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Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 14:31
A neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, a influenciadora Bruna Furlan de Nóbrega, contou em suas redes sociais que foi diagnosticada com câncer de mama. A jovem de 24 anos revelou que tem um carcinoma mamário invasivo. “O meu é hormonal, então ele é meio que alimentado pelos meus hormônios... e eu tô, infelizmente, com metástase”, contou.>
A jovem disse que decidiu tornar o diagnóstico público para alertar outras mulheres jovens. “Descobri que o câncer de mama tem crescido entre mulheres mais novas, e isso me chocou muito”. Bruna afirmou ainda que deve iniciar o tratamento imediatamente, que inclui quimioterapia e cirurgia. >
Bruna Furlan de Nóbrega
InfluenciadoraO câncer de mama ainda é muito frequente no Brasil. Com exceção dos tumores de pele não melanoma, ele é o tipo mais comum da doença entre as mulheres. “O câncer de mama é causado quando as células da mama sofrem mutações que as fazem se multiplicar de maneira anormal, formando um tumor. Existem diversos tipos de câncer de mama que variam de intensidade, e por conta de fatores genéticos, a doença evoluirá de formas diferentes”, explica o oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. “Chamamos de metástase quando um tumor se espalha para outras partes do corpo”, explica o médico. >
Quando o câncer de mama é diagnosticado em estágio metastático quer dizer que, além a doença da mama e axila, foi descoberto parte desse tumor em algum outro órgão ou partes do corpo, como fígado, pulmão, cérebro e ossos. "É importante ressaltar que, quando a metástase está na axila não é considerada metástase a distância. Nesses casos, consideramos uma doença localizada. Quando o câncer está localizado só na mama ou mama e axila, consideramos a doença curável. Quando a metástase está em outro órgão, consideramos, a princípio, incurável", explica a oncologista Virgínia Altoé Sessa, do Hospital Santa Rita.>
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No caso de Bruna, o tumor apresenta receptores hormonais positivos e ausência da proteína HER2. "O tumor Receptor hormonal positivo HER2 negativo é o mais frequente que existe na população, que é o tumor luminal, que corresponde a mais da metade dos casos. São tumores que crescem a depender da produção hormonal", explica a médica.>
A médica conta que segundo dados estatísticos populacionais, nos últimos 10 anos, o câncer de mama dobrou a incidência em mulheres com menos de 35 anos. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 75 mil novos casos de câncer de mama por ano. Apenas 7% a 10% ocorrem em mulheres com menos de 40 anos.>
Virgínia Altoé Sessa
OncologistaA médica diz ainda que muitas estão optando por terem filhos mais velhas, ficam mais tempo expostas aos ciclos ovulatórios, aos hormônios, alimentação inadequada, estresse e sedentarismo. "Tudo isso pode estar influenciando, mas a certeza exata não temos". >
Em mulheres jovens, o diagnóstico também enfrenta desafios. "Além da condição da mama (as jovens possuem mamas mais densas que apresentam mais dificuldade de serem avaliadas pelos exames), as pacientes mais novas não costumam fazer exames regulares, e isso também é um dificultador do diagnóstico mais precoce nessa população".>
Apesar da complexidade da doença, Ramon Andrade de Mello alerta que a detecção precoce é a chave para o sucesso do tratamento, aumentando consideravelmente as taxas de cura. “Na grande maioria dos casos em que o câncer de mama é diagnosticado precocemente, as chances de cura ultrapassam 90%”. A principal estratégia para identificar esse tipo de tumor precocemente é uma combinação do autoexame da mama com a realização regular da mamografia. >
“O autoexame é importante para que a mulher conheça a própria mama e consiga perceber alterações suspeitas que podem indicar tumores, como nódulos endurecidos, secreções e alterações na pele, como retração ou aspecto de ‘casca de laranja’. Mas ele não substitui os exames regulares de rastreio, como a mamografia, que é a forma mais eficaz de detecção precoce, pois consegue identificar lesões antes de serem palpáveis, devendo ser realizado anualmente a partir dos 40 anos”, alerta. >
A atenção deve ser redobrada por mulheres com maior predisposição a desenvolverem o câncer de mama, que é mais comum após os 50 anos, em pessoas com histórico familiar ou pessoal da doença e com mutações hereditárias em genes específicos. “E embora muitos casos de câncer de mama estejam associados a fatores genéticos e hereditários, o estilo de vida e a alimentação desempenham um importante papel na saúde do corpo e podem aumentar ou diminuir sua suscetibilidade". >
Por isso, algumas medidas podem ajudar a prevenir o câncer de mama, incluindo: dieta balanceada, rica em frutas e vegetais e evitando alimentos pró-inflamatórios como frituras e gorduras trans; evitar sobrepeso, já que a obesidade está relacionada ao aumento do risco de vários cânceres, incluindo o de mama; atividades físicas regulares, pelo menos uma hora, três dias por semana; evitar ingestão excessiva de bebidas alcoólicas e não fumar. >
Mas uma vez diagnosticado, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes para aumentar as chances de sucesso e conter a progressão do câncer, impedindo que cresça e se espalhe para outros órgãos. “O tratamento é individualizado e indicado caso a caso. No geral, a cirurgia costuma ser a primeira indicação, podendo ser conservadora, quando apenas parte da mama é retirada, ou total, quando há necessidade da retirada completa da mama". Muitas vezes, a cirurgia é combinada com sessões de quimioterapia e radioterapia, seja antes, para diminuir o tamanho do tumor, ou depois, para eliminar possíveis células residuais e reduzir o risco de recidiva. >
Existem ainda tratamentos mais novos voltados para casos específicos. “A hormonioterapia pode ser indicada quando o tumor depende de hormônios para crescer, as terapias-alvo agem em alterações específicas, como o marcador tecidual HER2, e a imunoterapia vem sendo utilizada em casos selecionados, como o câncer de mama triplo-negativo, ajudando o próprio sistema de defesa do corpo a combater a doença”, diz Ramon Andrade de Mello.>
Virgínia Altoé Sessa explica que o tratamento depende do tamanho do tumor. "Se for pequeno, geralmente menos que 2 cm, vai para a cirurgia. Se for um tumor maior, já com axila comprometida, a paciente geralmente é submetida a uma quimioterapia neoadjuvante (aquela antes da cirurgia) e posteriormente opera. Se for uma cirurgia conservadora, tem que fazer radioterapia e depois o bloqueio hormonal por, no mínimo, cinco anos". >
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