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Disputa

Rivalidade entre China e EUA deve continuar, mas com menos pressão sobre Brasil

O ex-ministro e ex-embaixador do Brasil nos EUA Sérgio Amaral afirma que o governo Joe Biden deve ser marcado por uma restauração de alianças com outros países

Publicado em 18 de Novembro de 2020 às 09:55

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 nov 2020 às 09:55
Joe Biden em coletiva em Wilmington, no Estado de Delaware (EUA)
Joe Biden em coletiva em Wilmington, no Estado de Delaware (EUA) Crédito: Adam Schultz / Biden for President
A disputa entre China e EUA deve continuar, mas com menos pressão sobre Brasil, segundo especialistas em relações internacionais que participaram nesta terça-feira (17) do debate - Trump vs. Biden: o cenário pós-eleições nos EUA - , organizado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio).
O ex-ministro e ex-embaixador do Brasil nos EUA Sérgio Amaral afirma que o governo Joe Biden deve ser marcado por uma restauração de alianças com outros países e por uma nova fase da relação com a China, com mais mudança no estilo do que no conteúdo.
Ele afirma que a guerra comercial com a China não contribuiu para a redução do deficit comercial dos EUA com o país asiático e que a tentativa de segregar conteúdo chinês foi uma política que prejudicou também as empresas e dos consumidores norte-americanos.
Segundo Amaral, essa é uma situação que reduz a pressão para que o Brasil se coloque de maneira automática ao lado de qualquer uma das potências.
?Essa mudança, para o Brasil, reduz uma tensão sobre optar por um país em detrimento do outro, o que não podemos fazer. Temos de decidir não em relação às nossas fidelidades, mas em função dos interesses nacionais?, afirmou.
Na questão Amazônica, por outro lado, Amaral disse que o Brasil terá de mudar de posição não por uma imposição de uma potência, mas para se adequar a uma questão que se impõe por parte de toda a sociedade.
"A questão da Amazônia, do meio ambiente e do clima são dominantes, são as utopias do século 21. Isso não é uma determinação de nenhum país, é uma força da sociedade que se impõe. É hora de o Brasil mudar sua atitude, ver a Amazônia como um patrimônio valioso do país, ver as comunidades indígenas como uma riqueza histórica e antropológica que o Brasil tem a obrigação de respeitar."
Tatiana Prazeres, senior fellow na Universidade de Negócios Internacionais e Economia em Pequim, afirmou que o governo Chinês não tem nenhuma ilusão a respeito do novo presidente e que não haverá um retorno ao período anterior à administração Donald Trump.
Segundo a ex-secretária de comércio exterior e ex-conselheira sênior na direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), a rivalidade entre os dois países vai continuar, mas há espaço para cooperação em alguns temas, como mudanças climáticas e o combate à pandemia.
"A administração Biden será diferente em política externa tanto em termos de substância como de estilo. Em substância, alguns assuntos devem ganhar proeminência, como mudanças climáticas, enfrentamento à pandemia e direitos humanos", afirmou.
"O Brasil deve ser pragmático, olhar para seus próprios interesses, decidir por si mesmo. É possível para um país como o Brasil adotar uma posição neutra. O Brasil não pode abrir mão de manter sua autonomia."
Michael Camilleri, diretor na organização Inter-American Dialogue e ex-membro do governo Barack Obama, também afirmou que não haverá uma volta ao período pré-Trump.
"A equipe de Biden reconhece que o mundo hoje é muito diferente do que era no início de 2017, quando Obama deixou o cargo. Em alguns aspectos, acho que teremos uma restauração, mas não será uma volta aos anos Obama", afirmou.

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