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Comerciantes dizem que produtos foram saqueados em Iconha

Cidade está recebendo inúmeras doações e precisa, sobretudo, de materiais de limpeza e higiene pessoal. Mas enquanto muitos ajudam, outros cometem crimes

Publicado em 20/01/2020 às 19h47
Atualizado em 20/01/2020 às 22h25
Em meio ao caos, comerciantes e moradores dizem que estão tendo bens saqueados. Crédito: Reprodução | TV Gazeta
Em meio ao caos, comerciantes e moradores dizem que estão tendo bens saqueados. Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Em meio ao caos que se encontra o município de Iconha, no Sul do Espírito Santo, comerciantes e moradores que tentam se reerguer alegam que pessoas estão saqueando o pouco que lhes restaram. Três dias após a forte chuva que fez estragos na cidade, as ruas ainda estão cheias de lama e imóveis estão condenados.

A cidade foi invadida pela correnteza do rio Iconha na noite de sexta-feira (17). O nível da água subiu cerca de cinco metros, segundo a Defesa Civil, e saiu arrastando o que havia pela frente, inclusive veículos pesados. Três pessoas morreram no município e o número de desaparecidos ainda está em contagem, mas de acordo com os bombeiros são pelo menos cinco. A cidade tem mais de 30 comunidades isoladas.

A cidade está recebendo inúmeras doações e precisa, sobretudo, de materiais de limpeza e higiene pessoal para os moradores. Mas enquanto muitos ajudam, outros aproveitam a oportunidade para cometer crimes. Quem vive em Iconha diz que pessoas estão aparecendo para saquear.

"A gente faz um apelo para que as pessoas tenham consciência de não vir ainda saquear o pouco que restou para cada um. Até casas que não foram afetadas estão sendo saqueadas. Eu acho isso uma desumanidade", disse uma comerciante.

O morador Cleiton, que é dono de uma farmácia, disse que foi ao estabelecimento na manhã desta segunda e quase foi furtado também. "Eu tinha acabado de tirar a minha mochilinha e o meu boné, quando vi o rapaz já tava levando. Gritei pra ele", contou.

SITUAÇÃO DA CIDADE

Três dias depois do temporal que inundou Iconha, a cidade continua debaixo de lama. No Centro da cidade, não tem como comprar nada, todo o comércio foi devastado.

"A água passou de quatro metros, chegou acima da marquise. A gente só se salvou porque foi para o segundo andar", disse o comerciante Marchiori. Também não tem como sacar dinheiro e nem fazer transações bancárias. As agências estão cheias de barro. Caixas eletrônicos e computadores foram destruídos.

Comerciantes limpam mercado em Iconha nesta segunda-feira (20). Crédito: Reprodução | TV Gazeta
Comerciantes limpam mercado em Iconha nesta segunda-feira (20). Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Funcionários da Câmara Municipal passaram a manhã jogando fora móveis e equipamentos de trabalho. Documentos importantes foram perdidos. "Perdemos todos os dados de servidores, dados pros servidores se aposentarem, perdemos todo o acervo da Câmara, tudo o que era dos vereadores também, acervos de cultura do município. Nós perdemos tudo e é irreparável", contou a diretora da Câmara de Vereadores, Neidiane Vieira Coelho.

Uma creche municipal também ficou devastada. O pátio e as salas de aula ficaram cheios de lama. O número de imóveis destruídos ainda não foi contabilizado pela Defesa Civil. Quase todos que ficavam à beira do rio Iconha desabaram ainda durante a correnteza, mas um prédio de três andares caiu na noite de sábado (18).

Um prédio de três andares que ameaça cair foi interditado pela Defesa Civil. O piso foi quase todo arrancado pela enxurrada e o que sobrou está com rachaduras. Os moradores foram orientados a sair de casa, assim como moradores de imóveis vizinhos. Segundo os bombeiros, se o prédio cair, fios de eletricidade podem ser arrancados e parte da rua pode ceder, o que abalaria as estruturas das casas.

FORÇA-TAREFA

Uma equipe de força-tarefa formada por 40 militares do Corpo de Bombeiros foi enviada a Iconha na manhã desta segunda-feira pelo governo do estado. Eles vão trabalhar, principalmente, nas buscas por desaparecidos e acesso a comunidades que estão isoladas no interior. Cães farejadores estão sendo usados. Antes da chegada da força-tarefa, 150 militares já trabalhavam na cidade.

MORTES

Em Iconha, um dos mortos foi o aposentado Antenor Sabino, de 62 anos, que era morador do distrito de Bom Destino. O corpo dele foi encontrado por um vizinho na madrugada de sábado (18). Segundo testemunhas, ele foi levado pela força da água quando parou para observar a correnteza do rio.

Outra pessoa que morreu também era da comunidade de Bom Destino e a identificação não foi informada. A terceira morte de Iconha foi na localidade de Campinho, que está isolada. A vítima é um homem, que teve o corpo resgatado por um helicóptero neste domingo (19).

O aposentado Antenor Sabino, de 62 anos, é um dos que morreram em decorrência do temporal em Iconha. Crédito:  Reprodução/TV Gazeta
O aposentado Antenor Sabino, de 62 anos, é um dos que morreram em decorrência do temporal em Iconha. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

Em Alfredo Chaves, outro município que foi bastante afetado pela chuva de sexta-feira, três pessoas também morreram. Um casal de idosos morreu soterrado em um deslizamento de terra no bairro Cachoeirinhas. Os corpos das vítimas foram encontrados no final da tarde deste domingo (19).

O neto do casal, que também estava em casa, foi resgatado. Ele foi levado para o Hospital São Lucas, em Vitória, onde foi atendido e recebeu alta na tarde de sábado (18).

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Com informações de G1 ES

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