Rico Melquiades desabafou nas redes sociais e relatou ter vício em remédios. O rapaz contou que sente vergonha. "Quero falar algo a vocês que no começo achava engraçado, mas hoje eu sinto vergonha. Eu tenho um grande vício em remédios. Não começou por prazer, começou como uma tentativa de aliviar dores, silenciar a mente, conseguir dormir ou simplesmente aguentar os dias. Em algum momento, sem perceber, aquilo que era ajuda virou dependência".

Rico afirmou que seu relato é uma forma de alertar outras pessoas. Segundo ele, hoje a dependência afeta sua vida e se sente cansado de não conseguir se livrar dos medicamentos. "Hoje reconheço que isso está me afetando. Afeta meu corpo, minha mente, e a forma como eu me vejo. Muitas vezes sinto cansaço de viver preso a isso. Este texto não é uma desculpa. É um alerta! Remédios vicia. Quero me libertar, E mesmo que o caminho seja difícil, eu estou disposto a dar o primeiro passo", desabafou.

Entenda os perigos do vício em remédios

A dependência medicamentosa é um tema que, frequentemente, gera apreensão e estigmas, tanto para os pacientes quanto para suas famílias. É fundamental abordar essa questão com empatia e compreensão, reconhecendo que a luta contra a dependência é uma realidade complexa e dolorosa que afeta milhões de pessoas.

"Como psiquiatra, vejo que muitos pacientes não percebem que estão enfrentando uma dependência. Os sinais podem ser sutis e facilmente confundidos com parte de uma rotina normal de autoajuda ou automedicação", explica Karen de Vasconcelos, professora do Unesc.

Segundo a especialista, muitas vezes o uso de medicamentos, inicialmente prescritos para alívio de sintomas como ansiedade, insônia ou dor, pode evoluir para um hábito incontrolável, caso o paciente não permaneça em acompanhamento médico adequado. "Essa transição pode ocorrer de maneira silenciosa e é compreensível que o indivíduo não reconheça o problema", enfatiza.

A médica acrescenta que a dependência não é apenas um relato de comportamentos compulsivos. Ela envolve alterações neuroquímicas significativas no cérebro que afetam a maneira como o indivíduo percebe prazer, dor e motivação. "A busca pelo medicamento se torna uma prioridade, em detrimento de atividades e relacionamentos significativos".

Karen de Vasconcelos é psiquiatra
Karen de Vasconcelos explica os perigos do vício em remédios Crédito: Divulgação

Essa realidade pode levar a um ciclo de culpa e vergonha, dificultando ainda mais a busca por ajuda

Karen de Vasconcelos

Psiquiatra

Karen pontua, ainda, que é crucial lembrar que a dependência é uma condição médica e deve ser tratada como tal, desestigmatizando a experiência e promovendo uma abordagem de compaixão.

"É igualmente importante que familiares e amigos desempenhem um papel ativo e solidário nesse processo. Reconhecer os sinais de alerta, como a mudança de comportamento, o isolamento social ou a negação da necessidade de ajuda, pode ser a chave para encorajar o indivíduo a buscar apoio", conta.

A médica ressalta que conversas abertas e acolhedoras podem fazer uma grande diferença, oferecendo um espaço seguro para a expressão de sentimentos e preocupações. "O tratamento da dependência medicamentosa é um percurso que envolve múltiplas abordagens, como a terapia individual, grupos de apoio e, em alguns casos, intervenções farmacológicas. Cada experiência é única e o plano de tratamento deve ser adaptado às necessidades de cada pessoa", considera.

De acordo com a médica, um acompanhamento psicológico regular pode ajudar a entender as causas subjacentes da dependência e a desenvolver estratégias para lidar com os desafios diários.

É essencial que tanto os pacientes quanto seus familiares saibam que a recuperação é possível. "Embora o caminho seja desafiador e repleto de obstáculos, com apoio e intervenção adequados, muitos conseguem reconstruir suas vidas e encontrar um novo sentido. A dependência medicamentosa não precisa ser um fardo carregado em silêncio. Com empatia e compreensão, é possível buscar e encontrar esperança na jornada para a recuperação", conclui a psiquiatra.

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