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Eleição divide a Igreja: padres postam vídeos sobre disputa para prefeito de Vitória

Párocos das principais igrejas da Capital ficam divididos entre o apoio e as críticas ao padre Kelder, que durante uma missa sugeriu apoio a um dos candidatos no 2° turno

Vitória
Publicado em 26/11/2020 às 04h30
Padres de Vitória se dividiram ao falar sobre a eleição na Capital
Padres de Vitória se dividiram ao falar sobre a eleição na Capital. Crédito: Reprodução

Pelo menos quatro dos 14 párocos de igrejas católicas de Vitória utilizaram as redes sociais para falar sobre a eleição municipal e o espaço que os padres têm para manifestar seus posicionamentos políticos. O tema entrou em debate no último domingo (22), quando o padre Kelder Brandão, da paróquia Santa Teresa de Calcutá, em Itararé, sugeriu que apoia o projeto de João Coser (PT) para a prefeitura da Capital, sem citar o nome do petista.

No altar da igreja, durante a missa, o padre disse que a eleição municipal tem dois projetos na disputa do segundo turno: o de um membro da comunidade, "que já foi gestor e fez uma boa gestão aqui no município", sugerindo que estava falando de Coser, único da disputa do 2º turno que já foi prefeito da Capital; e um outro candidato "patrocinado por grupos fundamentalistas e por inimigos públicos da Igreja". O outro candidato no segundo turno é Lorenzo Pazolini (Republicanos).

O vídeo do discurso viralizou nas redes sociais e em aplicativos de mensagens. Como registrou o colunista Vitor Vogas, o frei Agostinho Morosini, da paróquia da Praia do Canto, gravou um vídeo criticando o posicionamento do colega de batina, dizendo, sem citar o nome de Kelder, que o padre, ao agir daquela forma, "se coloca como inimigo da Igreja, na medida em que causa divisão na comunidade, com discursos politizados".

Curiosamente, Kelder e Agostinho faziam parte até 2017 da mesma paróquia, já que a igreja de Itararé pertencia à paróquia da Praia do Canto, comandada por Agostinho desde 2016. Em 2017, o então arcebispo de Vitória, Dom Luiz Mancilha Vilela, criou em Itararé a paróquia de Santa Teresa de Calcutá, com padre Kelder como pároco.

Em um tom mais brando, o padre Adenilson Schmidt, da paróquia de São Francisco de Assis, de Jardim da Penha, publicou nas redes sociais um comunicado sobre o episódio. Ele esclareceu que o caso não ocorreu em sua paróquia, como sugeriram algumas mensagens na internet, discordou do uso do altar para manifestações políticas, e pediu respeito ao padre Kelder. Padre Adenilson disse que sua posição poderia ser convergente ou divergente da do padre de Itararé, mas que sua opinião era pessoal e que preferia não se expor.

"Não comungo com essa maneira de se posicionar perante a sociedade. Respeito, mas não é minha maneira de se posicionar. A Igreja não tem posicionamento para qual pessoa você deve votar, mas ela deixa claro a liberdade de consciência para cada um. O que nós podemos, na verdade, é alertar que as pessoas busquem os candidatos que estão em concordância com o posicionamento da Igreja. Se os partidos defendem as pautas da Igreja, eu diria, você está escolhendo um bom candidato. Analisem as propostas. Em primeiro lugar, nós devemos seguir um posicionamento correto. E o posicionamento correto é a doutrina social da Igreja e o seu magistério, é a ele que devemos seguir”, disse padre Adenilson.

"UM PROJETO DA VIDA, OUTRO DA MORTE"

Já o padre Manoel David Neto, pároco da paróquia São Pedro, na Vila Rubim, saiu em defesa a Kelder. Ele também gravou um vídeo e pediu atenção aos fiéis, lembrando que “escolhendo mal, nós vamos sofrer por quatro anos com uma escolha errada”. Ele também não cita nenhum candidato, mas deixa claro que há um “projeto da vida” e outro “da morte”.

"Padre Kelder, receba meu abraço e minha solidariedade. Acima de tudo, a todos paroquianos da paróquia São Pedro da Vila Rubim e aqueles a quem chegar esse vídeo: a vida em primeiro lugar, não aos projetos de morte que querem apenas o poder pelo poder. Votem bem, seguindo sua consciência, mas saibam que escolhas erradas agora vão nos penalizar por quatro anos”, afirma Manoel.

ARQUIDIOCESE DE VITÓRIA NÃO SE MANIFESTA

A reportagem procurou a Arquidiocese de Vitória, instituição à qual as 14 paróquias de Vitória estão subordinadas, para saber se ela se manifestaria sobre as divergências entre os padres. A instituição não comentou o caso, mas reenviou uma nota distribuída em outubro com a orientação para os religiosos.

Nela, a Arquidiocese aponta que o processo eleitoral exige dos católicos uma avaliação criteriosa dos candidatos. O documento aponta alguns valores como a democracia, a verdade, a solidariedade e o enfrentamento à fome, que os católicos devem procurar nos seus candidatos. A nota também proíbe padres de se candidatar. O documento pode ser acessado clicando neste link.

A reportagem tentou contato, nesta quarta-feira, com o padre Kelder, mas não teve retorno.

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