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Trombose cerebral: entenda o problema que levou à morte o jornalista Rodrigo Rodrigues

Ele estava com covid-19 e precisou fazer uma cirurgia para reduzir a pressão intracraniana após a equipe médica confirmar a formação de um trombo dentro das veias que drenam o sangue do cérebro. Mas não resistiu ao procedimento

Publicado em 27/07/2020 às 18h33
Atualizado em 28/07/2020 às 16h25
Apresentador do Sportv Rodrigo Rodrigues é internado em UTI com Covid-19
O jornalista Rodrigo Rodrigues nasceu no Rio e fez carreira em diversos canais de televisão, como TV Cultura, SBT, ESPN Brasil, Band, Gazeta e Esporte Interativo. Ele também era músico, guitarrista da banda "The Soundtrackers". Crédito: Divulgação/SportTv

jornalista e apresentador do SporTV, Rodrigo Rodrigues, que estava na UTI de um hospital do Rio de Janeiro para se tratar da covid-19 e foi submetido a uma cirurgia no domingo (26/7), morreu na manhã de hoje (28/7). O procedimento cirúrgico foi necessário para reduzir a pressão intracraniana após a equipe médica confirmar uma trombose venosa cerebral (TVC), mas ele não resistiu ao procedimento e teve a morte encefálica confirmada.

O neurocirurgião Tiago Madeira, do Hospital Santa Rita, explica que a TVC é uma doença cerebrovascular causada pela oclusão dos seios venosos ou das veias cerebrais por trombos. "É também uma das causas do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que pode ser o isquêmico ou hemorrágico. O primeiro acontece quando a obstrução venosa determina uma redução do suprimento sanguíneo para uma determinada área do cérebro. Já o hemorrágico acontece quando a obstrução venosa determina um significativo aumento da pressão no interior da veia, provocando a ruptura da mesma e consequente extravasamento de sangue para o cérebro".

O neurologista Fábio Fieni Toso, do São Bernardo Apart Hospital, explica que a TVC é um processo de formação do trombo dentro das veias que drenam o sangue do cérebro. "O processo é semelhante ao que acontece na veia da perna. Porém quando ocorre na veia cerebral as complicações são neurológicas".

Causas

Existem diversos fatores que causam este tipo de trombose. O mais importante é o aumento dos níveis sanguíneos do hormônio feminino estrogênio. Esse aumento ocorre naturalmente em algumas fases da vida da mulher, como na gravidez e puerpério, ou quando este hormônio é utilizado na forma de medicamentos, sendo os exemplos mais típicos o uso de anticoncepcionais e a terapia de reposição hormonal. "É muito mais comum acontecer em mulheres em idade fértil justamente porque nessa fase da vida da mulher os níveis de estrogênio são mais elevados. Fatores genéticos que determinam uma tendência a formação de coágulos (trombofilias) também representam um importante fator de risco", diz Tiago.

No caso do jornalista, o problema pode ter sido causado em função da covid-19. O periódico científico Journal of Thrombosis and Hemosthasis publicou quatro artigos abordando a relação intrincada, complexa e ainda pouco compreendida entre o vírus e trombogênese (formação de trombos, a coagulação de sangue).

Por enquanto, o que os cientistas sabem é que o coronavírus induz, em casos mais graves, uma tempestade de citocinas (emissão de sinais entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes) que leva à ativação de coagulações, causando fenômenos trombóticos. "Descobriram que o vírus aumenta a coagulação do sangue, predispondo a trombose venosa em diversos órgãos, inclusive no cérebro", explica o neurocirurgião.

Tratamento

O diagnóstico é realizado clinicamente, sendo confirmado através da realização de uma Ressonância Magnética. A cefaleia, dor de cabeça, é o sintoma mais comum da TVC e, usualmente, é intensa, persistente e de um padrão não usual para o paciente. Outra manifestação clínica relativamente frequente é a ocorrência de uma crise convulsiva. "A TVC é um dos diagnósticos diferenciais de cefaleia secundária e deve ser sempre lembrada como hipótese diagnóstica, principalmente se algum fator de risco para TVC é identificado na história clínica", diz Tiago.

Fábio Fieni explica que na maioria das vezes o tratamento é realizado com a medicação anticoagulante, que desfaz o trombo e faz a veia funcionar normal. "Mas em algumas situações o remédio não é suficiente. Então é usado o cateter para tirar o trombo mecanicamente. Em casos muito graves é preciso abrir a calota craniana para aliviar a hipertensão intracraniana". Como aconteceu com Rodrigo Rodrigues.

Tiago explica que entre as sequelas mais comuns estão a alteração da fala, alteração visual e alteração da força e/ou sensibilidade de um lado do corpo. "Entretanto muitos pacientes se recuperam bem e sem nenhuma sequela", afirma Tiago.

Trajetória

Rodrigo Rodrigues nasceu no Rio e fez carreira em diversos canais de televisão, como TV Cultura, SBT, ESPN Brasil, Band, Gazeta e Esporte Interativo. Além do esporte, o jornalista também trabalhou na área cultural, em programas como "Vitrine", da TV Cultura, "5 Discos", da Gazeta, e "Cor de Rosa", do SBT. Ainda lançou livros: "As Aventuras da Blitz", sobre a trajetória do grupo musical comandado por Evandro Mesquita, e "London London", um guia para conhecer Londres de metrô.

O apresentador de TV também se notabilizou na música. Ele era guitarrista da banda "The Soundtrackers", que toca apenas trilhas sonoras do cinema, e chegou a se apresentar no quadro "Ding Dong", do "Domingão do Faustão". Ele também trabalhou como locutor e apresentador da Rádio Globo em São Paulo.

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