Apesar de as candidaturas femininas nas Eleições 2026 no Espírito Santo ficarem acima da cota mínima de 30% prevista em lei, a participação das mulheres nas disputas por cargos eletivos ainda está distante de alcançar a igualdade com os homens no sistema eleitoral.
As mulheres representam 50,7% da população do Estado, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a participação feminina nas eleições gerais do dia 4 de outubro fica muito abaixo desse patamar: 34,13% das candidaturas a cargos eletivos são de mulheres. O número posiciona-se no mesmo nível do constatado nas eleições de 2022 (34,45%).
A presença feminina aumentou em relação a 2009, quando passou a valer a lei que determina a reserva de 30% de candidaturas, financiamento e propaganda para mulheres. Nas últimas três eleições nacionais, porém, as proporções estagnaram-se na casa de um terço.
Neste ano, no Espírito Santo, 580 candidatos foram registrados para concorrer aos cargos nas Eleições 2026. Esse total é 25% menor que o observado em 2022, quando 778 pedidos foram apresentados à Justiça Eleitoral.
Os números são de pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral, antes, portanto, do deferimento ou não das candidaturas.
No Espírito Santo, as mulheres aparecem mais como candidatas a vice-governadora: 60% das pessoas que concorrem a esse posto são mulheres. Em seguida, estão mais presentes como candidatas a deputada federal (37,78%), primeira suplente de senador (36,36%) e deputada estadual (32,84%). O percentual de 18,18% aparece tanto nas candidaturas femininas ao Senado quanto nas inscritas para a segunda suplência. São duas mulheres entre 11 postulantes ao cargo.
Em relação a 2022, cresceu a participação feminina somente nos cargos de vice-governadora (26,67%) e senadora (7,07%).
O eleitor capixaba ainda pode encontrar mais informações sobre todos os que estão concorrendo nas Eleições 2026 na página especial dos candidatos lançada por A Gazeta na última sexta-feira (14), que pode ser conferida neste link.
CONFIRA INFORMAÇÕES COMPLETAS DE CADA CANDIDATO DO ES
A página reúne as informações que os candidatos a todos os cargos declararam à Justiça Eleitoral. O eleitor pode conferir também o número de urna.
Na avaliação de Dayane Souza Barbosa, doutoranda em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pesquisadora sobre mulheres na Câmara dos Deputados, a permanência das candidaturas femininas entre 30% e 34% mostra que a cota prevista pela legislação tem funcionado mais como um piso do que como um mecanismo capaz de promover uma participação efetivamente paritária.
Ela avalia que a sub-representação feminina na política é multifatorial, mas uma das questões mais importantes passa pelo comprometimento dos partidos em recrutar e apoiar de forma realmente competitiva essas candidaturas.
Para Dayane, os partidos têm um papel central nesse processo, porque são responsáveis por selecionar candidaturas, distribuir recursos, definir prioridades e construir as condições para que uma candidatura seja competitiva.
Tem de haver um investimento real, equipe qualificada junto às mulheres, recursos humanos, financeiros, apoio real dos partidos, e isso muitas vezes não acontece. Fica concentrado nos homens. Os partidos são majoritariamente masculinos.
Dayane Souza Barbosa, doutoranda em Ciências Socias da Ufes
A pesquisadora frisa que é importante diferenciar o número de candidaturas da capacidade efetiva de disputar uma eleição. Não basta cumprir a cota. É preciso ter acesso a recursos financeiros, estrutura de campanha, tempo, visibilidade, apoio partidário e redes políticas. Portanto, uma candidata formalmente registrada não necessariamente está em condições equivalentes às de seus concorrentes homens.
"A política de cotas conseguiu estabelecer um patamar mínimo de participação, mas não foi suficiente, sozinha, para alterar de maneira profunda a estrutura de recrutamento político, porque é um problema que precisa ser atacado em várias frentes. Demanda uma reforma política mais efetiva na direção da paridade, como o uso de sistema de lista fechada e paritária, por exemplo", avalia.
Ela lembra ainda que a desigualdade pode se aprofundar ao analisar os cargos. As mulheres podem representar cerca de um terço das candidaturas, mas isso não significa que estejam igualmente presentes nas disputas mais competitivas ou nos cargos de maior poder, como os governos estaduais e o Senado.
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