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Lideranças femininas da construção civil no ES contam trajetória e dão dicas para próxima geração

Lideranças femininas da construção civil no ES contam trajetória e dão dicas para próxima geração

Participação das mulheres no mercado de construção civil tem aumentado, com muitas assumindo cargos de gestão em grandes empresas; conheça três exemplos de líderes neste setor no Espírito Santo

Publicado em 9 de março de 2026 às 13:30

 - Atualizado há 21 horas

As mulheres têm conquistado um espaço cada vez maior na construção civil, incluindo cargos de liderança.
As mulheres têm conquistado um espaço cada vez maior na construção civil, incluindo cargos de liderança. Crédito: Shutterstock

As mulheres têm conquistado um espaço cada vez maior na construção civil, um setor que ainda é ocupado, predominantemente, por homens. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a participação das mulheres neste mercado a nível nacional aumentou 120% entre 2007 e 2018.

Um dos resultados desse aumento é que, cada vez mais, elas estão ocupando cargos de liderança no mercado imobiliário. De acordo com uma pesquisa do IBGE, em 2022, 26,4% dos cargos gerenciais do setor de construção eram ocupados por mulheres, número que chega a 45,3% do setor de Atividades Imobiliárias. Em 2012, elas ocupavam apenas 17,6% e 32,5% dos cargos, respectivamente.

Este movimento também pode ser percebido no Espírito Santo, onde tanto os empregos em geral quanto os cargos de liderança têm uma presença feminina cada vez mais notável.

Com isso em mente, Imóveis A Gazeta conversou com três capixabas que são exemplos de liderança feminina no mercado imobiliário capixaba. Elas falaram sobre suas experiências no setor e deram dicas para a próxima geração de mulheres que almejam cargos de gestão, tanto no canteiro de obras quanto no comando de grandes empresas.

Investir nelas é investir no sucesso

Um exemplo de liderança neste setor é Mariana Brunelli Coura, engenheira civil e diretora de Incorporação da Construtora Javé. Ela considera que os desafios para as mulheres no mercado estão ligados, principalmente, às cobranças sociais, relacionadas ao comportamento, à maternidade, à gestão familiar e à disponibilidade total para o trabalho.

“Porém, acredito que o equilíbrio entre carreira e vida pessoal é resultado de sucesso. As mulheres trazem para as empresas um senso de cuidado, fomentam a inovação e as soluções criativas por meio da diversidade de experiências e perspectivas. Acredito que organizações que investem nas lideranças femininas tendem a apresentar gestões colaborativas, empáticas e produtivas”, pontua.

Mariana Brunelli Coura, engenheira civil e diretora de Incorporação da Construtora Javé
Com 14 anos de experiência no mercado, Mariana Brunelli Coura é engenheira civil e diretora de Incorporação da Construtora Javé. Crédito: Divulgação

A diretora, que está no mercado imobiliário há 14 anos, destaca ainda que enfrentou desafios relacionados à idade durante a carreira, por ser uma mulher jovem que muito cedo assumiu cargos de relevância dentro da empresa.

“Entendo que esse desafio foi superado através do que apresentei e apresento de resultados, além da minha postura ética e profissional”, afirma.

Para chegar à liderança, Mariana acredita na autoconfiança para tomada de decisões, coragem para enfrentar desafios, capacidade contínua de aprender e compromisso com o desenvolvimento pessoal e profissional da equipe.

Determinação é fator-chave

Outro exemplo a nível local é o da fundadora e diretora da Kemp Empreendimentos, Rubia Zanelato, que atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário capixaba. Engenheira civil por formação, Rubia fundou a empresa logo após se formar e, desde então, viu as mulheres ganharem espaço no setor, principalmente em áreas como projetos.

Para aquelas que desejam ingressar na área, Rubia enfatiza que, independente do segmento escolhido, a primeira qualidade necessária é a determinação.

“O tamanho da sua perseverança, resiliência e fé mostram os objetivos a serem alcançados. O básico, então, é saber definir onde se quer chegar, ter foco, comprometimento para iniciar e seguir, e perseverança para não desistir. Os fracassos vão existir, mas sucesso e liderança não são sobre não cair, mas sim sobre o quanto sua resiliência lhe faz superar as dificuldades. Ouça quem fez e dê valor a essas pessoas também”, aconselha.

Rubia Zanelato, fundadora e diretora da Kemp Engenharia
Rubia Zanelato é fundadora e diretora da Kemp Empreendimentos e atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário. Crédito: Divulgação

Ao analisar os atributos necessários para assumir cargos de liderança, a diretora acredita que amar o que faz é fundamental. Além disso, ela pontua que ser líder envolve, necessariamente, servir as pessoas e formar novas lideranças.

“Afinal, quem está em cargos altos precisa saber motivar e dar a direção para extrair o melhor da pessoa. Então, é necessário ter a percepção do que a pessoa tem de valioso e o que ela pode entregar para fazer isso aflorar”, avalia.

Ela destaca ainda que a ideia de criar a Kemp Empreendimentos foi amadurecido desde a infância, quando ela se identificou em sua avó, que era comerciante, e soube que um dia abriria uma empresa

“Fazia muda de café para vender, chup-chup e, quando entrei na faculdade, confeccionava camisas para vender. Tudo isso com foco em ser engenheira, ter uma construtora e empreender na área de construção civil, mas para eu poder chegar, eu precisei de passar por alguns caminhos", conta.

Domínio da técnica traz reconhecimento

Para a gerente de Produto Imobiliário da Construtora Épura, Maria Matilde Liberato, conquistar espaço neste mercado é preciso dominar os fundamentos da profissão. Ela destaca que autoridade técnica, comunicação assertiva, presença ativa, inteligência estratégica e equilíbrio são os atributos necessários para assumir um cargo de liderança.

“É necessário construir uma reputação e não apenas ser popular. Também é preciso entender sobre os números financeiros que regem o setor”, orienta.

Maria Matilde Liberato, gerente de Produto Imobiliário da Construtora Épura
Com 25 anos de experiência no mercado imobiliário, Maria Matilde Liberato hoje é gerente de Produto Imobiliário da Construtora Épura. Crédito: Divulgação

Há 25 anos no mercado imobiliário, Maria Matilde conta que começou a trabalhar em escritórios de arquitetura que desenvolviam edifícios para incorporadoras. O tema a interessou e, além de projetar, quis investir em saber como se construíam os edifícios. Dois anos depois, passou a trabalhar dentro de uma das obras da Épura e segue na empresa até hoje.

Ela conta que, antes, os desafios das mulheres no mercado estavam ligados a mostrar que os atributos de uma liderança feminina poderiam agregar vantagens competitivas para o setor. Atualmente, ela enxerga que a incorporação e construção deixaram de ser intuitivas e se baseiam em números muito mais complexos.

"Quem entra agora no mercado precisa ter mentalidade empresarial, aceitar a tecnologia, gerir pessoas e ter responsabilidade social e ambiental. É preciso pensar estrategicamente desde o início”, avalia.

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