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Tecnologia

Robô realiza a primeira cirurgia ginecológica em paciente do ES

A paciente, que deseja engravidar, é portadora de endometriose profunda e adenomiose. O método é preciso, minimamente invasivo, causa menos dor pós-operatória, redução no tempo de internação e recuperação mais rápida

Publicado em 29 de Julho de 2020 às 18:52

Redação de A Gazeta

Publicado em 

29 jul 2020 às 18:52
Shutterstock
Shutterstock Crédito: A endometriose ocorre quando as células do endométrio se incrustam nas fibras musculares da parede uterina 
No último sábado (25/07) aconteceu no Estado a primeira cirurgia robótica ginecológica. A paciente, que deseja engravidar, é portadora de endometriose profunda e adenomiose, doença que ocorre quando as células do endométrio se incrustam nas fibras musculares da parede uterina. A cirurgia, ocorrida no Hospital Santa Rita, foi realizada pela ginecologista e presidente da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Espírito Santo (SOGOES), Kárin Rossi, e teve como proctor (médico-instrutor) Marco Aurélio Pinho de Oliveira, do Instituto D'Or do Rio de Janeiro.
"A paciente já tinha realizado duas cirurgias prévias videolaparoscópicas e tratamento para engravidar sem sucesso. Optamos pela técnica robótica, pois possui mais precisão de movimentos e visão 3D ampliada, o que facilita a reconstrução das paredes uterinas, após realização das ressecções das lesões”, explica a ginecologista. Os focos de endometriose e adenomiose visíveis da cirurgia foram ressecados, mas a parte genética e predisposição continuam. Então é necessário fazer o constante monitoramento com o especialista. 
Robô Da Vinci Xi: cirurgia robótica chega ao Hospital Santa Rita, em Vitória
A cirurgia robótica foi realizada com o Da Vinci Xi, plataforma robótica de quarta geração considerada uma das mais modernas do mundo. Crédito: Divulgação
cirurgia robótica foi realizada com o Da Vinci Xi, plataforma robótica de quarta geração considerada uma das mais modernas do mundo. São quatro braços robóticos que são conectados ao paciente e conduzidos pelo cirurgião, que atua sentado no console. O robô pode ser utilizados em cirurgias torácicas, abdominais, pélvicas, entre outros.

Benefícios

A médica relata que os tempos cirúrgicos básicos são os mesmos nas duas técnicas laparoscópicas, assistidas ou não com o robô. O robô traz mais conforto, ergonomia e visão 3D para o cirurgião. Ele filtra o tremor e traz precisão em dissecar as estruturas nobres como vasos e nervos, além de facilitar a sutura. Alcança ângulos e movimentos difíceis de se reproduzirem pelo punho humano. “Nessa cirurgia usamos três braços, sendo um para ótica e outros dois para trabalhar", esclarece.
O procedimento contou com anestesista, cirurgião e três auxiliares, além de uma instrumentadora. "O cirurgião faz as punções no abdome da paciente e conecta os braços do robô nos trocarts (que é um dispositivo médico). Em um console dentro da sala de cirurgia, ele movimenta as pinças e dá os comandos por áudio”.
Kárin conta que a novidade garante vários benefícios aos pacientes, como menor sangramento intraoperatório, incisões menores e uma recuperação mais rápida. "A minha paciente não teve nenhuma dor e pôde ir embora no dia seguinte. Em dois meses será liberada para engravidar. O trabalho do robô é preciso, com economia de movimento”, explica a ginecologista. Por enquanto, a tecnologia não está disponível para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e nem para os de convênios médicos.

Saiba mais

O robô tem operado no hospital desde março. As equipes cirúrgicas da unidade foram treinadas para aprender a controlar o equipamento, que é utilizado em diversas áreas, como nas cirurgias urológicas, nas de cabeça e pescoço, nas bariátricas e na oncologia digestiva.  Os treinamentos foram feitos em locais como Rio de Janeiro e São Paulo, onde esse tipo de tecnologia já é usada há mais tempo, em hospitais de ponta.
Em entrevista para A GAZETA, em janeiro deste ano, o médico urologista e diretor clínico do Hospital Santa Rita, Alexandre Tironi, explicou que robô cirurgião permite a execução de cirurgias complexas utilizando-se de procedimentos minimamente invasivos. "O robô tem visão em 3D e controle ergonômico. São quatro braços robóticos articulados que atuam diretamente no paciente e um sistema de vídeo de alto desempenho. Os movimentos realizados no controle ergonômico são filtrados de qualquer tipo de tremor natural do ser humano e traduz todo o movimento feito pelas mãos do cirurgião em movimentos mais precisos e com amplitude ainda maior do que a capacidade da mão humana".
Na área urológica, por exemplo, o robô cirurgião opera pacientes com câncer de próstata e tumor renal. "Na cirurgia robótica, os riscos podem ser minimizados, pois há menor perda sanguínea, menor dor pós-operatória. E há menos chance de sequelas mais comuns nesse tipo de tratamento, como a disfunção erétil e a incontinência urinária", destaca o urologista.

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