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Operação Rubi: TJES mantém prefeito de Marataízes no cargo

Ministério Público sustenta que Robertino Batista ganhou viagem de empresários para ver o Cirque du Soleil como vantagem indevida paga por empresários

Publicado em 03/12/2019 às 19h18
Robertino Batista vai continuar à frente da Prefeitura de Marataízes. Crédito: Divugação/Prefeitura de Marataízes
Robertino Batista vai continuar à frente da Prefeitura de Marataízes. Crédito: Divugação/Prefeitura de Marataízes

O desembargador Fernando Zardini, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), negou, nesta terça-feira (3), o pedido do Ministério Público Estadual (MPES) para afastar o prefeito de Marataízes, Robertino Batista, do cargo. O prefeito foi denunciado por corrupção, em novembro, no âmbito da Operação Rubi. Ele já havia sido preso durante a mesma operação, em maio.

Mas a prisão foi em flagrante, por posse ilegal de arma, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa dele. Na ocasião, Tininho, como é conhecido, pagou fiança e foi liberado. 

Na denúncia, o MPES apontou que o prefeito solicitou e recebeu vantagens indevidas na relação com sócios da empresa Limpeza Urbana, que mantinha contrato com o Executivo municipal.  E pediu o afastamento dele do cargo por 180 dias. 

Ainda de acordo com o Ministério Público, em troca do superfaturamento dos valores resultantes da prestação do serviço, os proprietários da empresa, Marcelo Marcondes Soares e José Carlos Marcondes Soares, fariam repasses mensais ao prefeito. A Operação Rubi é a mesma que levou à prisão da prefeita de Presidente Kennedy, Amanda Quinta, que foi afastada do cargo

CIRQUE DU SOLEIL

Os irmãos Soares chegaram a pagar uma viagem para São Paulo, com exceção do valor das passagens, para o prefeito e a primeira-dama de Marataízes. Os empresários também foram junto com as respectivas esposas. O objetivo: assistir aos espetáculos do Cirque du Soleil e O Fantasma da Ópera.  

A "cortesia" seria uma contrapartida pelo pagamento de R$ 4 milhões que os irmãos esperavam receber da prefeitura em repasse para a empresa Limpeza Urbana. A viagem ocorreu em abril deste ano. Os sócios da Limpeza Urbana também foram denunciados. 

Na deflagração da Operação Rubi, o MPES também já havia pedido o afastamento do prefeito de Marataízes, o que também foi negado pelo TJES.

O desembargador Zardini lembrou daquela ocasião e de que os fatos narrados na denúncia para pedir o afastamento desta vez são os mesmos. "Na atualidade, à míngua de elementos novos a justificar a alteração do entendimento do magistrado que me substituía, inviável acolher a postulação", escreveu Zardini.

DELAÇÃO

"O suposto esquema de corrupção entre o alcaide municipal e os representantes da pessoa jurídica Limpeza Urbana Serviços LTDA ME parece ter sido desarticulado, valendo lembrar, inclusive, que o denunciado Marcelo Marcondes Soares firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público do Espírito Santo, comprometendo-se a apresentar provas de participação de agentes públicos e particulares nas tratativas ilícitas de que tenha tomado parte. Com isso, pode-se presumir que as ilegalidades tenham cessado a partir de então", completou. 

O magistrado também entendeu que não há risco concreto de que o prefeito tenha a intenção de atrapalhar a atuação da Justiça. Além disso, avaliou que a investigação já conseguiu obter material relevante.

"Assim, deve ser indeferido o pedido de afastamento funcional cautelar formulado pelo Ministério Público."

O advogado Roberto Butter, que defende Marcelo Marcondes, disse não ter sido comunicado oficialmente sobre a denúncia oferecida pelo Ministério Público. Felipe Osório, que defende Robertino Batista, não deu retorno às tentativas de contato da reportagem.  José Carlos Marcondes segue foragido.

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