Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 15:48
Uma mulher de 42 anos está internada em um hospital de Belo Horizonte desde dezembro em estado grave, devido a complicações relacionadas ao uso de uma "caneta emagrecedora" do Paraguai vendida de forma ilegal e sem prescrição médica. Ela foi diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré (SGB), segundo parentes.>
A auxiliar administrativa Kellen Antunes usou o medicamento, proveniente do Paraguai, sem prescrição médica, e foi internada com dores abdominais logo depois, segundo familiar. As informações foram relatadas ao jornal MG1, da TV Globo, pela filha de Kellen, Giulia Antunes. "Em um primeiro momento ela foi internada com muita dor abdominal, e foi comprovada a intoxicação medicamentosa. Meu pai pegou a ampola aqui em casa, levou para o [Hospital] João XXIII para fazer a análise, e lá eles não conseguiram fazer a análise porque era um medicamento do Paraguai", disse a filha.>
A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma condição neurológica rara e séria na qual o sistema imunológico do corpo ataca por engano parte do sistema nervoso periférico. “A Síndrome de Guillain-Barré, mais precisamente chamada de polineuropatia inflamatória desmielinizante aguda, é classificada como uma doença autoimune, em que o próprio sistema imunitário desencadeia inflamação em um ou mais tecidos ou órgãos de um indivíduo”, explica neurologista Roger Gomes, na Ama Especialidades Jardim São Luíz, gerenciada pelo CEJAM.
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Geralmente, a Guillain-Barré é desencadeada por uma infecção prévia, podendo ser de cunho respiratório ou intestinal, que ocorre entre duas e seis semanas antes do seu diagnóstico. Assim, quadros como diarreia, pneumonia, hepatites A, B e C, HIV, vírus SARS-CoV-2 (variante da Covid-19) e vírus transmitidos pelo mosquito da dengue, como Zika e Chikungunya, podem ser considerados estímulos, embora a ciência ainda não tenha uma compreensão precisa sobre o fenômeno.>
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Nessa síndrome neurológica inflamatória autoimune, o sistema imunológico do indivíduo começa a atacar partes do sistema nervoso periférico, principalmente seu envoltório, conhecido como bainha de mielina, o que resulta em sintomas como fraqueza muscular, formigamento, dormência e redução ou ausência de reflexos.>
"É importante ressaltar que qualquer músculo do corpo pode ser afetado, incluindo os músculos respiratórios, como o diafragma, o que pode levar à insuficiência respiratória em diferentes graus em até um terço dos pacientes. Além disso, a doença, geralmente, afeta os nervos periféricos responsáveis pelo controle da atividade cardíaca e da pressão arterial, podendo causar arritmias cardíacas e hipertensão arterial aguda", complementa o médico.>
Apesar de assustar à primeira vista, a doença é considerada rara e não contagiosa. No Brasil, a incidência é baixa, atingindo entre um e 4 pessoas a cada 100 mil habitantes anualmente. Os jovens e adultos entre 20 e 40 anos são os mais afetados.>
O diagnóstico inicial é clínico e posteriormente confirmado por meio de exames que avaliam os nervos e músculos, como a eletroneuromiografia e a análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por meio de uma punção na coluna lombar.>
"O reconhecimento precoce da doença é fundamental para iniciar o tratamento o mais rápido possível, a fim de evitar fraqueza prolongada, comprometimento dos músculos respiratórios e, nos casos mais graves, insuficiência respiratória com necessidade de intubação e respirador mecânico", reforça o neurologista.>
Atualmente, as principais abordagens terapêuticas para tratar a síndrome são o uso de imunoglobulina humana intravenosa em altas doses. E se a sua utilização não resultar em uma melhora significativa, geralmente, recorre-se à troca do plasma do paciente por meio de um procedimento chamado plasmaferese. Em alguns casos, pode ser necessária uma combinação dos dois procedimentos. No país, ambos os tratamentos estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).>
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