Na trajetória percorrida desde a redemocratização, o Espírito Santo já vivenciou altos e baixos da gestão pública, com a participação de diferentes atores e ideologias partidárias. No Estado, os primeiros eleitos diretamente para o governo e as Casas Legislativas foram conhecidos em 1982 — e há alguns que ainda hoje disputam espaço. Às vésperas de mais uma eleição, A Gazeta apresenta um recorte da história construída ao longo desses 44 anos na política capixaba.
Nessas quatro décadas, o Espírito Santo teve nove governadores diferentes, com vieses ideológicos da esquerda à direita (passando pelo centro). Vale lembrar que Paulo Hartung (PSD) e Renato Casagrande (PSB) tiveram, cada um, três mandatos.
No período, nenhuma mulher foi eleita governadora. A única que teve a chance de comandar o Estado foi Jacqueline Moraes (PSB), que, como vice de Casagrande (2019-2022), ocupou interinamente o cargo por quatro vezes.
A participação feminina até que surgiu logo no início do processo de redemocratização, mas a ocupação do espaço político ainda é proporcionalmente menor do que a dos homens, embora as mulheres sejam a maioria na população.
A estreia se deu com Myrthes Bevilacqua, eleita em 1982 para a Câmara Federal, e Rose de Freitas (MDB), que conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa. A emedebista é, atualmente, quem detém o maior número de mandatos parlamentares — 8, ao todo, incluindo o período em que assumiu a Câmara como suplente. Ela vai tentar aumentar esse recorde, considerando que está na disputa deste ano para o Senado.
A propósito, Rose de Freitas é, até hoje, a única mulher no Espírito Santo que já foi eleita senadora. Em todas as outras eleições, apenas homens foram escolhidos, estando como titulares nas chapas. A Câmara e a Assembleia também já tiveram legislaturas sem representação feminina.
A história política do Espírito Santo ainda tem fatos relevantes que passam pelos vices. As gestões dos ex-governadores Max Mauro e José Ignácio Ferreira, por exemplo, foram marcadas, entre outros episódios, pelo rompimento com aqueles que, até a eleição, eram aliados e naturalmente estavam na linha de sucessão.
No caso mais recente, não houve exatamente uma ruptura à época, mas ocorreu uma alteração no processo sucessório. Em 2010, o então governador Hartung indicou Casagrande como seu candidato para ocupar a cadeira no Palácio Anchieta, deixando o vice, Ricardo Ferraço (MDB), de fora da disputa ao governo.
Nas voltas que a política dá, hoje o emedebista é o governador, após Casagrande renunciar para concorrer ao Senado, e está buscando a reeleição com o apoio do socialista. Hartung não subiu, oficialmente, em nenhum palanque, mas declarações do ex-governador o colocam na oposição à chapa governista.
Durante todos esses anos, A Gazeta registrou fatos e curiosidades da política capixaba na expectativa de ajudar o leitor — e eleitor — a refletir sobre os rumos do Espírito Santo: o ponto onde está e para onde quer seguir. Confira um pouco mais dessa história:
Almanaque Eleitoral do Espírito Santo
Histórico de eleições para governo, Senado e bancadas de deputados (1982 a 2026)
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