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Saiba como se organizar para comprar um imóvel sem ficar endividado

Especialistas em finanças e do mercado imobiliário explicam que financiamento pode comprometer até um terço da renda e orientam como se preparar para fazer esse investimento

Publicado em 18/11/2020 às 16h54
Atualizado em 18/11/2020 às 16h54
É preciso pensar nas finanças da família antes de se comprometer com um financiamento
É preciso pensar nas finanças da família antes de se comprometer com um financiamento. Crédito: Pixabay

Conquistar a casa própria é o sonho de muitos brasileiros. Mas a renda familiar precisa ser suficiente para arcar com o financiamento, sem deixar de pagar as despesas domésticas. Especialistas orientam que a organização financeira, antes de fazer esse investimento, é primordial para evitar o endividamento, e que negociações são muito bem-vindas e podem ajudar a tirar esse projeto do papel.

A educadora financeira Herica Gomes orienta que o máximo da renda familiar que deve estar comprometido é 30%. “Precisamos saber quais outras dívidas essa pessoa tem. Muitos têm parcelas de cartão de crédito, por exemplo. Isso também conta.”

O que deve ficar de fora desse cálculo é a reserva de emergência, segundo Herica. “A reserva de emergência é só para emergência mesmo. Quebrou um eletrodoméstico, ficou doente, perdeu o emprego...”, explica.

Para pagar a entrada do imóvel, a educadora financeira recomenda o que ela chama de reserva de oportunidades, ou seja, poupar uma quantia que ficará disponível apenas para pagamento de realizações pessoais, como a compra de uma casa, carro e até para fazer cursos.

30%

Máximo de comprometimento da renda familiar para pagar um financiamento

Negociações

Herica pontua que a taxa de juros é a primeira coisa a ser observada antes de fechar um financiamento. “A pessoa precisa entender que a prestação deve caber no orçamento dela. Nessa ânsia de pagar logo, acaba se comprometendo demais.”

Olhar oportunidades do mercado imobiliário também vale a pena, segundo a educadora financeira. Mas, se o comprador já estiver endividado, é melhor deixar passar a oportunidade para não piorar a situação.

Para quem está com a renda disponível, Gustavo Rezende, diretor comercial da Grand Construtora, explica que o momento é propício para adquirir um imóvel, já que a taxa básica de juros, a Selic, está em 2%, o que reflete em taxas mais baixas nos bancos. “Isso aconteceu porque o consumo caiu e é um estímulo para a população consumir de novo. As pessoas sentiram necessidade de ter uma casa melhor e os investimentos bancários, como renda fixa e poupança, estão rendendo menos, então o mercado imobiliário ficou como o melhor investimento”, acrescenta.

Rezende explica que na construtora em que atua há a possibilidade de negociar inclusive a entrada, quando o imóvel ainda está na planta. Para ele, essa é a melhor forma de adquirir um imóvel sem risco de inadimplência.

FAZENDO ESCOLHAS

O consultor imobiliário José Luiz Kfuri explica que a escolha do imóvel vai além da fatores como tipologia e localização. Para ele, o fator principal é o que cabe no bolso. “Se você vai assumir uma prestação, não importa a tipologia, importa se você não vai deixar de pagar.”

A inadimplência nos financiamentos pode levar o imóvel a leilão, explica Kfuri. “Quando perceber que vai começar a atrasar o pagamento, é melhor vender, quitar a dívida e ainda ficar com um dinheiro. A maioria dos imóveis que vão a leilão são por falta de pagamento”, observa.

COMO SE PLANEJAR PARA COMPRAR UM IMÓVEL

  1. 01

    Antes de tudo, economize

    O ideal é ter uma reserva de oportunidades para a entrada. No caso de um financiamento, normalmente, é preciso ter 20% do valor do imóvel. Já no caso da compra na planta, esse valor à vista costuma ser menor – em torno de 5% a 10% do preço do imóvel –, com outra parte diluída durante a obra, para que seja contratado o financiamento após ela ser concluída.

  2. 02

    Faça simulações

    Faça uma simulação nos sites ou aplicativos dos bancos para saber se as parcelas irão caber no seu orçamento, de acordo com a renda, e qual valor máximo de financiamento poderá contratar.

  3. 03

    Mantenha as contas em dia

    Normalmente, as prestações podem chegar a 30% da renda bruta do comprador. Nesse caso, é considerado também se há outras dívidas que comprometem a renda, como financiamento de veículo e empréstimos.

  4. 04

    Pesquise

    A partir do momento em que sabe quanto poderá pagar, pesquise empreendimentos que se enquadrem no perfil que deseja. Avalie aspectos como localização, infraestrutura desejada e se há perspectiva de valorização na região.

  5. 05

    Prepare-se para despesas

    Lembre-se de reservar dinheiro para despesas, como o habite-se, certificado que deve ser emitido pela prefeitura antes da mudança para a casa nova, e a escritura do imóvel

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