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Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 13:44
A atriz Titina Medeiros faleceu no último domingo (11) em decorrência de um câncer de pâncreas. A atriz já lutava contra a doença há, pelo menos, seis meses. Por ser uma doença de difícil detecção e comportamento agressivo, o câncer de pâncreas figura entre os cânceres mais letais no Brasil, ocupando a sétima posição, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). >
Para se ter uma ideia, atribui-se ao câncer de pâncreas 5% das mortes causadas por tumores, apesar de ser responsável por 1% dos diagnósticos da doença no país. “O câncer de pâncreas é um tipo de neoplasia que acontece, como o próprio nome diz, no pâncreas, quando há uma replicação celular desordenada, gerando um tumor que pode se disseminar, se espalhar pelo corpo, o que é chamado de metástase”, explica o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. >
Segundo o especialista, os principais fatores de risco para o câncer de pâncreas são obesidade, tabagismo e, muitas vezes, aqueles pacientes que têm pancreatite crônica. “É uma doença difícil de ser diagnosticada na fase precoce, por isso, o rastreio regular é fundamental, principalmente para pacientes com fatores de risco”, diz o médico. Mas, quando surgem, os sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes são dor abdominal, perda de peso, amarelidão na pele e nos olhos, o que a gente chama de icterícia, e vômitos. “Todos esses sinais podem sugerir a presença de um câncer de pâncreas”, ressalta.>
O pâncreas é um órgão com função endócrina no controle da glicemia, produzindo, por exemplo, insulina e glucagon, e também com função exócrina, responsável pela produção de enzimas que auxiliam a digestão, sobretudo de gorduras.>
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O oncologista Mauro Donadio, da Oncoclínicas, explica que trata-se de um órgão constituído por glândulas, que podem sofrer mutações e dar origem a um tumor, conhecido como tumor de pâncreas. "O que o torna particularmente perigoso é o fato de, em alguns casos, apresentar um comportamento agressivo, com crescimento rápido e capacidade de se desenvolver e disseminar de forma assintomática. Dessa forma, pode surgir e se espalhar sem que o paciente perceba, levando a um diagnóstico tardio".>
Mauro Donadio
OncologistaEntre os principais sinais e sintomas estão a dor localizada na região superior do abdómen, que pode irradiar para as costas, a icterícia, que pode ocorrer devido à obstrução da passagem da bile, que acontece na cabeça do pâncreas, provocando aumento da bilirrubina, olhos amarelados e coloração amarela da pele. "Além disso, podem surgir perda de peso, diminuição do apetite, indisposição e outros sintomas bastante inespecíficos, não exclusivos desta patologia". >
De acordo com Ramon, o diagnóstico geralmente é realizado a partir de uma tomografia que aponta a presença de uma massa no pâncreas que tem uma sugestão de malignidade. “Eventualmente, em alguns serviços, temos disponível também a ressonância magnética, que consegue visualizar melhor as estruturas dessa região”, acrescenta. “Mas o diagnóstico se confirma mesmo por meio da biópsia feita através de uma exame chamado CPRE, ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que combina endoscopia e radiografia”, pontua o oncologista.>
Uma vez diagnosticada a doença, o médico poderá recomendar o tratamento mais adequado para cada caso. “A partir dos exames, o profissional poderá definir se trata-se de uma doença operável ou não. Caso seja operável, a cirurgia pode ser indicada. Outra opção é a realização de quimioterapia seguida de cirurgia e, posteriormente, retornamos com a quimioterapia. Por sua vez, se a doença já estiver disseminada pelo organismo, a quimioterapia é usada isoladamente”, detalha o médico. >
Infelizmente, trata-se de uma doença com prognóstico ruim, na maioria dos casos. “Especialmente na doença metastática, a sobrevida é curta, podendo variar, em média, de 6 a 11 meses de vida, dependendo do tipo de tratamento que é realizado. Mas, caso seja operável, o câncer de pâncreas apresenta um diagnóstico melhor”, diz Ramon Andrade de Mello.>
O oncologista Mauro Donadio diz que, quando está em uma fase inicial e localizada, a cirurgia é o procedimento obrigatório para pensar em cura. "No entanto, na maioria das situações, o tratamento demanda quimioterapia, que pode ser realizada antes ou depois da cirurgia, isso para facilitar que a cirurgia seja realmente curativa se a quimioterapia for feita antes, ou para diminuir o risco do tumor voltar, se a cirurgia foi feita depois da quimioterapia". >
Nos casos mais avançados, o tratamento baseia-se sobretudo em esquemas de quimioterapia com o objetivo de controlar a doença, prolongar a sobrevida e preservar a qualidade de vida. "No Brasil, existem atualmente pelo menos três opções terapêuticas para a primeira linha, além do surgimento de novas medicações para a segunda linha. Estudos recentes apontam ainda para terapias-alvo dirigidas a mutações específicas identificadas no tumor de pâncreas avançado", diz o médico.>
O diagnóstico precoce é muito importante, pois aumenta a probabilidade de cura se a doença for detectada numa fase inicial, permitindo uma abordagem com intenção curativa. "Mesmo quando a patologia já se encontra num estádio mais avançado, o início rápido do tratamento favorece um melhor controle da evolução, maior tolerância às terapias e, consequentemente, um aumento na taxa de sobrevida e aumento da qualidade de vida", finaliza Mauro Donadio.>
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