O município de Vila Velha está entre os que possuem o maior número de eleitores e extensão territorial da Grande Vitória, e ao mesmo tempo, uma das menores receitas por habitante. A um ano das eleições de 2020, a quantidade de candidaturas ao cargo máximo da administração municipal é proporcional ao desafio: são pelo menos dez nomes que se colocam, ou são colocados por seus partidos, como pré-candidatos. Os movimentos políticos já estão a todo o vapor (veja a lista ao final do texto).
Se as eleições fossem hoje, haveria "de tudo um pouco" no cenário. O atual prefeito, Max Filho (PSDB), é o único da Grande Vitória que buscar mais um mandato. Também há políticos já conhecidos pelo eleitor canela-verde, e ainda, opções que se colocam como parte do movimento da renovação, apesar de pouco conhecidas pela massa do eleitorado.
É muito provável que entre tantos postulantes a lista de nomes que efetivamente vai às urnas seja reduzida pelo menos à metade, já que muitos nomes se colocam para testar seu potencial. E a leitura feita nos bastidores, pelo menos no cenário de hoje, é a de que é possível que nomes que rivalizaram duramente no passado possam caminhar juntos, em algum tipo de composição.
Só da Assembleia Legislativa há quatro nomes interessados em disputar a Prefeitura de Vila Velha. Hoje, todos dizem que não abrem mão de disputar: Hércules Silveira (MDB), Hudson Leal (Republicanos), Danilo Bahiense (PSL) e Rafael Favatto (Patriota). Lideranças tradicionais da cidade, como o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) e o presidente da Câmara, Ivan Carlini (DEM), também se mantêm com os nomes "à disposição", além do vereador Arnaldinho Borgo (MDB).
Com o perfil oposto, há a empresária Tayana Dantas (Cidadania), filha do proprietário da UVV e uma das fundadoras de um movimento cívico no município; e uma possibilidade de candidatura pelo partido Novo, que colocou Vila Velha entre as 12 cidades do país que se viabilizaram para realizar um processo seletivo interno para escolher um candidato. O procurador federal Dalton Morais é uma opção do partido.
Articulações
Até poucos meses tido como muito improvável, a quebra do gelo entre os adversários Max Filho e Neucimar Fraga, que ocorreu nas últimas semanas, pode ser um dos novos ingredientes a compor o cenário eleitoral de Vila Velha. Apesar dos posicionamentos políticos ainda diferentes, após o último encontro, as portas ficaram abertas para continuarem conversando, mas "sem nenhum compromisso político".
A candidatura de Max é dada como natural e certa pelos atores políticos do município, e tida como estratégica pelo PSDB estadual. "Estou jogando parado, em uma fase Maxzinho paz e amor. Como estamos na gestão, o foco é na administração. Eleição é para discutir em momento oportuno. Quem tem procurado antecipar o debate, é quem está na oposição", afirmou o prefeito.
O ex-prefeito Neucimar diz estar focado no trabalho no setor privado e sem fazer grandes movimentações eleitorais. Ele ainda estaria deixando a prefeitura em um segundo plano, nas pretensões eleitorais, já que há a possibilidade de ficar com uma vaga na Câmara dos Deputados, como suplente, se Norma Ayub (DEM) ou Sérgio Vidigal (PDT) se elegerem em Marataízes ou Serra, respectivamente. "Vou analisar o cenário político, lá na frente vou tomar a decisão, com base em informações atualizadas do momento. Mas o PSD vai trabalhar um nome em Vila Velha", declarou.
O PSB, partido do governador Renato Casagrande, também pode ter um papel de peso nas costuras. A sigla poderia tanto indicar um nome, como o do secretário de Controle e Transparência, Edmar Camata, ou os do deputado federal Ted Conti, do vereador João Artem ou do professor Junior Bola, hoje em um cargo de assessor especial do governo do Estado. "O partido também poderia indicar o vice do Max, que está muito próximo do governador, e dessa forma ele amarra um monte de pontas", indica um político que tem participado das articulações.
O presidente do PSB, Carlos Rafael, ainda mantém a cautela. "Existem quadros preparados, vontade de crescer nos colégios eleitorais da Grande Vitória, mas esses movimentos serão mais a partir do ano que vem, inclusive pois precisamos respeitar os prazos de desincompatibilização". Membros do governo que eventualmente forem disputar as eleições precisam deixar os cargos seis meses antes do pleito, de acordo com a legislação eleitoral.
Movimentos
Enquanto uma parcela dos cotados à Vila Velha prefere fazer suspense e não admitir as pré-candidaturas, uma outra parte já está declaradamente em busca de apoios e de viabilização. "Agora é hora de gastar sola de sapato. Estou andando muito e fazendo contato com lideranças religiosas, jovens, do comércio, já que sabemos que vamos enfrentar uma candidatura que conta com a máquina", afirmou o deputado estadual Hudson Leal, em relação ao prefeito.
Já Hércules Silveira, que chegou a apoiar Max Filho em 2016, considera que agora é um novo momento. Nos bastidores, a avaliação é a de que o deputado não tem feito movimentos mais específicos como pré-candidato, mas é visto como um nome forte. "Meu respeito e amizade permanecem, mas Max já foi prefeito três vezes. Queremos um movimento para trabalhar quem ainda não foi. E a possibilidade maior do MDB ganhar uma prefeitura da Grande Vitória é com meu nome", considera o deputado.
Veja a lista dos nomes que podem figurar nas urnas de Vila Velha em 2020: