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Empresas investem em tecnologia 3D para antecipar obras

Construtoras capixabas que têm utilizado o sistema BIM têm registrado redução de prazos, menores custos e otimização dos projetos

Publicado em 02/03/2021 às 14h56
Atualizado em 02/03/2021 às 14h56
Obra em andamento
Sistema permite interligar todas as fases de uma obra, desde o desenho até a conclusão. Crédito: Freepik

Imagine ter um sistema 3D em que é possível acompanhar uma obra do início ao fim, integrar diferentes escritórios, profissionais, empresas contratadas e ainda por cima ser utilizado após a obra para gerenciamento da construção pelos futuros moradores? Parece coisa de filme de ficção científica, mas o sistema existe e tem sido cada vez mais adotado pela construção civil no país e também no Espírito Santo.

Conhecido por BIM, o nome é a sigla de building information modeling ou modelagem da informação da construção, em português. Em uma pesquisa recente, o mapeamento BIM Brasil Maturidade, cerca de 70% das empresas que ainda não utilizam o sistema, que é também uma ferramenta de gestão, têm pretensão de adotá-lo nos próximos dois anos.

A resposta está na praticidade que o sistema fornece, já que ele permite conciliar tecnologia e sustentabilidade. Ele permite a modelagem do projeto de forma virtual com todas as informações necessárias ao projeto e à execução da obra, contendo inclusive detalhes dos trabalhos e de mão de obra. Ou seja, desde o desenho até a conclusão, todas as fases estão automaticamente associadas e compatibilizadas.

“Podemos dizer que mais do que tecnologia, o BIM ajuda a promover o controle, antecipar as incompatibilidades de projetos e elevar o nível de excelência do setor. A construção civil vem passando por uma verdadeira revolução cultural. Rapidamente está incorporando os avanços tecnológicos, a racionalização e o domínio das ferramentas de gestão. O desafio está sendo o de estimular e implementar essa mudança de cultura. É preciso seguir ampliando limites, alargando o espectro de atuação”, avalia o diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Espírito Santo (Sinduscon-ES), Luiz Claudio Mazzini Gomes.

Obras adiantadas

O resultado da utilização dessa tecnologia é sentido em todas as fases da obra, como avalia o diretor da CG Engenharia, Rodrigo Scardua Gimenes. “O BIM é importante, porque é possível fazer a construção virtual de um modelo. Quando começa a construir esse modelo e executá-lo, você tem a oportunidade de fazer a compatibilização e a integração entre os projetos (arquitetônicos, gás, água) numa mesma ferramenta.”

Projeto do AM 100 da CG Engenharia
Projeto do AM 100, lançamento da CG Engenharia, que utiliza o BIM em todas as fases do projeto. Crédito: CG Engenharia/Divulgação

Gimenes complementa ainda que o sistema facilita o gerenciamento de toda a obra, o seu acompanhamento e execução simultânea, já que não é necessário esperar um profissional entregar um projeto para se iniciar outro, todos são feitos ao mesmo tempo, dentro do BIM, o que facilita a rever ações, diminuir a incerteza e as variações de uma obra.

“E quando a obra é entregue, seus moradores podem administrá-la através do modelo e analisar todo o seu ciclo de vida. Todo mundo ganha: o projetista, que entrega um projeto perfeito, quem está contratando, pois não vai ter tanto trabalho, o cliente e quem vai administrar o imóvel depois”, complementa.

A Kemp adotou a metodologia BIM em 2014, e o gerente de vendas, Lucas Rezende, afirma que a iniciativa trouxe avanço na concepção e compatibilização dos projetos, com menos retrabalho, além de ganho de produção. Desde que começou a utilizar o sistema, a Kemp conseguiu a antecipação de entrega de quatro empreendimentos em até dois anos.

“Além disso, a construtora também trabalha com um planejamento e acompanhamento mensal minucioso de todos os ciclos da obra, que permite traçar estratégias bem objetivas para manter os prazos, e muitas vezes antecipá-los”, observa.

Já a iUrban utiliza o BIM como complementação para outras ações de otimização, como as soluções “off-site”, que são pré-fabricados fora do canteiro de obra, reduzindo o impacto no entorno do empreendimento durante a sua construção e o custo por escala, além de redução de prazos. “Com relação aos projetos, buscamos o máximo de compatibilização entre arquitetura, estrutura, instalações e acabamentos. Ferramentas como o BIM e outras nos ajudam muito pois permitem mais velocidade e precisão de análise. Um projeto bem compatibilizado evita desperdícios e retrabalho durante a execução”, destaca o diretor da iUrban, Leandro Lorenzon.

SAIBA MAIS

O que é BIM?

Modelagem de informação da construção (ou Building Information Modeling, em inglês) é o nome de um processo que começa com a criação de um modelo 3D inteligente e permite ações de gerenciamento da documentação, coordenação e simulação em todo o ciclo de vida do projeto (planejamento, projeto, construção, operação e manutenção).

Para que serve o BIM?

A metodologia BIM é usada para projetar e documentar projetos de edificações e infraestrutura. Todos os detalhes de uma construção são modelados em BIM. O modelo pode ser usado para análise, para explorar as opções de projeto de construção e criar visualizações que ajudam os envolvidos a entender antecipadamente a aparência final da construção. Esse modelo é usado para gerar a documentação do projeto para a fase de construção.

O que é o processo do BIM?

O processo do BIM oferece suporte à criação de dados inteligentes que podem ser usados em todo o ciclo de vida de um projeto de edificações ou infraestrutura. Ele pode ser usado no planejamento, na fase de projeto, na construção e após a entrega da obra.

Fonte: Autodesk

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