Repórter / [email protected]
Publicado em 28 de setembro de 2021 às 13:28
O prefeito de São Mateus, Daniel Santana Barbosa, o Daniel da Açaí (sem partido), é apontado pela Polícia Federal como o líder de um esquema criminoso que desviava recursos públicos do município. Segundo as investigações, o chefe do Executivo municipal se autocontratava através de empresas que pertencem a ele e estavam no nome de laranjas. A Operação Minucius investiga 19 pessoas e aponta que o volume contratado pelas empresas suspeitas gira em torno de R$ 50 milhões. >
“Os indícios demonstram que ele era o líder dessa organização, como agente político. Ele selecionava as pessoas que trabalhariam com ele, indicava os laranjas das empresas que movimentavam os seus recursos”, afirmou o superintendente regional da Polícia Federal, Eugênio Ricas.>
As investigações apontam que uma organização criminosa se formou dentro da Prefeitura de São Mateus. As licitações fraudadas eram previamente acordadas, de forma que os certames licitatórios eram burlados. >
Eugênio Ricas
Superintendente regional da Polícia FederalRicas ainda explicou: "O principal membro da organização criminosa se valia de laranjas para criar empresa e movimentar todos os recursos. Propriedades rurais foram adquiridas, muito dinheiro foi encontrado na residência hoje, no cumprimento de mandado de busca e apreensão. Todo um esquema criminoso que foi criado para desviar recursos públicos da prefeitura de São Mateus".>
>
O procurador regional da República, Carlos Aguiar, ressaltou que a investigação contou com a participação da Polícia Federal, da Controladoria Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF), porque parte dos recursos desviados eram federais, como os destinados à construção das recém-inauguradas casas populares do município:>
"Envolvem verbas para o combate à pandemia e repasses de obras federais para a realização de obras. Uma das mais importantes e que foi inclusive objeto de recente inauguração, a construção de casas populares contou com verbas federais e foi conduzida por uma das empresas que têm um dos sócios como laranja do prefeito", afirmou Aguiar. >
Carlos Aguiar
Procurador regional da RepúblicaO superintendente da Polícia Federal ressaltou que o valor total movimentado no esquema criminoso ainda carece da quebra do sigilo bancário e fiscal, mas que informações da Controladoria Geral da União (CGU) apontam que o volume contratado pelas empresas suspeitas gira em torno de R$ 50 milhões.>
Segundo Ricas, a organização criminosa tinha um esquema piramidal, em que cada pessoa tinha uma função bem definida.>
"Ele (o prefeito) tinha pessoas que trabalhavam dentro da prefeitura indicando qual seria o papel de cada empresa em cada certame licitatório, os empresários que se beneficiavam com isso, que tinham as empresas e contratavam com a prefeitura, se beneficiavam com os recursos que vinham, em alguns casos, federais, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério do Turismo", ressaltou o superintendente da PF.>
Eugênio Ricas
Superintendente regional da Polícia Federal no Espírito SantoA Operação Minucius apura os crimes de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes a licitações praticados pelo prefeito da cidade e outros 18 investigados, entre empresários e assessores.>
Foram cumpridos sete mandados de prisão temporária e 25 de busca e apreensão, em residências e empresas nos municípios de São Mateus, Linhares e Vila Velha. Dentre os presos, está o prefeito de São Mateus, uma das controladoras do município, seu operador e quatro empresários suspeitos de ligação com o esquema criminoso.>
Prefeito de São Mateus e empresários são presos em operação da PF
A Gazeta entrou em contato com a Prefeitura de São Mateus, que informou que só vai se manifestar quando tiver acesso aos autos do processo.>
*Com contribuição de Eduardo Dias, da TV Gazeta Norte>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta