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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica aqui, diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Presidente nacional do PSDB: “Reeleição de Max Filho é prioridade para o partido”

Em Vila Velha, Bruno Araújo lança candidatura do prefeito, diz que Vandinho Leite concorrerá à Prefeitura da Serra e que tucanos querem ter candidato próprio em Vitória. Pazolini é forte opção: "Tenho ótimas referências  sobre ele"

Publicado em 04/10/2019 às 06h00
Atualizado em 04/10/2019 às 06h01
Bruno Araújo quer a releição de Max em Vila Velha. Crédito: Amarildo
Bruno Araújo quer a releição de Max em Vila Velha. Crédito: Amarildo

O prefeito de Vila Velha, Max Filho, tem total apoio do PSDB para concorrer à reeleição no ano que vem. A direção nacional do partido não só entende que ele deve renovar o mandato como considera a reeleição de Max “uma prioridade nacional do partido”. Quem o afirma é o presidente dos tucanos no país, Bruno Araújo, ex-deputado federal por Pernambuco e ex-ministro das Cidades (governo Temer).

Araújo foi o convidado de honra da convenção do PSDB de Vila Velha, realizada na noite desta quinta-feira (3) na Câmara Municipal, para a escolha do novo diretório do partido na cidade. “A nossa vinda a Vila Velha é para dar uma demonstração clara e para dizer que a reeleição de Max é uma prioridade nacional. Há unidade nacional do partido em torno disso”, afirma o presidente nacional, em entrevista à coluna.

Araújo também lança o deputado estadual Vandinho Leite, presidente tucano no Espírito Santo, a prefeito da Serra em 2020. Garante, ainda, que o PSDB terá candidato próprio em Vitória. Hoje sem partido, o deputado estadual Lorenzo Pazolini tem convite de filiação. Araújo diz ter recebido "ótimas referências" sobre o deputado.

Dependendo do resultado nas eleições municipais do ano que vem, o PSDB pode voltar a apresentar candidato próprio na eleição ao governo do Espírito Santo em 2022, completa Araújo. “O Max, o César Colnago, os nosso deputados... Temos ótimas alternativas aqui.”

Sobre a posição político-ideológica do PSDB no tabuleiro nacional após a eleição de Bolsonaro e a ascensão de João Doria internamente como principal líder tucano, Araújo reconhece que a legenda precisa “assumir uma nova cara”. Isso não quer dizer, contudo, uma guinada à direita. O partido, segundo ele, seguirá liberal na economia e defensor de reformas como a da Previdência.

Ao mesmo tempo, "continua sendo um partido que prega a tolerância e entende que isso é fundamental para a democracia do país. A intolerância só tem dividido o Brasil".

Confira a entrevista na íntegra:

A direção nacional do PSDB de fato entende que Max Filho deve ser candidato à reeleição?

Não só entende como é uma prioridade nacional do partido. Vila Velha é um dos municípios mais importantes do país. É importante que a reeleição de Max possa confirmar toda a dedicação que houve ao longo desta gestão que começa a dar frutos mais objetivos que se colhem a partir de agora neste terceiro ano e no quarto ano de mandato. Ficamos muito contentes de entender que, em alguns dos principais municípios do Espírito Santo, trabalhamos com a participação consistente na disputa eleitoral tanto aqui como também com o deputado Vandinho Leite na Serra, e ainda buscando uma alternativa para disputar a Prefeitura de Vitória. A nossa vinda a Vila Velha é para dar uma demonstração clara e para dizer que a reeleição de Max é uma prioridade nacional. Há unidade nacional do partido em torno disso.

Vandinho também será candidato, sem dúvida, a prefeito da Serra?

Sim. Isso fortalece nossa participação no Estado, garantindo a nossa participação em dois dos principais municípios capixabas e na capital. A prioridade do partido é a eleição de prefeitos em municípios com mais de 200 mil habitantes.

E em Vitória, com que nome vocês trabalham hoje?

Estamos construindo isso. Temos conversado com o Vandinho e com o ex-vice-governador César Colnago. Eles têm se dedicado a buscar alternativas. E estou entusiasmado com as informações que tenho recebido.

O deputado estadual Lorenzo Pazolini, que tem convite de filiação ao PSDB, é uma alternativa em Vitória?

Não conheço o Lorenzo. Mas tenho ótimas referências sobre ele. É um parlamentar muito referenciado e todos apostam em seu futuro político.

Vocês trabalharão para firmar uma aliança com o PSB em Vila Velha e para que essa candidatura tenha o apoio do governador Renato Casagrande?

