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Quem é Sergio Vidigal, prefeito eleito na Serra

Médico psiquiatra, Vidigal já foi candidato a governador do Estado e esteve presente em todas as eleições da Serra, direta ou indiretamente, desde 1996. Pedetista desde 1988, quase foi expulso por votar contra Dilma em 2016

Vitória
Publicado em 01/12/2020 às 17h20
Sérgio Vidigal (PDT) é eleito prefeito da Serra
Sergio Vidigal (PDT) durante seu discurso da Vitória, ao se eleger no último domingo. Crédito: Fábio Vicentini

Um dos políticos mais experientes da Serra em atividade, o prefeito eleito do município, Sergio Vidigal (PDT), já foi candidato nove vezes, entre 1988 e 2020, sempre contando com uma fiel base de votos na cidade. Com um mandato de vereador na Serra (1989-1992) e um de deputado estadual (1994-1996), o pedetista venceu a primeira eleição para prefeito em 1996, quando era a aposta da renovação política em uma cidade que, durante 20 anos, elegia como prefeito ou José Maria Miguel Feu Rosa (PTB) ou João Baptista Motta (PSDB).

Em 2020, após sair vitorioso na quarta eleição para prefeito, o atual deputado federal promete encerrar a carreira política em 2024, ao fim do próximo mandato no Executivo municipal.

Nascido em Vitória em 1957, Vidigal iniciou a história dele na Serra em 1981. Médico recém-formado, atuou como psiquiatra na rede estadual de Saúde no município. Filiou-se ao PDT em 1988, quando foi eleito vereador e iniciou a trajetória política. Em 1994, elegeu-se deputado estadual e, em 1996, apoiado por movimentos sociais, venceu uma das famílias mais tradicionais da política serrana naque período, os Feu Rosa. Ele ganhou a eleição contra João Miguel Feu Rosa (PSDB), que era irmão do ex-prefeito José Maria Feu Rosa e era apoiado pelo então prefeito João Baptista Motta.

Desde então, Vidigal esteve presente em todas as eleições municipais da cidade. Foi reeleito em 2000 e, em 2004, apoiou seu então secretário de Administração, Audifax Barcelos (na época no PDT), como seu sucessor no cargo.

Em 2006, impulsionado por uma boa avaliação ao fim do mandato, Vidigal deu seu salto mais ousado e se candidatou a governador do Estado. Ele ficou em segundo lugar, mas com quase 1 milhão de votos a menos que o governador eleito, Paulo Hartung (na época no PMDB).

Em 2008, Audifax queria concorrer à reeleição, mas o partido cedeu a vez a Sergio Vidigal, causando o rompimento dos dois.

Em 2012 e 2016, os dois se enfrentaram em confronto direto nas urnas. Das duas vezes, Audifax levou a melhor, primeiro pelo PSB e, depois, pela Rede. Em 2020, o atual prefeito apoiou o vereador Fabio Duarte (Rede) como seu candidato à sucessão. Coincidentemente, o parlamentar havia sido eleito na chapa do PDT de Vidigal em 2016.

Sergio Vidigal, deputado federal do ES pelo PDT
Sergio Vidigal, deputado federal do ES pelo PDT. Crédito: Agência Câmara

VIDIGAL COMO DEPUTADO FEDERAL

Vidigal foi eleito deputado federal por dois mandatos. Na primeira vez que se candidatou, em 2014, foi o mais votado do Espírito Santo para a Câmara, com 161.744 votos, mais de 96 mil deles na Serra.

No site dele, o prefeito eleito elenca como principais projetos a lei 13.505/2017, de sua autoria, que aprimora o atendimento a mulheres em situação de violência, e a lei que reconhece Santa Teresa como precursora da imigração italiana no Brasil.

Um dos momentos polêmicos do seu mandato foi durante a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, quando quase foi expulso do PDT, partido que esteve filiado em toda sua história política. O PDT, aliado do PT naquele período, havia orientado que a sua bancada votasse contra a cassação do mandato da petista, mas Vidigal votou a favor. O partido chegou a dar entrada no processo de expulsão do deputado, mas não levou o caso adiante.

