Publicado em 13 de março de 2026 às 17:16
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como crônica a dor que dura, no mínimo, três meses e sinaliza prejuízos à saúde, além de classificá-la como uma doença. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública em 2025, apontou que a dor crônica pode indicar problemas articulares e aumentar 14% da mortalidade entre idosos. >
Segundo o ortopedista Fellipe Valle, diretor da Motore Medicina Avançada, articulações prejudicadas podem favorecer a mortalidade entre os mais velhos ao causar prejuízos multifatoriais à saúde. “Quando falamos da perda de saúde articular, também abordamos prejuízos aos músculos e ossos. Isso leva à diminuição da atividade física e da massa muscular , significando mais risco cardiovascular e metabólico. Além disso, há aumento do desequilíbrio e da chance de quedas. São déficits multifatoriais que levam às dificuldades funcionais e à piora da qualidade de vida”, explica. >
Além disso, o médico aponta o atraso na procura por intervenção médica e a normalização das dores crônicas como comportamentos que podem levar à incapacidade funcional. “A saúde articular é muito negligenciada, porque temos uma cultura de que viver com dor é normal e que devemos aceitar isso. Muitas pessoas normalizam a dor. Em médio e longo prazo, essa condição pode levar à incapacidade motora e dependência de cuidados, devido à piora sistêmica da saúde. Negligência às articulações significa acelerar o envelhecimento de forma global”, acrescenta. >
Fellipe Valle cita a busca pela longevidade articular como uma das principais ferramentas para evitar complicações na velhice e garantir qualidade de vida. “Longevidade articular é a capacidade de manter articulações funcionais, estáveis, sem dor e com mobilidade preservada. Não se trata de evitar cirurgias, mas de garantir independência e qualidade de vida, antecipando o desgaste antes que ele se torne incapacitante”, conceitua. >
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Conforme o especialista, é importante que as pessoas se previnam contra doenças para retardar a silenciosa degeneração articular a partir dos 30 anos. Ele relata que esse desgaste pode ser programado. “A partir dos 30 anos, há uma degeneração silenciosa e progressiva. Alguns critérios aumentam a velocidade degenerativa, então é importante prevenir em vez de tratar a doença. É mais interessante iniciar a investigação antes de os sinais e sintomas aparecerem”, alerta. >
Fellipe Valle ressalta haver hábitos do estilo de vida que contribuem para a degeneração articular. O ortopedista, entretanto, relata que os prejuízos à saúde, muitas vezes, acontecem silenciosamente. “O sedentarismo é um grande vilão à saúde articular. Além dele, há a obesidade, os movimentos repetitivos sem preparo muscular, o sono inadequado e os quadros inflamatórios causados por alimentação. Algumas condutas do cotidiano são fatores de risco”, garante. >
Segundo o ortopedista, sinais como dificuldade motora e sensação inesperada de falta de disposição para se locomover podem indicar dificuldades nas articulações . Ele explica que, muitas vezes, os problemas de saúde não causam dor no começo. >
“Existem sinais silenciosos de uma saúde articular prejudicada. Por exemplo, a perda da força para subir escadas ou uma sensação de preguiça que não existia. A diminuição na velocidade da caminhada é outro exemplo. As pessoas acham que é natural, mas é o início de um desgaste. Nem sempre é uma dor latente, porque o início da dor é sinal de um grau maior da lesão”, observa. >
O especialista explica que mudar hábitos é uma estratégia eficiente para promover a longevidade articular. “Existem várias estratégias para evitar o desgaste articular. Entre elas, a manutenção da massa magra mediante exercícios físicos , alimentação adequada, focando a ingestão de proteínas, o controle inflamatório ao evitar certos alimentos e o monitoramento metabólico com os exames de sangue periódicos. Também há as intervenções médicas, quando forem indicadas”, lembra. >
Fellipe Valle, por fim, relata ser possível melhorar a condição das articulações em quase todos os casos. Ele destaca que os resultados são melhores quando o acompanhamento médico começa cedo. “Quanto mais avançado o desgaste, mais complexa é a recuperação, mas quase sempre é possível melhorar a qualidade de vida com a abordagem adequada para cada caso, seja com terapia regenerativa ou cirurgia. A ideia principal é intervir o quanto antes”, conclui. >
Por Enzo Tres >
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