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Câmara de Vitória: parlamentar ataca professores e manda vereadora calar a boca

Sessão da Câmara terminou em bate-boca entre parlamentares. Vereadora pretende entrar com representação contra colega na Corregedoria da Casa; veja vídeos da confusão

Tempo de leitura: 4min
Publicado em 01/12/2021 às 18h45

O plenário da Câmara de Vitória foi novamente palco de desrespeito, gritaria e agressões verbais. Na manhã desta quarta-feira (01), o vereador Gilvan da Federal (Patriota) ofendeu os professores da rede pública municipal presentes na sessão e em seguida emendou em uma discussão com a vereadora Camila Valadão (Psol), mandando-a calar a boca.

O vereador chamou os profissionais do magistério da Capital de “canalhas”, “covardes” e disse que eles deveriam ser demitidos por serem “comunistas marxistas” e passar “dever de casa LGBT” para as crianças.

O Sindicato dos Servidores Municipais de Vitória (Sindsmuvi) foi à Câmara para usar a tribuna livre. Na fala oficial, a presidente da entidade, Waleska Timóteo, discursou sobre a valorização dos profissionais da educação no projeto de orçamento da Prefeitura de Vitória para o próximo ano.

Gilvan e Camila bateram boca no plenário da Câmara, enquanto Piquet tentou apartar discussão
Gilvan da Federal e Camila Valadão bateram boca no plenário da Câmara, enquanto Piquet tentou apartar discussão. Crédito: Reprodução de vídeo

“Depois (da minha fala), foi dada a palavra aos outros vereadores e todos elogiaram e até concordaram coma gente. Que era importante a discussão sobre a valorização do servidor. Quando chegou a vez do Gilvan ele começou a agressão”, lembra Waleska.

Ela conta que havia cerca de 70 pessoas nas galerias, que acompanhavam a sessão e reagiram às falas do vereador do Patriota.

“O prefeito Lorenzo Pazolini é muito ‘bonzinho’. Se eu estivesse lá vocês iam tomar processo administrativo disciplinar até serem demitidos. Vocês são uma vergonha para a educação de Vitória. Fica emboscando criança com ideologia de gênero”, disse durante seu momento ao microfone.

Ao ouvir manifestações dos presentes, ele emenda “cala a boca aí, comunista”.

Quando terminou seu tempo regulamentar de fala, Gilvan se levantou e se dirigiu diretamente às pessoas que assistiam à sessão. “Canalhas! Vocês ficam emboscando criança na escola com ideologia de gênero. Com criança é fácil, quero ver com um homem. Covarde!”, afirmou de pé, já fora do microfone.

O momento foi capturado em vídeo por pessoas que estavam presentes no local.

“ISSO TÁ UM CIRCO”

Enquanto isso, a câmera que transmitia a sessão ao vivo para as redes sociais da Câmara focava no presidente da Casa, Davi Esmael (PSD), que tentava passar a palavra ao próximo vereador registrado para se manifestar, que era Anderson Goggi (PTB). Sem conseguir falar, por conta da discussão entre Gilvan e os servidores, Goggi, que também é preside a Corregedoria da Casa, reclamou com Davi Esmael.

“Eu não posso ir lá e falar com o vereador (Gilvan) porque ele não está fazendo uso do microfone”, justifica o presidente da Câmara. Em seguida, Goggi diz que a sessão parecia “um circo”. “Circo não porque eu não sou palhaço e acredito que vossa excelência também não seja”, rebateu Esmael, que assistia da mesa a discussão.

“É segunda vez nesta semana que eu sou atrapalhado, que a minha fala é atrapalhada por conta dessa situação. Eu era o próximo depois do vereador Gilvan. Eu tinha uma matéria urgente em relação do carnaval de vitória. Minha matéria foi prejudicada. Eu penso que o ambiente de plenário, por mais que não concorde ou concorde, eu tenho que ouvir”, disse o vereador para A Gazeta.

Ele ressaltou que, enquanto presidente da corregedoria da Câmara não poderia falar sobre o ocorrido porque ainda não havia denúncias em relação ao episódio desta quarta. “Na hora que chegar para mim a denúncia, não fica um minuto. No outro dia eu convoco reunião”, afirmou.

“CALA A SUA BOCA”

Enquanto o presidente da Câmara ainda tentava fazer prosseguir a sessão, com a fala dos demais vereadores que estavam inscritos, a vereadora Camila Valadão (Psol) entra na discussão entre Gilvan e os professores.

“Quando eu viro para o lado falo que o vereador estava provocando os professores, ele vira para mim e fala ‘você cala a sua boca’. Eu falo que não vou calar a boca. Eu falo no microfone para registrar o que eu estou falando, e ele começa a falar arbitrariedades. Me chama de satanista, assassina de crianças”, diz a parlamentar.

Nesse momento, Davi Esmael dá por encerrada a sessão e a transmissão oficial é interrompida. Parte da discussão entre Gilvan e Camila é registrada também por pessoas que estavam no local.

A vereadora conta que a discussão se seguiu durante bastante tempo depois do fim da sessão e criticou a atitude do presidente da Casa de não intervir. “Na minha avaliação, o comportamento da presidência deveria ser de garantir que uma vereadora não fosse vítima de violência dentro da Cãmara”, apontou.

Camila ressaltou que a gravidade das ofensas do vereador Gilvan contra ela tem aumentado, em uma “escalada de violência”.

“Eu pretendo tomar todas as providências cabíveis legais e também administrativas, que é abrir representação na corregedoria da câmara, e espero que algo seja feito. Não é possível o parlamentar se utilizar do seu cargo para cometer crimes que é o que ele tem feito sistematicamente”, disse.

Camila também faz parte da corregedoria e afirmou que já houve sete denúncias contra Gilvan. Nenhuma, contudo, foi acatada em votação e, por isso, nunca foi aberto processo administrativo contra ele.

Procurado, o presidente da Câmara de Vitória, Davi Esmael, se manifestou por nota dizendo que lamenta “o fato de ter sido necessário o encerramento da sessão ordinária desta quarta-feira por conta de desentendimentos entre os vereadores, mesmo após tentativas de retomada do rito da sessão”.

A Gazeta procurou o vereador Gilvan da Federal por telefone e mensagem, mas ele ainda não se manifestou. Caso haja retorno, esse texto será atualizado.

* Com colaboração de Caroline Freitas

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