PROCESSOS

No final do ano passado, Vidigal virou réu em uma ação de improbidade administrativa, em uma denúncia oferecida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por ter terminado a gestão, em 2012, sem deixar recursos suficientes em caixa. O caso ainda está em análise pela Justiça.

Ele também já foi condenado, em segunda instância, por nepotismo, por ter nomeado a irmã dele como assessora na prefeitura. No entanto, ele não teve os direitos políticos suspensos. Ele recorre da decisão.

Fábio e Vidigal
Vidigal no debate de segundo turno para a Prefeitura da Serra. Crédito: Fernando Madeira

ALIADOS

O PDT de Vidigal está na base aliada do governador Renato Casagrande (PSB) e apoiou a eleição do socialista em 2018. O partido também está na gestão estadual e tem o secretário de Esportes, Junior Abreu (PDT), como representante do partido no Palácio Anchieta.

Outro aliado de longa data  e amigo de Vidigal é o ex-senador Magno Malta (PL). O PL de Magno também apoiou Vidigal no segundo turno das eleições de 2020, depois que o candidato do partido, o deputado estadual Alexandre Xambinho (PL), saiu do páreo. Magno já apoiou Vidigal em outras eleições.

Neste pleito, Vidigal ainda contou com o deputado federal Josias da Vitória (Cidadania) como parceiro político. O parlamentar levou o partido para coligação do prefeito eleito, que também teve Solidariedade, PSL e PSD. Desde o primeiro turno, PT também apoiou Vidigal, mas extraoficialmente, sem fazer parte da coligação. No segundo turno, além de Xambinho, Vidigal recebeu o apoio do Republicanos e da candidata derrotada a prefeita da Serra Luciana Malini (PP).

Sérgio Vidigal votou pela manhã na Serra
Sergio Vidigal ao lado do vice, Thiago Carreiro. Crédito: Elis Carvalho

CAMPANHA ELEITORAL

O ano eleitoral na Serra começou com um dos fatos políticos mais marcantes da pré-campanha: a mudança do domicílio eleitoral do deputado federal Amaro Neto (Republicanos) para o município. Em 2018, ele foi o segundo deputado mais votado no município, com 37.907 votos, atrás apenas de Vidigal, que teve 46.504.

A transferência de título do competitivo Amaro Neto gerou tremores no tabuleiro político de toda a Grande Vitória. Até o atual prefeito da Serra, Audifax Barcelos, principal adversário de Vidigal, cogitou apoiar o parlamentar como candidato a prefeito.

A candidatura não se concretizou. Nos bastidores, mais por vontade de Amaro do que do Republicanos.

Vidigal enfrentou o pleito mais pulverizado de todas as eleições que participou para prefeito da cidade, disputando contra oito candidatos. Durante a campanha, foi atacado por todos eles, alguns de forma branda, outros de maneira mais incisiva. A principal crítica era a de que ele representava a falta de alternância na Prefeitura da Serra, já que desde a eleição de 1996 ele e Audifax polarizam a política no município.

Apesar de as pesquisas indicarem boas chances de ele ser eleito ainda no primeiro turno, Vidigal foi para o segundo turno disputando o cargo com Fabio Duarte, apoiado por Audifax.

O deputado federal contava com uma boa margem de votos, ao abrir quase 60 mil votos de diferença para Fabio. Enquanto aliados esperavam uma vitória esmagadora no segundo turno, Fabio se mostrou um adversário competitivo e a disputa terminou com Vidigal com 111.920 votos e o redista com 91.931, uma diferença de 20 mil votos.

No discurso da vitória, Vidigal falou da sua decepção por "pessoas com quem dividiu o pão" terem se virado contra ele, mas pregou a união da política da Serra. Ele reafirmou que esse será seu último mandato e que voltará a ser médico a partir de 2024, terminando sua carreira "do mesmo jeito que começou".

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