Todo apoio que tenha conexão com o programa de governo e com as propostas defendidas pelo Max é bem-vindo. O processo de construção política se dá somando. Não havendo incompatibilidade com posições defendidas pelo prefeito, será muito bem-vindo.

Em novembro de 2017, Max perdeu para César Colnago a disputa pela presidência do PSDB no Espírito Santo. Em março de 2018, ele ameaçou sair do partido para concorrer ao governo do Estado. O senhor acha que isso ficou para trás? Ele fica?

O maior sinal disso é que estou tendo a alegria de conceder esta entrevista para você tendo aqui ao meu lado o Max, o Vandinho e o ex-governador César Colnago. Essa é a maior demonstração da nossa unidade e tenho certeza que essa eleição municipal pode projetar o partido até para lançar candidato próprio ao governo do Espírito Santo em 2022.

Esse candidato eventualmente poderá ser o próprio Max, sobretudo se ele for reeleito prefeito em 2020?

O Max, o César Colnago, os nossos deputados... Temos ótimas alternativas aqui.

No âmbito nacional, qual é a meta do PSDB nas eleições municipais do ano que vem?

Na última eleição municipal, em 2016, tivemos a maior vitória política de um partido desde o processo de redemocratização. Dois anos depois, no ano passado, fomos impactados pelo resultado eleitoral [o partido teve pífios 4,76% dos votos válidos com Geraldo Alckmin na eleição à Presidência e o próprio Araújo não conseguiu eleger-se senador por Pernambuco]. Isso demonstra que, num intervalo muito curto, as coisas mudam com muita velocidade. O partido com certeza vai se fortalecer em 2020, sobretudo assumindo uma cara nova, assumindo posições claras nos temas difíceis de tratar nas discussões nacionais, para que o PSDB possa continuar sendo um dos três partidos com o maior número de prefeituras do Brasil.

Falando nessa “cara nova”, o PSDB nasce como um partido de centro-esquerda. Com a ascensão de Geraldo Alckmin, o partido dá um passo à direita. E, com a ascensão de João Doria, outro passo ainda mais à direita. O governador de São Paulo fez a campanha "Bolsodoria" e tem mostrado forte conservadorismo em questões comportamentais. Afinal, qual é a identidade ideológica do PSDB hoje?

Primeiro que, respeitosamente, é controversa a sua avaliação. Já em 1989, um ano depois de criado, o PSDB concorreu à Presidência com Mario Covas dizendo que o Brasil precisava de um “choque de capitalismo”. Era uma posição de vanguarda econômica para a época. Durante o governo FHC, o PSDB era atacado pela oposição como “neoliberal”. Mas o mais importante, para responder de forma objetiva à sua pergunta, é que o PSDB, em dezembro, fará o maior congresso da história de um partido no Ocidente, para decidir como se posiciona em uma série de questões. Serão convidados e terão acesso à votação 1,4 milhão de filiados ao PSDB no Brasil inteiro. Obviamente o número de participantes será bem mais baixo que isso, porque o grau de engajamento é bem menor. Mas o partido estará aberto a decidir suas posições sobre os temas da vida do brasileiro. Temas como maioridade penal, posicionamentos em relação ao governo Bolsonaro, enfim, um conjunto de temas que o partido vai submeter aos filiados, para ter clareza na sua cara e nas suas posições. O PSDB não enxerga nenhuma saída para o país que não seja liberal no campo da economia para gerar emprego e renda. E continua sendo um partido que prega a tolerância e entende que isso é fundamental para a democracia do país. A intolerância só tem dividido o Brasil.

Na relação com o governo Bolsonaro, como o PSDB se define hoje?

O PSDB entregou agora a reforma da Previdência, desde a concepção do projeto, que teve participação imensa do Rogério Marinho [secretário de Previdência e Trabalho do governo Bolsonaro e ex-deputado federal do PSDB-RN], ao parecer do senador Tasso Jereissati na CCJ do Senado.

O senhor acha que a reforma da Previdência foi, primordialmente, uma obra do PSDB?

Não, não… Seria muita presunção da minha parte. O que estou dizendo é que isso demonstra que uma grande contribuição política e intelectual foi dada por um partido que teve coragem de defender a reforma da Previdência há vinte anos e agora volta a fazê-lo de forma efetiva. É uma demonstração de que o PSDB não defende reformas olhando quem está sentado na cadeira. É um partido que contribui com o que for necessário para gerar emprego e renda e superar a maior crise econômica nacional das últimas décadas. Ao mesmo tempo, um partido que segue vigilante na cobrança da tolerância como algo fundamental para a preservação da democracia.

Rapidamente: direita, centro ou centro-esquerda?

Brasil com resultado e com emprego e renda.

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